I took a drive today / Time to emancipate / I guess it was the beatings made me wise / But i'm not about to give thanks (FUCK OFF!), or apologize - Rearviewmirror
Domingo, Junho 08, 2008
Pular de Pára Quedas
Não fiz literalmente, mas como sempre recomendei, desde o meio da última semana fiz mentalmente esse exercício: fechar os olhos e imaginar-me em queda livre. Claro que só poderia imaginar tal fato, já que tenho medo de altura. Entretanto, a cena em si não significa vencer nenhum medo interno ou suplantar nenhum trauma passado, quer dizer apenas largar os remos e deixar a vida acontecer. Mais ou menos como a música do Bad Religion chamada “No Control”: “You have no control / You do not understand / You have no control / You are not in command”. Por isso a metáfora com o pára quedas. Quando salta-se de um avião, dependemos apenas da abertura do pára quedas para chegarmos à salvo no solo. Por mais que tenhamos checado todos os itens de segurança, uma pequena falha inesperada ou talvez, uma pequena peça defeituosa pode fazer com que o salto seja o último. Contudo, o prazer de saltar será levado conosco para eternidade. Não sou nenhum paranóico em controlar tudo à minha volta; muito pelo contrário. Diversas vezes sou taxado de bagunçado e espontâneo demais. Porém confesso que tenho uma preocupação acima da média com o futuro. Sem dúvida são características antagônicas. Mas geminianos são assim por natureza.
De volta ao pára quedas; realizei que muito dos meus supostos problemas foram ou são causados pela minha própria imaginação ou ansiedade em antecipar o tempo (como tenho falado e pensado nele ultimamente, não é?). Por isso a visualização da minha imagem em queda livre, sem nada ao meu redor, somente na dependência de puxar uma cordinha para conter a satisfação ou o pânico, traz consigo uma sensação única de liberdade. Extermina-se a necessidade de grudar a mão no volante que guia minha vida rumo ao futuro sempre incerto e permite-me abrir os braços rumo ao inesperado. Imagino que devido aos muitos acontecimentos inesperados e desagradáveis que se passaram nas duas semanas anteriores à última, eu estivesse imergido em um estado de espírito carregado demais. Mas, da mesma forma que fui albarroado por fatos desconfortáveis, a sensação e alívio tornou-se presente. Fui empurrado do avião amarrado ao pára quedas e o medo de altura transformou-se em alívio. O mais intrigante de tudo é que nenhum dos problemas reais foi resolvido. Passei apenas a ver que meus problemas são comuns à todos que vivem em nossa sociedade. Não me sentia mais diferente nem sobrecarregado. Voltei a me olhar no espelho e enxergar-me novamente como sou: um eterno otimista.
Em pleno domingo, acordei às 7:10 da manhã e liguei a TV para ver se o sono retornava. Encontrei uma comédia européia que me fez refletir ainda mais. Quanto mais temos ou desejamos, mais problemas ou preocupações habitam nossa mente. Tenho a exata noção de que ainda preciso me desprender de algumas futilidades. Por outro lado, também admito que já trilhei um longo caminho no sentido da simplicidade que esvazia nossas idéias, dando lugar a satisfação de otimizar o tempo (sempre ele!) da maneira mais simplista e prazerosa possível. Depois de 3 finais de semana com diversos eventos sociais e conturbações da vida moderna, estou dois dias em casa, atravessando a portaria rumo apenas às minhas necessidades básicas, sem nenhum outro tipo de compromisso com nada nem ninguém. Tais fatos abriram meus olhos para como nós mesmos, ou nosso inconsciente, ou até mesmo o inconsciente coletivo do qual participamos, infere obrigações e protocolos inexistentes. Se não experimentarmos o espírito contido no salto de pára quedas, deixamos que nosso âmago seja invadido pela vontade alheia. Repito que os obstáculos continuaram os mesmos, mas o estado de espírito mudou completamente.
Aproveitando, não poderia deixar de comentar sobre um assunto que tenho conversado muito em casa, com minha mulher e com a minha própria família: como o fato de nos cercar de pessoas positivas, que almejam apenas o nosso bem e que não possuem aquela inveja absorvida pela competitividade banal do mundo moderno nos faz bem. Muito bem por sinal. Pessoas que não se importam para onde viajamos nas férias, qual o carro que temos e por que nossa casa está dessa ou daquela forma. Pessoas que não contam vantagem ou que não imaginam que a felicidade é relativa; pois se o próximo está mal, significa que eu estou melhor; mesmo que sem os sonhos e a vida que realmente esperava. Por isso fechei-me ainda mais no meu círculo familiar e de verdadeiros amigos. Aqueles que nem a distância e as atribulações separam.
Pois bem, quase 11:00 da manhã e o domingo será na casa de amigos, daqueles que nem precisa-se pegar um carro (até porque aqui em casa estamos momentaneamente a pé). Por isso, se permitem-me plagiar um cara que admiro bastante: “Stay hungry. Stay foolish”
postado por: Bobby Bishop 11:10 AM
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Quinta-feira, Maio 22, 2008
Tempo
Mais uma vez fiquei bastante tempo sem escrever. Talvez seja por isso que voltei falando exatamente dele: o tempo. Certamente ele nos acompanha diariamente e passa desapercebido diante de nossos olhos. Entretanto, quando damos conta da sua presença, o mesmo já se foi. Por mais tecnologia que tenhamos, não podemos controlá-lo ou colocá-lo em uma caixa para presente. Costuma-se dizer que ele é relativo. Mas relativo à que? Podemos derivá-lo às nossas experiências, nossas conquistas, avanços, perdas, passagens ou qualquer outra coisa. Mas qual seria sua definição afinal? Por si só seria uma perda de tempo buscar tal explicação. Então, por que simplesmente não aproveitamos a sua passagem? Ele é um bem infinito e ao mesmo tempo fugaz. Começa e termina e si mesmo eternamente em um moto contínuo que suplanta nossa existência. Apesar de possuir sempre o mesmo compasso, ás vezes achamos que ele passa mais rápido ou devagar; ou que mais ou menos coisas cabem dentro dele, como se pudéssemos dobrá-lo. Confesso que meu maior desejo seria apenas vê-lo passar ou ignorar a sua existência; pois o tempo é o pai da ansiedade ou o amor perdido que não volta nunca mais. Por outro lado, também pode ser visto como fiel escudeiro que sempre estará ao nosso lado se soubermos lidar com suas peculiaridades.
Ao analisar o tempo como uma reta contínua, o hoje confunde-se com o ontem e o amanhã. Na verdade o ideal seria vivermos em um mundo atemporal, onde apenas as rugas e o envelhecimento natural de nosso corpo fosse a medida da nossa estada nessa vida. Gostaria de imaginar uma existência onde as palavras antes e depois não tivessem sentido.
Acho que me distancia muito das palavras ... não consigo transcrever meus pensamentos. Acho que farei exatamente o que tentava escrever: ver o tempo passar e observar o silêncio que precisava habitar minha mente.
postado por: Bobby Bishop 2:16 PM
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Terça-feira, Abril 22, 2008
Reticencas ...
Faltam três dias para acabar as maiores férias dos meus últimos anos. Definitivamente eu não tinha idéia de quanta coisa poderia ser feita em 23 dias. Mais do que isso, mal sabia quão devastadoras poderiam ser as conclusões retiradas das reflexões feitas nesses momentos de total abstração do cotidiano que a tanto tempo me acompanhava como um acompanhante indesejável. Sempre indiquei a muita gente o livro chamado “A Essencial Arte de Parar”. Nesse exato segundo me encontro absorto em uma atmosfera longínqua, física e mentalmente, de qualquer coisa que lembre o meu dia a dia. Envolto nesse clima, os primeiros dias de férias pasam em minha mente como tivessem acontecido ontem. Mais uma vez fui autêntico e andei na contra mão da alta temporada dos lugares da moda e praticamente me refugiei em um balneário onde certamente voltarei mais vezes. Baixa temporada, poucas pessoas, tempo e economias para serem gastas como eu desejasse. Deixei rastros de meus pensamentos em diversos recantos, restaurantes e conversas com desconhecidos. Porém, acho que o melhor de tudo e, talvez, o mais óbvio, novamente veio à tona: ler e escrever excitam minha mente de uma forma muito saudável. Não sei se por sorte, estou ouvindo as músicas que mais gosto após ter degustado uma das bebidas que mais aprecio depois de ter conhecido lugares novos que despertaram novos pensamentos e objetivos.
Mas enfim, o que mudou? Na essência, praticamente nada. Entretanto, a autencididade talvez tenha aumentado e, certamente, a percepção tornou-se mais aguçada. Reecontrei-me comigo mesmo. Realizei que pouquíssimas pessoas sabem quem realmente sou e o que realmente desejo. Podemos segurar a onda por anos, muitos anos, mas uma hora a represa arrebenta. A bússola aponta para o lado certo. Cara (se alguém pudesse me ver pronunciando essa palavra “cara” ouvindo Small Town, entederia exatemtente o que estou querendo dizer). Parece que depois de muito tempo eu tenho um plano traçado e a fé de que seguirei-o até o fim.
“I took a drive today / time to emancipate / I guess it was the beatings that made me wise …
It wasn´t my surface most defiled … Hand´s on my face / pushed to the ground / forced to endure / what I could not forgive”
Nada é por acaso. Digo isso por que estava esperando meu vôo no aeroporto e decidi comprar um livro. Acabei de lê-lo ontem de madrugada. Um romance que muitos achariam barato e de pouco interesse; mas que expandiu meu campo de visão nas direções que almejo. Em primeiro lugar, relembrei que decisões quando tomadas, poucas vezes são reversíveis. E esse é um dos maiores baratos da vida. Observar por esse prisma repele qualquer tipo de arrependimento; impulsionando-nos para o caminho do aprendizado. Li outro dia que “O futuro e o passado turvam nossa visão do presente”. Concordo em parte. Prender-se ao passado sem dúvida não nos leva a lugar algum. Porém, uma visão de futuro definida nos coloca no rumo certo para atingirmos nossos objetivos enquanto estivermos permanecendo nesse planeta. Acho que aprendi a abrir mão do agora em nome dos meus sonhos. Não quero mais sonhar acordardo. Desejo viver acordardo. O que é muito diferente do auto engano de que um dia iremos alcançar aquilo que não lutamos o suficiente para conseguirmos. Esse é o motivo pelo disse acima que a precepção aguçou-se. Percebi que muitos não só querem, mas lutam com todas as forças, para continuarem dentro de uma redoma ilusória criada apenas para confortar e esconder seus defeitos. Insistem em dizer a clássica frase que são assim e ponto final. Por que repelir com tanta veemencia a mutabilidade? Já coloquei inúmeras vezes que melhorar não siginifica abandonar o que somos. O medo do desconhecido e de novas responsabilidades são grilhões que nos acorrentam ao passado que, em muitos casos, desejamos apagar de nossas mentes. Mas a liberdade é impossível se não abstraírmos no sentido da evolução. Precisamos sentir nas veias a sensação de pular de pára-quedas. Da adrenalina positiva que nos guia para nossos sonhos. Não tenho vergonha de adimitir que ainda preciso esquecer determinados medos e ouvir mais o que digo para os outros. Entretanto, ter a consciencia disso já é o suficiente para iniciar uma mudança positiva.
Por último, mais uma vez, verifiquei que é fácil demais viver com pouco. A única coisa que devemos possuir além da média é coragem. O resto, de alguma forma, resolver-se-á. Não sei se já escrevi por aqui; mas me considero muito novo para todas realizações que obtive. Muitas fruto da minha competencia. Diversas fruto de muita sorte. Porém, talvez, a maior delas, a que costumo chamar de “cereja do bolo” ou de “helicópetero” (digo isso porque encaro que não deixei-me resgatar para a vida que alemjava, ou ainda almejo), deixei passar por puro cagaço. Isso mesmo, logo eu, tive cagaço de largar todo meu conforto em nome de um (senão o maior) sonho de todos! Aquele que seria o famoso ponto de inflexão. No máximo mais um dessa magnitude tenha cruzado o meu caminho. Também deixei passar ... Se me arrependo? Não. A lembrança de ambos trazem consigo um sorriso de canto de boca que me faz sentir muito humano. É aquela sensação da existência. Existe. Ponto.
Acho que por enquanto é isso ... cada vez mais perto. Não importa quanto tempo leve. Estou cada vez mais perto.
“Heal it up”.
postado por: Bobby Bishop 9:48 AM
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Domingo, Março 30, 2008
Viver em sociedade ...
Essa semana passei grande parte do meu tempo disponível observando como são os relacionamentos entre as pessoas quando inseridas em um determinado meio e fora deles. Admito que fiquei profundamente assustado com a forma conveniente e incoerente adotada por grande parte dos nossos iguais. Não sei se tais conclusões possuem fundamentos nas constantes mudanças comportamentais pelas quais eu tenho passado. Talvez eu até mesmo seja um dos incoerentes em negar muito do que já fiz na vida. Entretanto, prefiro entender como um processo de maturidade de adaptação às novas realidades que as minhas escolhas trouxeram consigo. Contudo, estabelecer uma convivência harmônica com a sociedade estupidamente midiática, competitiva e capitalista de hoje em dia é uma tarefa quase Herculana.
Mas como sou movido à desafios, resolvi traçar meus objetivos nesse sentido e tornar-me um pouco a antítese do que fui no passado e do estigma que ainda carrego pelas minhas atitudes tomadas anteriormente. Por exemplo, nesse final de semana realizei que há mais de 15 dias não compro nada que não seja para suprir minhas necessidades básicas (desculpem-me, mas uma garrafa de vodka no final de semana é uma necessidade básica). Enquanto isso, vejo todos os meus pares e superiores no trabalho desfilando de Iphone sem saber 1/10 das funcionalidades. Confesso que meu celular não é nada básico, mas para que comprar um aparelho que não será usado nem em 10% da sua capacidade? Diariamente lemos que as empresas buscam a eficiência em seus processos e otimizam seus custos em busca de melhores resultados. Mas por outro lado, a maioria dessas prega que o ser humano comum compre aquilo que não precisa e gaste no que tornar-se-á obseleto em 6 meses (como o próprio Iphone, qua já tem sua nova versão 3G com data de lançamento marcada). Longe de mim ser contra a Apple, até mesmo porque tenho um MacMini que acho sencional e prático, pois permite que minha esposa use o Windows e eu fique com meu MAC OS X no mesmo computador. Porém, isso tem utilidade e nos trouxe um bem estar que compensa o investimento.
Aliás,
Bem Estar foi o tema principal da minha última terapia antes das minhas férias em abril (estou fazendo questão de levar meu notebook para postar totalmente relaxado tomando umas pinas coladas). Essa questão nada tem haver com sucesso profissional (pois se tivesse eu não teria motivos para ter várias
issues na minha cabeça), dinheiro ou fama. Bem estar tem a ver única e exclusivamente com você mesmo. Tem a ver com sentar na sala meio iluminada pela luz do dia, abrir o notebook, colocar Massive Attack no som e deixar os pensamentos fluírem ... Passo toda minha semana trabalhando com números, projeções e formas de mostrá-los para que os outros vejam o que eles querem ver. Sentar-me à mesa para escrever livremente sobre minhas idéias, promove uma sensação de liberdade indescritível. Muitas vezes, essa deliciosa sensação confunde-me no sentido de que se ela é tão boa, por que enveredei por um lado profissional tão cartesiano? Na mesma hora vislumbro um futuro muito diferente para mim. Nem tão longe dos números; mas bem mais próximo das palavras e sentimentos que não podem ser demonstrados em equações e planilhas frias. O deprendimento material e a sensação de reaização antes dos 34 anos tem me deixado muito menos ansisoso. A cada dia estou aproximando-me da minha simplicidade e execrando o status. Repito que essa pseudo solidão atrás do monitor embebedam-me como se fossem o melhor dos vinhos. Dividir meus princípios sem nenhum compromisso cria uma intimidade virtual que o mundo real tenta extinguir diariamente. Hoje todos querem mais. Não mais ou melhor do que foram ontem; mas melhor do que os outros são hoje. A auto estima deu lugar ao ego e a obstinação deu lugar a obsessão. A sociedade tem sede em demonstrar o que não é e esconder seus medos e fraquezas. Aceleramos nossas vidas mais do que devíamos em prol de um reconhecimento que não gostaríamos de ter.
Paulatinamente busco a simplicidade em seu sentido literal; desprendendo-me dos medos que não possuem sua causa em minhas atitudes. Preparando-me para o futuro de forma mais segura e menos infantil. Afinal de contas, um dia temos que nos dar conta que somos efetivamente os donos de nossos narizes e que isso traz consigo uma responsabilidade que, em alguns casos, não estamos preparados para assumir. No entanto, a maior responsabilidade que temos é conosco. Estamos aqui para viver a nossa vida. Insisto que em uma proporção diariamente maior, a sociedade tornou-se uma manada movida pelos interesses de poucos. Procuro não levar essa discussão para o foro político afim de não conturbar mais o assunto. Entretanto, insisto em bater na mesma tecla: qualquer atitude começa a partir de nós mesmos. Apontamos o dedo para todos os lados, menos para o espelho. Culpamos a sociedade mas nos deprimimos ao nos sentir excluídos dela. Nossa mente, corpo e alma já são um grande organismo social onde o bipartidarismo e a luta de poder entre a razão e emoçao existe desde que nos entendemos por gente. Isso sem considerar o nosso lado mais de “esquerda”, liderado pela ala do desejo, luxúria e libído; contraposto com os nossos valores mais conservadores de origem familar e algumas vezes religiosas.
Estava com saudade de abstrair nesse nível ... Sentir o corpo na cadeira e a mente em algum lugar que desconheço. Contudo, para não curvar demasadamente a linha de raciocínio: dependemos mais de nós mesmos do que imaginamos. Mas para atigirmos o equilíbrio, precisamos estudar e refletir e, principalmente, nos adaptarmos às mudanças sem depositar o ônus do esforço em terceiros; pois como li nessa semana:
"Adaptação
A palavra-chave para se reencontrar, diante de uma escolha a ser feita, é adaptação. Isto implica aprender a comportar-se em situações de incerteza, com o intuito de tomar decisões lúcidas, mesmo quando estamos inseguros. "A habilidade de adaptar-se é crucial para termos equilíbrio em uma vida tão instável, reflete o coach.
Segundo o especialista, trabalhos recentes mostram que, quanto maior a necessidade das pessoas de transcender suas dúvidas e receios, mais altas são as chances de ser feliz."
Logo, nós somos a nossa maior barreira e a maior fonte de equilíbrio. Talvez devessemos transcender a sociedade no sentido do indivíduo; da
adaptação no sentido da melhor forma de bem estar que nos apetece dentro de nossas conições. Afinal de contas, somos a
célula matter de qualquer sociedade.
p.s. Mais importante do que tudo é o poder de abstração. Quando em boa companhia, apenas um olhar ou pequenos gestos já demonstram a intenção. Essa é que deve ser levada em conta. O ato em si começa dentro de nossas mentes e tentamos escondê-los de nós mesmos. Tudo na vida é especial quando se tira um apredizado. Quero continuar aprendendo até o fim ... É como ouvir jazz nesse exato momento. É como ouvir que o ponto não deve ser usado no lugar de reticencias. Exatamente! Reticencias são o canal para abrir o portal da abstração. Não digo mais "ponto" (E o jazz come solto). Reticencias demonstram muito mais a minha essência. A incerteza da certeza de ótimos dias. De que o que buscamos pode ser alcançado. O sentimento de que é só esticar o braço. A abstração em sua forma mais rudimentar ... Estique o braço ....
postado por: Bobby Bishop 2:52 PM
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Sábado, Março 15, 2008
Voltando aos trilhos
Muitos reclamariam de um sábado chuvoso após uma semana de trabalho. Mas confesso que estou muito satisfeito com esse clima agradável de final de semana. Talvez tudo tenha começado ontem à noite; quando resolvi sair cedo do trabalho e supreender minha mulher com um belíssimo jantar em um restaurante tailandês. Parecíamos recém namorados, mesmo depois de mais de 3 anos juntos. O ambiente, as bebidas diferentes e a exótica comida contribuíram para uma atmosfera relaxante que se fazia necessária há meses. Ainda (bem) contaminado por todo esse clima, chegamos em casa e usufruímos um pouco da tecnologia que o mundo moderno que tanto critíco nos provê: coloquei uma boa setlist no quarto e via apple airport deixei o som rolar na sala. Obviamente que o jantar estendeu-se por uma maravilhosa festinha à dois.
Comecei falando disso, pois hoje de manhã me dei conta de quantas coisas corriqueiras e cotidianas, daquelas que nos dão prazer, eu havia deixado de fazer. Portanto, acordei, li uma revista, arrumei minhas coisas, gravei um CD, acendi um incenso e resolvi sentar para escrever em outro lugar que não o famoso “quarto do computador”. Trouxe o notebook para sala e postei-me à frente do recanto da casa que mais gosto. Um pequeno retângulo onde fica uma poltrona, meus cd´s, meu som e uma pequena janela de onde posso observar as árvores que separam um bloco do outro; além do prédio da frente, é claro. Contudo, o que mais me motivou a escrever esse post foi a reportagem da revista Época sobre o
Poder da Infelicidade. Óbvio que nenhum ser humano, afora os extremamente masoquistas, gostariam de dizer que vivem infelizes e não desejam mudar sua condição de vida. Mas tenho que concordar, até mesmo pelas minhas caractrísticas pesoais, que quando estamos atravessando uma fase, digamos, descontente de nossa vida; tendemos a dar mais importância às pequenas coisas e nosso infinito desejo de querer mais torna-se mais adaptável às nossas condições financeiras e limites psicológicos. Ou seja, talvez, momentos de infelicidade sejam necessários para colocar nossos pés no chão afim de que possamos buscar o máximo de felicidade possível dentro das nossas reais condições enquanto seres humanos.
Embuído nesse espírito de buscar o pouco que agrega demais; nessa manhã de sábado iniciarei um novo
modus operandi de viver. O primeiro passo será me ouvir mais. Outro dia abri o dicionário Michaellis e constatei que o primeiro significado para a palavra ouvir é
entender. Ou seja, se eu mesmo não estava ouvino o que dizia para os outros e o que minha voz interior tentava me explicar, por consequência eu não estava me entendendo; desnorteando-me dentro da minha própria vida. Portanto, serei mais comigo mesmo o que digo pra os outros. Despir-me-ei da máscara da fortaleza e do homem bem sucedido profissionalmente para agir com mais naturalidade e despreocupação com o futuro. Isso não significa tornar-me um aloprado. Entretanto, possui uma ligação direta em provocar situações e momentos como o de ontem e o atual, onde escrevo com um sentimento de paz interior e calma que não me recordava da existência. Precisava muito desses momentos só meus. Desse reecontro, mesmo que breve, comigo mesmo. Sinto um prazer enorme em escutar meus cd´s de Chill Out, escrever e enumerar derivações sobre a condição humana. Não sou filósofo nem me sinto na capacidade de exercer tal função. Porém, como economista, e estudiodoso de uma ciência social que cada vez mais permeia nossas vidas; gosto de expor meus pensamentos sem me importar com a forma; pois a importância do conteúdo é a materia prima para uma boa reflexão e projeção de um futuro que acalente nossas almas tão sonhadoras e desejantes. O erro não reside no desejo; mas sim no objeto desse.
O barulho da chuva na telha da área de serviço acalma-me ainda mais. O som agora é um Chill Out: Jazz Time. Sinceramente, quem me conhece, jamais imaginaria um DDA hiperativo em um ambiente envolto por toda essa paz. Daí a necessidade de desnudar-me da armadura que a vida e minhas próprias escolhas vestiram-me. Muito tempo atrás imaginei que o termo “Voltar aos Trilhos” significaria o retorno à minha vida acelerada e recheada de excessos. Nesse exato segundo realizo que essa “Volta” não remete à um recomeço e sim ao início de uma nova fase; que tenho absoluta certeza que renderá frutos muito mais agradáveis. Dessa forma, atravessar o deserto e ocasionalmente sentir-se triste, perdido e sozinho; pode transformar-se no combustível necessário para encontramos quem realmente somos como um todo.
Um brinde à boa vida que desejo para todos vocês.
postado por: Bobby Bishop 11:52 AM
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Domingo, Fevereiro 24, 2008
A Corrosão do caráter
Depois de muito tempo, estou tendo um domingo sem nenhum compromisso. Acabo de abrir um vinho, colocar uma taça ao lado do teclado e divagar sobre um assunto que esteve em minha cabeça durante toda semana … Há pouco tempo atrás, durante um evento da empresa onde trabalho, fui apresentado ao livro cujo tem o mesmo nome do tema desse post. Ainda não o li; mas acabo de encomedá-lo. Durante o papo descontraído e bem eclético; pois envolvia um funcionário da TI, um economista nato como eu e uma pessoa do RH; discutíamos como, atualmente, as relações humanas estão limitadas aos diferentes ambientes em que vivemos. Ou seja, enquanto trabalhamos em tal empresa, nos relacionamos diariamente com aqueles que nos cercam e criamos uma tênue linha de amizade com fronteiras muito bem estabelecidas e protegidas por muralhas muito bem guardadas. Se mudamos de área ou empresa. Tudo isso fica para trás e um novo ciclo se inicia. Como hoje em dia são poucos que podem abrir mão de vender sua força de trabalho, nossas amizades parecem ser estabelcidas por
projetos. Finda o projeto, partimos para outra e a tênue linha que nos entrelaçava com os iguais à nossa volta arrebenta-se naturalmente. Não construímos mais amizades nos lugares onde passamos a maioria de nosso tempo. Estamos mais tempo sob as cobranças naturais do mundo capitalista do que com a nossa família e conosco. Portanto, por esse prisma, observamos que a fugacidade está encravada em nosso dia a dia. Nos vendemos e usamos os semelhantes de forma à garantir nosso pagamento mensal. Nada mais do que isso.
Tal reflexão me fez questionar: “Quantos amigos verdadeiros eu fiz alongo de quase 14 anos de trabalho?”. A resposta foi assustadora! Eu diria que três! Sendo que um indiretamente, pois era amiga de alguém do trabalho. Da época de faculdade eu posso dizer que 4. Dos amigos verdadeiros de infância, sem dúvida alguma somente três. Colegas, infinitos! Assim sendo, a teoria do livro parece muito certa. Principalmente no trabalho, a competição torna-se mais venal e transparente. Pior ainda quando levada para o lado pessoal. Onde procura-se denegrir a imagem de todos, para por eliminação, tornar-se bom ou provido de algum valor profissional; já que o moral foi deixado de lado há muito tempo. Já que falei nisso, essa tem sido uma prática constante em nossa sociedade e meios relacionais: falar mal dos outros e intrometer-se na vida alheia apenas para dizer que o lado de lá em ruim; ou até mesmo todos os outros lados são ruins. Pois, dessa forma, nem precisamos exaltar nossas qualidades. Se tudo é mal, não serve de exemplo ou inconscientemente compete conosco, ameaçando nosso status mental de superioridade, surgimos como as melhores pessoas do mundo sem ao menos dizer uma característica sequer. Deixamos de ser indivíduos e passamos a ser o que os outrso não são. Isso é a materialização da mesquinharia … E obviamente temos que conviver diariamente com isso. Porém, tal convívio nos torna mais leves em relação a nós mesmos. Passamos a nos analisar e ver que não precisamos do parâmetro alheio para provar nosso valor, justificar e consertar nossos erros. Nova vida é traçada por nossas decisões. Não adianta escondê-las dos outros ou fingir que todas elas foram corretas e altamente produtivas. Somente nós mesmos sabemos do que abrimos mão em nome de uma decisão tomada ou de um erro cometido. Não precisamos dos parasitas que se alimentam da vida alheia apenas para sentirem-se, demonstrarem ou enganarem-se de sua verdadeira posição.
Além disso, realizei que ao olhar nosso reflexo no espelho; não apenas vemos cruamente quem somos; mas, com um pouco de abstração e ausência de bloqueios, observamos, atrás de nós, os fantasmas que nos perseguem. Aquelas idéias e conceitos que nos levam pelos caminhos transversais à vida saudável e mais sincera. O espelho, quando devidamente utilizado, pode dizer muito sobre quem somos e mais ainda sobre o que não nos deixa ser. Ainda existe o tipo de gente nem vê o seu reflexo! Se vê atrás de uma imagem a ser perseguida. Ou seja, tornou-se o fantasma da própria vida! Está sempre perseguindo algum esteriótipo paradoxal ao próprio comportamento. Nunca consegue estar à frente. Veste sempre uma fantasia ao invés de simplesmente ser. Vive o dilema do príncipe sem ser o príncipe: “Está comigo pelo que sou ou pelo que significo”. Não sabe o que é e muito menos o que significa. Possui o caráter corroído por valores e competições futéis criadas apenas em um imaginário único, o qual esconde as verdades. Não a nada mais libertador que a verdade. Como li outro dia: “Prefiro a dor da verdade à ilusão da fantasia”. A verdade pode criar conflitos; mas sempre trás consigo aprendizado; interno e externo. A fantasia apenas nos coloca na posição defensiva; onde a todo custo e desonrha, devemos proteger a redoma do mundo imaginário onde nos inserimos.
Cada dia que passa valorizo mais os momentos vividos com pessoas que não perguntam como vai sua vida profissional e pessoal. São pessoas que dizem simplesmente: “E aí; como você está”. O critério da resposta passar a ser seu. Ela te deixa à vontade para levar o assunto para o caminho que você desejar. Sem julgamentos, parâmetros pré-estabelecidos ou qualquer coisa do gênero.
Antes, confesso que me sentia só por não ter tantos amigos e, particularmente, ser considarado uma pessoa que conhece muita gente. Na atual conjuntura, me orgulho do punhado de pessoas nas quais realmente confio. Posso tomar 1.000 garrafas de vinho com o mundo inteiro, mas pouqíssimos verão o líquido muito mais valioso das minhas lágrimas … Em um mundo que prega a
corrosão do caráter em detrimento da sinceridade e transparência; prefiro continuar sendo visto como sou: incisivo, intenso e sincero. Se não são características elegíveis para pessoas de status; não edtou nem aí. É somente a mim mesmo à quem devo satisfações. E atrás do meu reflexo, existem cada vez menos fantasmas.
postado por: Bobby Bishop 1:32 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008
Soundtrack
Pela primeira vez escrevo um post de dentro de um avião; indo para Porto Alegre fugir das peripércias carnavalescas e buscar o descanso que tanto mereço. Mas confesso que a idéia inicial começou no meio da semana passada. Isso porque no caminho para o trabalho, ouvia calmamente minhas músicas e tive aqueles insights que só aparecem em nossas mentes quando estamos sozinhos no ônibus totalmente livres para aceitar qualquer pensamento produtivo que faça-nos sorrir e alimente nossa alma.
No presente momento estou ouvindo Pearl Jam – Live at the George, olhando as nuvens e o mar pela janela, digitando apertado na poltrona; porém feliz por estar em um estado de abstração no qual me sinto extremamente confortável. Muitas vezes encaramos a variável do tempo como um inimigo; mas, concomitante a isso, a salvação é totalmente grátis. Geralmente encaramos o natural envelhecimento como um processo que nos impede de sermos tão ativos como antes e que, até mesmo, nos torna chatos. Contudo, confesso que não dexei de fazer nada do que fazia há 10 anos atrás. Só que agora as energias são otimizadas de uma forma nunca antes aproveitada. A produtividade dos recursos aumentou e acho que isso pode ser considerado maturidade. Não sei ... o meu desprendimento em relação ao tempo me leva a uma posição privilegiada no tocante à observação dos fatos cotidianos. Realmente estou no caminho do apredizado de viver um dia após o outro. É muito melhor do que esperar por grandes surpresas. Por esse novo prisma, cada dia já é uma novidade por si só. Seja ela um papo com um desconhecido, um obrigado inesprado, uma realização pessoal, um voto de confiança de alguém e por aí vai. Além desses fatores, agindo dessa forma, inconscientemente nos prparamos para os possíveis revéses. Pois, afinal de contas, eles também não passam de supresas inesperadas ... Acho que estar mais próximos das nuvens capacita ainda mais a minha abstração. Meus pensamentos parecem estar na asa do avião ... Definitivamente isso é viver. Desprender-se das preocupações impostas pelo senso comum. Até mesmo o taxista que me levou ao aeroporto falava sobre isso. Sobre como nos preocupamos em demasia em acumular cada vez mais trabalhando para os outros e esquecemos daquilo que nos é dado de graça.
Coincidência ou não, começo a ouvir “I am Mine”. Isso me lembra alguns fatos que tenho notado frequentemente nas pessoas que me cercam, direta ou indiretamente. Cada vez mais nos tolimos e forçamos uma adpatação a um abiente que a sociedade nos impões como o mais correto. Lemos nas capas de revistas que é
cool ser saudável e mudamos nossos hábitos. Lemos que a bolsa de valores faz milhonários do dia para noite e colocamos nossas suadas economias em um lugar onde não temos a menor idéia de como funciona. Estamos cresecentemente mais manipulados pela mídia e pelo inconsciente coletivo do que, supostamente, é melhor para nós. Deixamos de querer para aceitar o desejo que favorece somente a um punhado de gente. Obviamente que, apesar de acreditar que a autencidade é uma virtude impescindível, não tenho o idealismo de mudar o mundo sozinho. Mas pelo menos, me atenho com todas as forças ao controle do meu mundo, crenças e valores. Ainda acredito que o coletivo é a soma das individualidades de cada um de nós. Se dobramos os joelhos para os dogmas ditados por qualquer instituição, estaremos entregando a nossa vida para quem menos se importa conosco. Seremos apenas mais um a tentarmos nos encaixar em modismos e alongar nossos caminhos para onde nem sabemos. E já que nunca saberemos, porque não viver quem realmente somos agora? Defendo a teoria que os ser humano não muda em sua excência. Conformar-se com uma zona de conforto paradoxal em relação ao nosso interior é renegar a evolução e desprezar a variável do tempo. Como li essa semana: “Qualquer verdade, por mais dura que seja; é melhor que uma fantasia”. Ou seja, um dia a máscara cai. E aí, pode ser tarde demais.
Nesse momento o avião faz a curva ... curva que muitos tem medo de fazer, pois tal fato exige diminuir a velocidade, pensar e acelerar de novo. Exige mudança de direção; quebra de paradigmas, novidades e, mais uma vez, surpresas. Talvez por estar literalmente vendo uma pequena porção do mundo de cima, realizo que não somos nada perto da grandiosidade onde estamos inseridos. Exatamente por isso, quase sempre tomei o rumo contrário ao da manada em prol dos meus valores. Enquanto muitos pensam que, já que não podemos mudar o mundo, devemos fazer parte dele (“There is no other pill to take / So swallow the one who makes you ill” – Rage Agaisnt the Machine); enveredo pelo caminho de que como somos tão pequenos perto da imensidão que nos circunda; nada como sermos autênticos e vivermos de acordo como nossos valores guardados à sete chaves em nosso âmago. Afinal de contas, a vida, esse presente que recebemos de graça, é única.
Se pudesse, viajaria ainda mais; só pela vista e pela surpreendente calma e abstração que essa visão me traz. Essa é a vida: “A arte do desencontro”. Mas que no final, se tivermos o mínimo de fidelidade a nós mesmos e o correto sentido de evolução, encontraremos a felicidade objetivada por toda existência.
postado por: Bobby Bishop 2:06 PM
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Domingo, Janeiro 13, 2008
Ciúmes e Ciclos
Esse é um asunto presente, consciente ou inconscientemente, em cada dia de nossas vidas; tanto na situação ativa quanto nas passivas. Tal sentimento é um tanto contraditório nos dias atuais; pois “pregamos” uma sociedade cada vez mais liberal e lotada de liberdades individuais. Entretanto, muitos continuam com a sede de controlar aqules ou aquelas coisas que situam-se aos respectivos lados. Nunca desejemos tanta liberdade assim como nunca se viu tanto ciúme. É a excência do egoísmo: liberadade para nós e cerceamento alheio. Porém, é obviamente que a ausência de ciúmes está diretamente relacionada a confiança e a auto-confiança. Com isso, em um mundo cada vez mais instável, essa relação antagônica entre liberdade e controle do que nos cerca, parece estebelecer-se de uma forma cada vez mais forte.
Como disse acima, tudo passa pela confiança e, principalmente, pela auto-confiança. Mas como confiar tanto em si mesmo em um mundo cada vez mais competitivo; onde temos que demonstrar (ou aparentarmos) a cada dia que somos melhores que alguém? Onde a vida tornou-se um contínua olimpíada sem valores morais nem lugar para a máxima do “o que vale é competir”. Atualmente, não vale apenas ser você mesmo e fazer o melhor possível. A superação faz parte do cotidiano e assim, o ciúme atravessa as barreiras das relações afetivas, chegando ao local de trabalho e círculo de amizades, confundindo-se com o egocentrismo que reina em uma sociedade cada vez mais midiática e veneradora da fugacidade. Com a perpetuação desse comportamento, estaremos fadados a ansiedade crônica e a desconfiança diária que nunca teremos o que precisamos. Daí provém o ciúme; da dúvida que o futuro nos proverá o conforto material ou o consentimento afetivo do que já temos hoje. Não conseguimos mais viver “day by day”, estamos sempre a espera de algo mais, ou até mesmo exigindo algo mais, de quem está ao nosso lado. Buscamos a solução dos nossos problemas sem ao menos questionarmos se existe algum problema para quem nos dá suporte. Voltamos a figura do egocentrismo coletivo. Todos procuram posicionar-se no centro de um único universo. É como imaginar uma infinadade de buracos negros alinhados. Todos distorceriam o tempo e o espaço. Mas qual deles seria o sobrevivente final?
Felizmente (talvez somente para mim), sempre fui considerado um cara muito pouco ciumento. Sem falsa modéstia, sempre tive namoradas muito bonitas e uma mulher que chama naturalmente a atenção. Porém a simplicidade que tanto persigo, nunca me permitiu ter o sentimento de posse obsessivo sobre nenhuma delas. Como ouvi há muito tempo atrás: “Você é o cara mais autêntico que conheço”; utilizei-me dessa caractarística para alicerçar minha auto-confiança. Muitos, para não dizer todos, falavam que era impossível eu não ser ciumento. Mas a intensa busca pelo auto conhecimento e o eterno sentimento de que eu me “aturaria” se ficasse sozinho, serviam como uma muralha contra o ciúme. Por favor, não confundir pouco ciúme com desprezo e tolerância com falta de respeito. Contudo, quanto mais nos conhecemos; principalmente sabemos quais são nossos limites e adquirimos a experiência de manter a calma em momentos de crise; o ciúme torna-se extremanente secundário. Se não gostarmos de nós; se tivermos que nos esconder atrás de uma fantasia criada por nós mesmos para sermos aceitos; esse maldito sentimento sempre será um fantasma a nos perseguir. Talvez a melhor resposta a um
ataque de ciúmes infundado, seja uma boa garrafa de vinho em uma mesa na varanda deuma humilde casa bem longe da capital; próximo a uma colônia de pescadores. Inclusive, uma prova da ausência de ciúme material, foi a incipiente, porém existente, especulação de largar tudo e vir para cá. Para longe dos grandes reinos dominados pelo ego e vaidade e mergulhar de corpo e alma na
vida simples que busco desde que me entendo por gente.
Outro dia comecei a escrever um post inacabado sobre um reportagem que li sobre ciclos. Basicamente, as palavras diziam que devemos completar totalmente um cilco antes de passarmos para outro. Caso contrário, levamos as mazelas mal resolvidas adiante, impedindo nossa evolução como ser humano. Aos esfregar os olhos, me lembrei que tudo isso pode ser omparado as oscilações da vida atual; onde os
gaps de euforia e depressão (assim como nas repentinas altas nos mercados de ações) sempre são fechados no sentido do equilíbrio. Mas por que motivo misturar esses dois assuntos? Somente porque não devemos atravessar uma fase de nossa vida sem que paremos para pensar qual a posição mais prósima do equilíbrio, de acordo com aquilo que nos acalenta da melhor forma.
Confesso que atravesso a fase mais ansiosa da minha vida. Muita vontade de chutar tudo para o alto e sumir do mapa um tempo. Por outro lado, mais uma vez, visualizei (da pior foma já vista) como o ser humano corporativo é totalmente diferente daqueles anônimos que vemos caminhar indo e vindo nas ruas. A cada 24 horas percebo que estamos na era das contradições; onde o
egoísmo coletivo consegue manter a ordem em diversas empresas. Mas nada disso mudará se eu manter-me na inércia; fato que não deixo acontecer e nunca deixei. Sempre tentei manter-me em constante movimento, talvez para não ser pego de surpresa por aquilo que a minha constante esperança otimista, ao menos, tenta modificar. Não sei ... Aquele olhar perdido com um sorriso de canto parece surgir novamente. Talvez seja o pressentimento que mais um ciclo esteja terminando. Porém, mais certo ainda, é que o próximo, apesar de totalmente desconhecido, será muito mais amplo e agregador. Mesmo com todo meu cansaço mental (outro dia percebi que nos últimos 4 anos e 4 meses só tive 20 dias de férias) não deixo de enxergar uma luz cada vez mais forte no fim do túnel. Esse ciclo precisa ser fechado pois o novo urge por rebentar.
postado por: Bobby Bishop 11:09 PM
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Terça-feira, Janeiro 01, 2008
2008
Assim como a mágica do prazo de validade estampado nos produtos de supermercados, onde de um dia para o outro, o alimento deixa de ser aproveitável; o mesmo parece acontecer na virada do ano. Renovam-se as esperanças e o álcool regado nas festas torna inexistente todos os problemas pasados nos últimos 365 dias. Eu mesmo confesso que sou um desses. Até mesmo por ser um otimista nato, sinto que quase todos os dias tenho um
revellion particular; onde espero que os ventos soprem na direção de um futuro melhor; dia a dia.
Por favor, estou muito longe de dizer que sou contra essas festividades, até mesmo porque é uma das raras épocas onde consigo rever meus amigos de anos e anos e posso me embebedar sem o peso na consciência de que haverá uma segunda feira logo ali à frente. Mas talvez, o motivo desse post tenha sido o sentimento de um 2008 muito melhor; onde as mudanças dependerão princiaplemente das minhas atitudes, coragem e força de vontade. As felicitações mútuas são sempre as mesmas. Entretanto, nesses próximos 365 dias resolvi assumir alguns compromissos comigo mesmo e me livrar de determinados medos que possivelmente estariam criando obstáculos no meu caminho para felicidade. Na verdade, além disso, acho que deixei-me levar pelo sentimento inocente de que basta determinadas 24 horas passarem-se, que a vida renova-se; assumindo novas curvas e caminhos menos tortuosos.
Passei o Ano Novo onde vivi toda minha adolescência e morei por mais de 15 anos. Revi os amigos, a virada da meia noite foi em casa, participei dos preparativos das comidas e pessoalmente escolhi os vinhos. Durante alguns momentos foi como voltar no tempo onde tudo parecia mais fácil e as responsabilidades não eram tão pesadas. Talvez, na verdade, elas não sejam! Tudo simplesmente faz parte da indomável evolução da própria vida. Ao mesmo tempo que instântaneamente vemos um futuro melhor à frente; envelhecemos mais um dia. Por isso, esse
revellion ter tido um sabor muito especial para mim. Consegui aliar todos ingredientes e concatenar uma linha de raciocínio única; aliando todo processo de crescimento, as memórias passadas, as inevitáveis gargalhadas (por favor, existe uma enorme diferença entre "apenas" sorrir e gargalhar) e a certeza de um futuro bem melhor.
Toda essa áura que envolve minha mente está sendo alimentada pelas últimas semanas festivas e pela última noite; onde pude comprovar uma das minhas maiores buscas: a felicidade existe em uma proporção muito maior nas coisas simples. Agora realizei que muito dos meus conhecidos ficam planejando suas festas de fim de ano como princesas que aguardam o casamento com o príncipe encantado. "Minha" festa tinha a presença de 5 pessoas contando comigo. Depois, lá pelas 02:00 fui convidado a andar uns 5 minutos para rever mais alguns amigos na minha antiga vizinhança. Lá não estavam mais do que 8 pessoas. Ou seja, em duas "festas" não encontrei nem 15 pessoas. Porém, com toda certeza do planeta; não me diverti, não ouvi tanta sinceridade nem refleti tanto positivamente quanto nos últimos cinco
revellions. Portanto, acho que um dos maiores sinais que 2008 será um ano de realizações pessoais é que as próprias "festas" de Ano Novo foram regadas pela simplicidade e sentimentos verdadeiros que tanto procuro. Por isso resolvi continuar escrevendo sentado na varanda da casa do meu pai, ouvindo um dos meus melhores CD´s do Pearl Jam (The Delta Tapes (KTS) - um daqueles piratas com fotos exclusivas que eu costumava comprar há uns 8 anos atrás em uma feira de CD´s no centro da cidade), cujo show foi em Utah em 1996.
Mais um vez serei repetitivo em dizer que não se conecta os pontos planejando o futuro e sim vivendo o presente e olhando para trás, como se os acontecimentos passados servissem de bússola para nortear a trilha que devemos seguir (eu mal lembrava que uma das melhores versões de Black estavam nesse CD!!!). Ou como disse Steve Jobs: "Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life."
(PQP esse como pude ficar tanto tempo sem ouvir esse CD! Isso me leva a mais uma resolução que imperativamente será cumprida em 2008: doar um tempo a mais para mim mesmo, não importe o que me tente me impedir. Muitas vezes nossa mente fica poluída porque nos esquecemos de quem somos, do que gostamos e principalmente, do que efetivamente precisamos para sermos felizes com os recursos que possuímos. Em outras palavras, nos desreipeitamos em busca da aceitação alheia. Mais uma vez colocamos o parecer na frente do ser; como se fossemos cobaias de um laboratório que visa uma evolução na direção daquilo que não somos nem gostaríamos de ser. Daquilo que nosso âmago, muitas vezes sufocado pelo doce sabor do reconhecimento, sabe que não é o caminho que seguiríamos. Para mim, esse tipo de atitude, ao som de
State of Love and Trust simplesmente já foi banido em 2008.)
Um dos indícios que o trem voltará ao verdadeiro trilho é que voltei a escrever mais. Isso me fazia muita falta. Como disse acima, é o meu momento comigo mesmo. Sempre foi e confesso que quando constatei a minha ausência da frente do teclado e monitor, notei que o leme deveria mudar o barco para longe da tormenta; pois eu já tinha mergulhado muito dentro dela.
Para finalizar, nada como duas frases: "Só existem dois dias onde não podemos fazer nada; o ontem e o amanhã" - "Você tem encontrar o que você ama". Basta unir as duas para fazer um 2008 inesquecível.
Feliz Ano Novo.
postado por: Bobby Bishop 7:49 PM
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Domingo, Dezembro 16, 2007
Ponto de inflexão II
Os últimos anos passaram rápido demais; principalmente se eu for considerar os últimos quatro. Aconteceu de quase tudo e confesso que sinto como se tivesse andado em círculos; voltando ao início de uma nova mudança. Contudo; portando uma maturidade e profundidade de visão muito maior que anteriormente. Muitos buscam o atalho do "saber o que não quer" para conquistar o que se deseja. Talvez, esse princípio da exclusão termine por simplificar nossos sentimentos e distorcer aquilo que realmente amamos. Ao burlar o caminho natural, podemos nos tornar apenas contentes e acomodados; passageiros da própria vida. Passaríamos a tolerar o que nos fere e aprender a conviver com a dor; fazendo-a nossa amiga e companheira. O mundo já movimenta-se em uma velocidade muito acima da desejada para perdermos tempo olhando para um lado afim de confirmarmos a vontade de irmos para o outro. É mais fácil julgar o errado do que abraçar o certo. Ficar inerte à situação incômoda, aguardando que algum passe de mágica surja misteriosamente e acerte o leme de nossas vidas.
Sentir-se de volta ao ponto de partida, depois de tantas dificuldades e alguns desgastes poderia ser desanimador. Entretanto, parece que estou revigorando-me. A cada dia que o
ponto de inflexão surge mais próximo no horizonte para mudar a curva de direção; a respiração acelera e o sentimento de liberdade e franqueza comigo mesmo aumenta. Como acabei de comentar em outro lugar; vivemos na era da individualidade e contraditoriamente nunca nos preocupamos tanto com a opinião externa; com o que representamos para os outros. Estamos inseridos em uma redoma de
status; onde representar é mais importante do que ser. Não nos suportamos ao mesmo tempo que buscamos com afinco a aprovação dos outros. Queremos ser ouvidos sem parar um segundo sequer para ouvir a nós mesmos. Não sei .... com todas as mudanças e acontecimentos eu ainda continuo acreditando que "small town predicts my fate / perhaps that's what none wants to see". Afastar-me da correria insana onde me inseri durante vários anos me abriu os olhos para o fato de que quase todo mundo sabia quem eu representava, mas nunca ninguém chegou nem perto de me conhecer. Isso me transporta à outro ponto: além de termos sede pela aprovação alheia e aceitarmos a representação como parte do nosso cotidiano; pocuramos alguém que seja exatamente dessa forma! É praticamente a morte da naturalidade e autenticidade! Já cheguei muito próximo desse precipício. Por isso, hoje, tento retornar ao ponto de partida; somente para recomeçar minha viagem com as certezas que tenho e construí durante esses últimos anos. Para desintoxicar-me do ambiente permissivo e poder sentir-me justo comigo mesmo. Felizmente antes dos 35 eu pude realizar que a riqueza não está nos bens materiais, nas viagens para o exterior, nos carros da moda, nas noitadas sem fim , no celular tocando sem parar nem nas mulheres bonitas à sua volta. Isso tudo me trouxe da volta ao ponto de partida. Ou melhor; inflexionou a curva afim de que o sorriso seja efetivamente verdadeiro.
Outro dia mesmo estava no meio daquelas reuniões que não levam à lugar nenhum e estava me lembrando da época da faculdade. Mais precisamente do primeiro período, das aulas de microeconomia onde o assunto era "Curva de Utilidade". Resumidamente, existe uma teoria que pode comporvar o fato de optarmos por uma curva de utilidade superior (mantendo nosso nível de satisfação) dispendendo menos recursos. Tais recursos podem ser financeiros ou psicológicos; como exposição à sociedade, orgulho, fama e por aí vai. Aqueles simples gráficos que conheci antes dos meus 20 anos nunca fizeram tanto sentido. Hoje vejo muitas pessoas próximas querendo apenas provar umas as outras que podem ser mais. Mais o que? Dentro dos últimos, já citados, 4 anos, na grande parte do tempo seria impossível acreditar na minha pessoa dizendo que busca uma vida cada vez mais simples. Não só busco como tornei-a meu principal
norte. Atualmente entendo perfeitamente porque, desde adolescente hiperativo, eu, de alguma forma, sonhava com lugares calmos e com pequenas casas alinhadas em ruas de paralelepípedos. Por mais que representemos, sempre haverá um momento onde nos olhamos no espelho e temos que nos encarar cruamente. Quando comecei a não gostar de olhar no espelho e ver quem fazia a barba todos os dias de manhã; percebi que faltava o contato comigo mesmo. Eu não escrevia mais, dizia não ter tempo para nada, não ouvia minhas músicas, estava inerte perante a minha insatisfação e principalmente, não observava nem respeitava o singular jeito que as pessoas agem. Simplesmente resolvi mudar o rumo, pedir ajuda, dizer a verdade, não ter tanto orgulho, ser mais criança e não me preocupar tanto com o futuro. Não adianta nada carregar o mundo nas costas.
Aproveitando o que disse acima. Uma das maiores melhorias em meu comportamento foi aguçar a observação e o respeito pelo comportamento das pessoas. Como eu sempre andei na frente, acostumei-me ao "esforço" de ser a locomotiva que rebocava os vagões. Não que eu tenha abdicado das minhas características básicas; mas prefiro andar ao lado de cem pessoas do que na frente de dez. Na guerra diz-se que é devido dividir para conquistar. Eu tomei o rumo de dividir para me divertir. Viver é bem diferente de sobreviver. Relizei que o equilíbrio pode ser alcançado dentro do caos imposto pela sociedade; basta um pouco mais de simplicidade no seu sentido mais literal possível.
Parar não é só possível como necessário. Não temos qualquer domínio sobre o futuro. Se quisermos que ele seja próximo da felicidade; devemos construir uma sucessão de presentes mais saudáveis.
postado por: Bobby Bishop 2:29 PM
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Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Primeira vez
Este é um post incomun. Primeiro porque é a primeira vez que uso meu notebook na cama, vendo TV e tomando um vinho de 20 e poucos reais. Mas a grande novidade é que ao invés de falar sobre mim ou fatos corriqueiros, estou com inspiração para tentar descrever sobre algo muito mais etéreo: o tal de amor.
Como venho dizendo há tempos, estou cada vez mais buscando o que realmente sou. Talvez por isso, hoje realizo que amar é algo bem diferente do que imaginava. Amar não é encontrar a mulher perfeita ou a alma gêmea. Amar é encontrar alguém que forme um time consigo. Isso mesmo, um time. Nem um par, nem uma dupla e muito menos um casal. Simplesmente um time. Sei que não existe nada romantico em ser um time. Pode paracer competitivo para alguns ou sem sal para outros; mas estar com alguém que forme um time consigo traz uma cumplicidade que nenhum dos termos acima consegue concretizar.
Amar sendo parte de um time de dois é estar junto no ataque e na defesa. É participar dos arduos treinamentos para o jogo da vida; afim de que quando o momento da verdade chegue, comportar-se com a naturalidade e comprimisso que poucos conseguem sequer imaginar. Ser parte do um time no amor é aproveitar a vida como quase ninguém sabe. É chorar nos momentos de angustia sendo acariciado sem a responsabilidade de fazer nada em troca. Talvez seja por esse motivo que o clichê diga que o amor é um jogo; pois ele está instríscicamente ligado e fazer parte de um time. Porém, devemos estar atentos que nesse jogo haverá somente vencedores; já que, quem veste essa camisa em conjunto com alguém onde está depositada toda confiança, deve saber de ante-mão que o resultado final é o que menos importa. O objetivo é não abandonar o campo de jogo e permanecer fiel, junto àquele que escolhemos para “tabelarmos” em busca do objetivo comum.
Em um time não há interesses divergentes nem jogos de vaidades e poder. No amor só existe espaço para cumplicidade. Sem ela nada, mais é possível; qualquer coisa tornar-se-ia teatro, interpretação e jogo de interesse. Outro dia estava vendo o filme “Melhor Impossível”, onde havia uma cena com os seguintes dizeres: “Isso foi melhor que sexo; nós cuidamos um do outro”. Longe, mas muito longe de mim, desprezar o sexo de uma relação entre homem e mulher. Entretanto, acredito que atualmente ligamos a figura do amor muito mais à representatividade do que à significância. Aproveitando o parágrafo, parafrasearei: “Você não gosta de quem você é. Mas você admira quem você representa.” Indo um pouco mais além. Nesse ano, um famoso violinista, que costumeiramente tocava com um Stradivarius cujo preço aproxivama-se de US$ 3.000.000, tocou em um concerto onde os ingressos custavam na casa dos US$ 1.000. Pois bem ... essa mesma pessoa resolveu pegar seu instrumento de trabalho e parar no meio da rua tocando as mesmas músicas ... não ganhou um centavo em em seu chapéu durante 45minutos. Precisamos estar inseridos em um contexto para nos darmos valor; para mensurarmos o nosso esforço e competencia. O Amor não passa perto disso. O Amor deixa-se sentir por essa pausa em nossas vidas. Aproxima-nos daquilo que levaremos guardado conosco durante toda nossa existência.
Me arriscaria dizer que amar é viver. Simplesmente existir. Critiquei o romantismo linhas acima. Entretanto, redimo-me dizendo que estamor em contato com todos esses elementos é o que podemos classificar como fazer parte de algo único. Pouquíssimas pesssoas podem desligar-se do que representam e viver, como para os romanticos, amando aquilo que são.
Já desci ladeiras na beira de um camping, tomei banho em um rio com as águas mais frias que vi na Terra, dormi em um quarto muito bizarro em um lugar que para mim aproxima-se do elo perdido (e onde ficaria traquilamente!), troquei toda água da casa pela vodka mais barata do “supermercado” da vila onde estava, já dormi algumas noites em um castelo onde o banheiro era 1/3 da minha casa, já li Paul Vincent na parede, já vi Pearl Jam em Jones Beach. Nada disso se compara à cumpliciade. Realizem o que é na alegria na tristeza. Sem controles, jogos de poder, demonstrações e aparencias. Mostramos o amor mas não conseguimos construí-lo. Buscamos uma receita de bolo pronta; servida na mesa como sobremesa daquilo que nos sacia fugazmente.
O fato de ter voltado a escrever trouxe consigo a consciência do tempo e espaço Da leitura pré escrita acompanhada pela tridimensionalidade do instangível pensamento.
Basta ouvir Crazy Mary ...
postado por: Bobby Bishop 12:21 AM
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Domingo, Novembro 11, 2007
Para Bobby Bishop
Esse está sendo um dos anos mais interessantes da minha vida; apesar de indubitavelmente ser o mais difícil. Precisei chegar quase à meados de novembro para perceber o quanto me faz falta escrever. Realizei que o teclado e a tela à minha frente foram meus melhores amigos durantes os momentos mais complicados.
Por vários motivos mudei radicalmente meu estilo de vida. Em pouco mais de 2 anos me afastei muito dos verdadeiros amigos, deixei de ficar comigo mesmo e priorizei demasiadamente o mundo exterior. Está certo que no meio disso tudo está um casamento e uma ascenção profissional muito rápida. Entretanto, confesso não ter tido tato para administrar tudo isso sem esquecer de mim. Além disso, também dediquei-me de corpo e alma a tentativa de entender a dinâmica do mercado financeiro; estudando gráficos, suportes, tendencias, expectativas e estatísticas. No fundo, tudo levou-me a uma enorme saudade de quem sou.
Mas talvez o reencontro tenha iniciado-se aproximadamente 3 semanas atrás. Quando estava visitando um templo budista no caminho de Porto Alegre para Gramado. Não foi a religião em si que me fez acordar; mas a calma e paz do lugar foi suficiente para eu ouvir a aquela voz interna que a correria do dia a dia insistia em calar.
Por outro lado, esse auto abandono tornou-me uma pessoa ainda mais observadora. Dessa forma, pude ver que o mundo camiha cada vez mais em direção ao egoísmo, cercado de falcatruas aqui e ali. A boa índole e ética foram abandonadas em prol da necessidade de controlar o ambiente ao redor; incluindo todos os que a ele pertencem, da auto promoção e da inesgotável necessidade de julgar o próximo pelo que ele é, faz ou sente. Por falar em sentir, acredito que esse verbo, parodicamente, perdeu o sentido. Infelizmente deixei-me levar por esse
non-sense generalizado, descendo as corredeiras da vida cotidiana onde a maioria das prioridades estava anos luz de distancia do que o meu verdadeiro âmago sempre buscou.
Mais do que saudade dos amigos e das conversas que tanto exercitavam a minha mente; estou em falta comigo mesmo. Quando notei que a minha inspiração para escrever tornava-se cada vez mais rarefeita, ignorei a luz amarela que indicava o afastamento de mim mesmo. Como disse acima, o verbo sentir não fazia mais parte do meu vocabulário. Quase tudo trasformou-se em obrigações e preocupações. Minha ansiedade no sentido de conquistar mais diparava; mesmo tendo somente 33 anos. O tempo passava cada vez mais rápido e eu não absorvia nada de bom. Estar frente à frente com o que nunca me agradou, agora, me traz de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.
Contudo, houve um grande avanço na direção de me conhecer ainda mais. Tive a verdadeira explicação para muitos problemas e fantasmas que me acompanhavam e eu via como permanentes incômodos. Aprendi a enfrentá-los com naturalidade e arrisco dizer que essa foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos. Ninguém consegue dedicar-se na medida certa a um casamento, família, amigos ou qualquer situação qu envolva afetividade sem ter atingido um determinado patamar de auto conhecimento. Exagerando na dramaticidade; além da crença que as coisas sempre darão certo em algum ponto no futuro, o fato de eu estar me conhcendo cada vez mais é a maior fonte da força necessária para manter-me caminhando. Como dizem as duas frases estampadas na entrada do Templo de Delfos (preceitos déficos): “Conhece-te a ti mesmo e Nada em excesso”.
Atualmente não nos voltamos para o auto conhecimento, como já disse, condição fundamental para estabelecermos relacionamentos (como o que ou quem quer que seja) equilibrados. Digo isso pela própria experiência de ter me abandonado por um tempo. Mais uma vez confesso que deixei-me levar pelas necessidades alheias e pelo turbilhão de informações e demandas que o meu momento de vida depositou em minhas costas. Esqueci minhas próprias palavras e crenças, as quais sempre acreditei. Nós e somente nós somos os donos da nossa vida. Não há desculpa para o desvio daquilo que acreditamos e realmente somos. Certamente não é fácil; mas como li outro dia: “A vida é uma ponte e apenas temos que atravessá-la”. Foi exatamente com esse espírito, que, talvez, esse texto, tenha mentalmente iniciado-se desde a visita ao templo budista; passando pela estadia com a família da minha esposa no sul, caminhando por um final de semana prolongado junto de velhos amigos e da minha antiga casa com meu pai e, finalmente, terminando sentado em Arraial do Cabo; longe de tudo e mais perto de mim mesmo.
Mesmo com toda essa nebulosidade comportamental, nunca perdi a consciência nem a fé de que lá na frente tudo estaria nos seus devidos lugares. Porém, o fato de despertar para mim mesmo, sem dúvida alguma, torna o futuro estupidamente mais claro. Redescobri meus anseios, meus valores e o que sou. O
sentimento de estar recomeçando e de ter metas pessoais condizentes com meu espírito, trazem consigo , junto daquele sorriso de canto de boca que há tanto tempo havia sumido; aquele olhar perdido no horizonte; cujo é o maior indicativo que encontramos algo de suma importância.
Parece que meus desejos materiais findaram-se. Apesar desse saboroso reencontro, a caminhada de volta está apenas em seus primeiros passos e, infelizmente, não existe nenhum passe de mágica que resolva tudo amanhã. Mas mesmo sabendo disso, de alguma forma inexplicável,
sinto que estou mais próximoda trilha de onde me perdi. Da trilha de onde me desviei para seguir o caminho mais comum e que a grande maioria julga como aquele que eu devo me agarrar com todas as forças. Nunca o suficiente significou tanto para mim. Provavelmente esse tenha sido o grande atalho de volta: o suficiente é imensamente grandioso para saciar todos nossos desejos.
A simplicidade de estar com o tal olhar perdido, com a mão na boca sentido o ar sair do pelo meu nariz, lembrou-me de um livro que sempre carreguei na minha mente. Um daqueles que pouca gente conhece ou acha banal demais para ler. Mas que de alguma forma tem as suas palavras fazendo mais sentido do que nunca. Ele se chama “A Essencial Arte de Parar”. Assim, como dito no livro, realizo estar próximo da minha grande parada; que seria uma das maiores demonstrações de respeito a mim mesmo. Sempre fui precoce e andar nesse rítimo acelerado cansa, desgasta e nos afasta daquilo que verdadeiramente somos.
Chega de querer para apenas ser. Para apenas existir.
postado por: Bobby Bishop 2:54 PM
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Domingo, Setembro 30, 2007
Seguindo a trilha ...
Excetuando o aniversário dos sobrinhos, esse final de semana foi um daqueles que esperava há muito tempo: sem compromissos sociais. Pude escolher o que fazer com calma e sair de casa simplesmente para trocar umas idéias e observar o mundo que nos cerca.
Confesso que me decepecionei com o que vi. Resolvi ir a lugares comuns onde o nível de sofisticação (No sentido figurado da palavra! Afinal de contas, já citei várias vezes o livro Desejo de snão segrega a frequenca e, literalmente, tive um choque cultural. Não sei se por causa da minha dedicação ao trabalho ao a fase de transição prolongada que tenho vivido, não havia me dado conta do nível de pasteurização que o mundo havia atingido. Me impressionei como o comportamento da "nova geração" é exatamente o mesmo e que a criatividade deu lugar a imitação barata de ídolos preparados cuidadosamente pela mídia. Praticamente não existe mais originalidade. Generalizando um pouco mais, fiquei com a sensação que a sociedade atual não possui mais sonhos. Vivemos em um
moto contínuo apenas com o objetivo de pagar as respectivas contas e estarmos de alguma forma inseridos em qualquer contexto de moda que nos faça parte de algo que mal sabemos o que é. Estamos sempre preocupados; não somente em impressionar o mundo para não sermos e somente parecermos; porém com a neurose coletiva de observar nosso habitat não como uma inesgotável fonte de inspiração, mas como algo que pensa e age por nós ... Não sei ... Atravessei esse final de semana com o sentimento de que as pessoas não possuem mais vontades verdadeiras. Me senti bastante solitário ....
Entratanto, para amenizar a decepção; passei bons minutos dentro de uma ótima livraria. Estava envolvido pela redoma mais paradoxal que vivenciei nos últimos tempos: diversas fontes de insipiração do pensamento cercadas por diversos nívels de futilidades e padrões "beges" (Nunca me esqueço da frase: "Tenha medo das pessoas beges"). Anotei mais uns 8 livros para comprar e deixar na estante até que o meu
mood me empurre e me faça devorar logo uns 3 de uma única vez ... Se é que tenho evergadura moral para dar algumas sugestões, vale muito a pena a nova edição do "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas" e "Felicidade Paradoxal". Obviamente que o meu lado economista não me deixou muito longe do livro do Alan Greenspan. Fiquei viajando no fato de que como as palavras de uma única pessoa (está certo que essa pessoa, salvo engano meu, foi presidente do FED por 18 anos) pode causar consequencias nos quatro cantos do globo. Aliás, umas das discussões da noite foi que a economia não precisa de matemática para ser entendida; é pura lógica. Talvez, Kant tenha sido melhor economista do que muitos premios nobel. Além disso, Adam Smith foi aclamdo pai da economia por escrever um livro com coisas óbvias (mesmo para aquela época). Marx; Schumpeter, Walras, Keynes foram muito mais do que pais da economia. Enfim, chega de entuasiasmo; senão começarei a dissertar sobre minhas teorias econômicas nada ortodoxas. Talvez seja por isso que a minha monografia tenha sido sobre um fato histórico ocorrido no Rio de Janeiro que iniciou a favelização dessa cidade (mas isso fica para uma outra discussão).
Só de pensar um pouco no que essas pessoas, dentre outras mencionadas, fizeram para mudar o modo de pesar da humanidade já levanta a minha moral, mesmo em um início de final de domingo. Algo em mim ainda acredita que a critividade o ser humano ainda pode ter uma explosão de criatividade benigna; voltada para qualquer tipo de arte ou ciência humana que promova um desenvilvimento sustentado e distributivo. Qualquer atitude que nos tire desse marasmo consumista e acéfalo, seria um ótimo começo. Nos preocupamos tanto que o exterior que nos esquecemos que o auto conhecimento e o auto controle formam o sustentáculo para uma individualidade coletiva. Onde nós, como indivíduos, possamos contribuir de forma criativa para que a sociedade, ou até mesmo a pequena comunidae onde vivemos, seja ela nossa família e amigos mais próximos, torne-se melhor e com mais conteúdo. Chega de enaltecer a forma e viver de acordo com a navalha de Ockham, que apregoa o fato da solução mais simples sempre ser a mais correta. Obviamente que é o pensamento de Ockham é paradoxal com a crítica da simples absorção de padrões em detrimento da criatividade. Entretanto, a cópia do parecer nunca será solução. Portanto, não cabendo a aplicação desse pensamento.
Acho que esse escrevi apenas para matar a saudade de discutir folosifia e exercitar um pouco a lógica do meu pensamento e as idéias que tenho. Talvez, como disse anteriormente, seja o final de domingo. Essa hora do dia me faz lembrar que, de certa forma, também terei que seguir alguns padrões. Entretanto, meus sonhos e objetivos jamais sucumbirão perante a ordem atual das relações entre os seres de nossa espécie.
postado por: Bobby Bishop 9:02 PM
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Quarta-feira, Setembro 05, 2007
I´m only human on the inside
Há algum tempo já vinha querendo escrever somente sobre isso: ser
only human on the inside; como na música do Pretenders (apesar de mais uma vez eu estar ouvindo Of The Girl). Ou seja, acredito que um dos maiores problemas da humanidade seja saber conviver com o defeito dos outros. Ainda mais quando os “outros” acham que seus “defeitos” são qualidades; assim como eu acho que vários dos meus me fazem uma pessoa única e digna de um orgulho próprio (longe de ser egoísmo!) grandioso. A questão passa por aceitar-se antes de pensar em criticar aquele que corajosamente coloca-se a nossa frente para ser julgado sem ter a idéia de estar, supostamente, comentendo algum tipo de crime; muitas vezes inconsicente imperdoável.
Não tenho vergonha nenhuma em dizer que busco o auto conhecimento diariamente. Talvez esse seja o passo primordial para entendermos o que, ou quem, está a nossa volta. Mais uma vez confesso que mudei muito nos últimos anos (não deve ser à toa que agora toca Off He Goes); sempre no sentido de corrigir minhas fraquezas. Note que jamais tentarei eliminá-las. Nossos defeitos mais íntimos, os que assumimos para nós mesmos, são parte fundamental da lembrança de que somos apenas
human(s) on the inside. Sempre orgulhei-me de ser economista e simplesmente ser apaixonado por essa ciência tão dinâmica, que o meu (grande) lado DDA faz tanta questão de estudar e vivenciar diariamente. Mas por outro lado a psicologia, mesmo que cotidiana ou osmótica, também me faz sentir o sangue pulsar como os fluxos de capitais internacionais ou as palavras de Marx sobre a divisão do trabaho e luta de classes.
Estou aqui, cansado das últimas semanas extenuantes de trabalho, onde tive que apresentar minha área para todos superintendentes e diretores da empresa, além de explicar como a crise do mercado subprime americano afeta uma empresa onde o core bussines está anos luz de wall street. Isso sem considerar que amanhã ficarei o dia inteiro em um hotel iniciando o projeto do planejamento estratégico de 2008. Em suma: estou acabaço. Porém, meu lado humano me trouxe para frente dessa tela com o maior prazer do mundo. Acho que eu necessitava, de alguma forma, mesmo que textual, virtual ou seja lá de que nome seja, chegar em algum lugar em gritar que I´m only human on the inside. Não digo isso pelo lado profissional e pela sobrecarga de trabalho e responsabilidade que momentaneamente está sobre mim; até mesmo porque eu curto muito tudo isso. Mas, provavelmente, porque eu estava com saudade de encontrar-me de novo. Escrever sempre foi a melhor forma de expor meus pensamentos. Sou agtado demais para falar de mim e de meus sentimentos em público. Sou aquele cara que todo mundo acha que é super feliz porque conseguiu tudo profissionalmente até o momento e contua sendo tratado à pão de ló pelo cérebro que tem. No fundo eu estava sentindo falta de ser comum; falar o que desse na telha. Me lembrar de pessoas que há tempos estou distante e queria partilhar alguns dos meus devanios e tomar umas e outras; até mesmo de contar as tantas novidades que aconteceram nesses últimos anos.
Outra coisa que me veio na cabeça é que muitos confundem saudade com carencia. Sinceramente acho que não tem nada a ver! Saudade é a lembrança de bons momentos. Carencia é a falta deles. Se analisarmos por um determinado prisma, são sentimentos totalmente opostos! Um confirma as boas coisas que vivemos e nos encoraja a repetí-los, não importando se em ocasiões totalmente diferentes. A outra simplesmente confirma um vazio que existe dentro de nós e ainda não descobrimos como preenchê-lo. Ter saudade é motivo de orgulho das nossas realizações e o combustível para construir um novo castelo com alicérces sólidos e embasados em experências passadas. Carência é estar vivendo à margem do feudo, pagando os impostos que os abastados nos impõe, simplesmente pelo fato de terem aquilo que almejamos.
Não sei ... Vou trocar o CD para mais uns 15 minutos de palavras.
Enfim, não tem muito mais o que dizer. Me contento com muito pouco. Hoje mesmo disse que uma das provas da minha evolução é que troquei a infindável sede de felicidade por um contentamento mais real. Sonhar continua sendo uma das minhas mais latentes características. Entretanto realizei que a felicidade contínua, sem fugacidade, reside em nosso dia a dia. Cansei de servir de exemplo para os outros. Como me disseram uma vez, tomando café damanhã de frente para o mar: “Não acha que chegou a hora de você ter as suas próprias palavras?”. Sinceramente, nunca mais vi essa pessoa e sem dúvida ela sequer faz idéia que me recordo dela. Mas a
saudade desse momento (onde tomando café damanhã após uma daquelas noites, eu me comparava ao Jacques Villeneuve) é que contrapõe a carência de quem nunca se deu o direito de viver dessa forma.
Tudo que somos e vivemos continuará sempre dentro de nós. A saudade é um sentimento constante, pois ainda não conseguimos vencer o tempo e atingir a onipresença. Orgulho-me da evolução e do desbravamento de emoções e caminhos que jamais pensei em trilhar. Porém, o melhor de tudo é, apesar de todas as mudanças, continuar sentindo-me o mesmo:
Only human on the inside.
Salute!
postado por: Bobby Bishop 12:30 AM
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Quarta-feira, Agosto 08, 2007
Ligando os pontos
Depois de muito, muito tempo; estou escrevendo envolvido por uma atmosfera quase ideal: Ipod plugado nos ouvidos com uma excelente trilha sonora, a garrafa de vinho ao lado do monitor novo e a luz do quarto apagada. Faltaram poucas coisas ... Mas devo agradecer por estar vivendo esses segundos que há muito tempo não desfrutava.
Assim sendo aproveitarei para falar sobre algo que povoa a minha cabeça desde o último final de semana. Mais uma vez retornarei ao discurso do Steve Jobs; porém utilizando-me de outro ponto de vista; lendo as mesmas palavras situado em outro prisma ... Atualmente, principalmente na ciência que estudei e sou apaixonado, a tal da economia, existem diversos profetas do acontecido. Ou seja, aqueles que depois do fato consumado surgem com diversas teorias e modelos para explicar o que já passou. Infelizmente essa prática também é vista com extrema frequencia em nosso dia a dia. Muitos do que ficam em casa, criando barreiras contra o risco de ser feliz, profetizam e julgam o passado como uma visão do futuro que já aconteceu; esquecendo que os pontos ligam-se apenas depois de existir. Ou seja, quando observados do presente para o passado. Entretanto, o componente mais substancial de todo esse emaranhado costuma passar desapercebido: não basta enxergar os pontos, mas deve-se conectá-los de uma forma única onde o futuro seja mais produtivo e prazeroso.
Dessa forma, o que será que o vinho urge em expor? Basicamente dois pontos básicos. Primeiramente, devemos viver as oportunidades e experimentar os diversos caminhos que a vida nos oferece. Isso é condição
sine qua non para que nós criemos nossos pontos; como se fossem pegadas no deserto de emoções que vivenciamos. Essas pequenas marcas deixadas no tempo servirão de importantes marcos em nossa errante caminhada. Porém, não devemos nos preocupar onde nem quando os firmaremos; afinal de contas, essas estacas terão algum sentido somente quando olhadas de uma visão futura; a qual não saberemos onde estará. Consequentemente, o segundo ato, não menos importante que o primeiro, será composto da parada futura e observação de todos os marcos deixados pelo caminho; com o objetivo de trilhar uma linha que abranja o conhecimento que acalme nossas almas inquietas.
(I'll light a match this mornig, so I won't be alone ... I'll stand arms outstrched, pretending I'm free to roam / I'll make may way trough one more day in hell ... How much difference does it make ... I'll keep taking punches untill their will goes tired ... I won't change direction and I won't change my mind)
Situando-se no ponto futuro; o que reside no âmago dessas palavras, pode ser resumido em apenas quatro letras: vida. Estamos aqui para errar e sempre buscar os acertos; jamais andaremos à frente do tempo. Primeiro devem existir os pontos para depois conectá-los. O risco é inerente à nossa existencia. Afinal de contas,abro os braços mais uma vez e internamente imagino-me na borda do mundo gritando: "Quem não morre não vê Deus!".
(Take a bottle, drink it down; pass it arround)
Contradizendo tudo que disse, mas aproveitando-me dessa dádiva, por que não falar um pouco de algo que sempre almejamos: o ponto futuro. Passamos uma vida conectando pontos tentando chegar a algum lugar. Entretanto, paradoxalmente, buscamos o ponto futuro; aquele que não será escrito no presente e já terá sido escrito quando o futuro chegar. Ou seja, ligamo os pontos buscando o inexistente! Mas é nesse fato que reside a graça de nossa passagem por esse mundo: desenhar um mapa para que os que venham depois de nós tenham alguma noção do caos em que vivemos. Em suma: não deveríamos menosprezar nossos marcos passados! Afinal de contas, eles dizem muito mais do que imaginamos.
(Por que não comprei cigarro!?!?!)
Ouvindo
Do the Evolution lembrei-me da faculdade e de uma frase que me ensina a crescer com os
dots da minha vida: "Quem não conhece a história está fadado a repeti-la". Olhar para trás com sabedoria é faciltar o que vem à nossa frente. Ligue os seus pontos e faça um belos desenho da sua vida. Niguém precisa ler os seus rabiscos; basta que você entenda-os da melhor maneira possível.
In vinni Veritas
p.s. Não reli uma palavra sequer desse texto. Foi um dos mais sinceros que escrevi em todos os tempos.
postado por: Bobby Bishop 12:40 AM
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Sábado, Julho 21, 2007
Quem não pode dar não pede
Foram quase dois meses sem escrever e confesso que pareceu muito mais de um ano! Se eu achava que a minha vida havia mudado nos últimos dois anos; certamente eu não esperava pelo que aconteceu nos útimos três meses. Novas propostas de emprego, negociações e responsabilidades que eu esperei por muito tempo. Quando o tão esperado momento efetivamente chega, o frio na espinha torna-se inevitável. Entretanto,esses
saltos de qualidade devem ser absorvidos como a base para um aprendizado de melhor qualidade; pois, sendo colcoados em situações novas que exploram nossas potencialidades ao limite extremo, realmente descobrimos do que somos capazes.
Além desse fato, o amadurecimento pessoal que advém dessa conjuntura é instantâneo. Depois de muito tempo, tenho dado muito mais atenção a minha vida pessoal do que qualquer outra aspecto da minha vida. Confesso (mais uma vez) que tinha uma tendencia egoísta muito grande. Esse é o mal que assola as pessoas vistas como
independentes. Eu sentia que ter a capacidade de fazer quase tudo sozinho, correr atrás da realização dos sonhos e conquistar objetivos pelas próprias pernas, causava mais medo do que admiração nas pessoas. Parece que o mundo atual gera uma dependencia intrínsica de algo que ninguém ao menos sabe o que é. Sabemos apenas que a dependencia existe. A população de ansiosos por qualquer coisa cresce cada vez mais. Faz-se de tudo para demonstrar algo que não somos. Participa-se de uma corrida sem fim onde o prêmio é ser igual ao que se torna descartável no exato momento que recebemos a bandeirada final.
Talvez, exatamente por esses fatores, os
independentes causem tanto desconforto. Não queremos ser iguais a ninguém. Desejamos apenas atingir nossos objetivos e realizarmos nossos sonhos. Ponto final. De repente, ter idéias próprias, viver a própria vida, não manifestar ciúmes teatralmente e não importar-se se a grama do vizinho é mais verde, tornaram-se predicados amedrontadores. O relacionamento sadio, onde o principal componente é o respeito e admiração pelas qualidades e características individuais de cada um, retira-se de cena afim de que o modelo simbiótico, no qual a inter-dependencia é condição
sine qua non, assuma o papel principal. Convive-se com o medo na própria cama. A simplicidade dissolve-se em meio à inúmeras teorias da conspiração e cenários sombrios. O ser humano assume uma condição cada vez mais paradoxal, lutando pela liberdade extrema quando essa é derivada da privação de terceiros. Procura-se alguém ou algum entidade que provenha a segurança que, como indivíduos, não conseguimos dar a nós mesmos. Exige-se o que não pode-se dar diante do espelho
postado por: Bobby Bishop 11:53 AM
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Domingo, Maio 20, 2007
Like a Sunday Morning
Dois dias atrás reencontrei velhos amigos e realizei que continuo em um processo de constante mudança. Não sou o mais agitado de todos e nem de longe aquele que despende energia com os mais variados assuntos. Talvez a idade esteja trazendo consigo a calma que sempre busquei em toda minha vida. Sinto um pouco da ansiedade dissipar-se com o passar do próprio tempo. Tornei-me mais seletivo e confiante. Olho para trás e noto que o desperdício de energia e a cegueira para diversas oportunidades foram enormes. Parece que estava entorpecido com o elogios alheios e sempre sem tempo para seguir as minhas próprias verdades ... Há muito tempo atrás conheci uma pessoa daquelas que passam pela nossa vida durante apenas algumas semanas; mas que deixam pelo menos uma lembrança marcante como as seguintes palavras: "Você devia criar suas próprias frases. Ouvir mais as próprias palavras".
Sem dúvida, atualmente, eu tenho muitos mais frases do que naquela época. Entretanto, concordo que durante muito tempo eu me ouvi menos do que deveria. Hoje me surpreendo como muita coisa poderia ter sido mais simples se eu tivesse agido mais de acordo com as minhas próprias crenças. O mundo moderno é baseado em um sistema de trocas, onde estamos sempre esperando algum tipo de recompensa pelo que fazemos. Assim, voltamos nossos objetivos primordiais para os outros, esquecendo dos nossos próprios desejos. Precisamos estar inseridos em algum meio socialmente reconhecido (e para isso também precisamos de todos adereços necessários ao
"direito" de pelo menos desfrutar essa
companhia social) para depois, tentarmos nos realizar enquanto indivíduos ... Assim sendo, estava nesse fim de semana lendo uma revista, quando me deparei com algumas linhas que me trouxeram aqui para escrever:
"O erro não está em respeitar e até desejar a aceitação do outro, e sim em negar seu direito e seu poder de criar uma identidade singular, baseada em princípios próprios e alimentada por causas pessoais ... Desejar ser o que não é ou, pior, desejar não ser o que é equivale a negar a si mesmo, mentir para alma, anular a sua essência ... Sermos o que somos verdadeiramente é o único caminho para chegarmos a ser o que desejamos intensamente."
O melhor de tudo é poder viajar durante horas pensando exatamente nessas frases. É olhar para trás e sentir-se em constante evolução. Sinto uma falta muito grande de discussões envolvendo temas que realmente fazem a diferença. Óbvio que jamais dispensarei os vários chopps derramados sobre divertidas futilidades. Entratanto, embebedar-se somente disso pode nos alienar de nós mesmos. Conheço pouca gente buscando uma satisfação contínua e um equilíbrio com a própria essência. Visualizo as pessoas sempre correndo atrás de alguma coisa que as iguale com quem já chegou primeiro ; seja profissionalmente, financeiramente ou socialmente. Parece que a nossa auto-estima tornou-se eternamente dependente de toda e qualquer aceitação. Passamos a ser aceitos por aquilo que não somos ou até mesmo não gostamos. Prestamos contas com a sociedade e conitnuamos em débito conosco.
Depois de anos e anos em um ritimo bem acima do frenético; procurando o que jamais encontraria, parece que saí dos
trilhos colocados por muitos, para construir a
trilha mais adequada. Hoje preciso de bem menos para fazer muito mais. Fazia tempo que eu não escrevia em uma manhã de domingo. A chuva de ontem talvez tenha servido para enxaguar as manchas que cobriam a verdadeira obra de arte ... Antes eu era polêmico por fazer demais e ser quase que onipresente nas situações onde o barulho estivesse presente. Agora muitos perguntam o que "tenho tomado" para estar tão mais calmo. Provavelmente eu tenha apenas percebido que não adianta perder tanto tempo procurando o que sempre carregamos consoco. A vida é simples na maioria de seus aspectos. Tendemos à complicá-la somente para esconder e justificar nossas fraquezas e medos.
Porém, certas coisas nunca mudam. Continuo encontrando músicas que ilustram perfeitamente o que penso.
"The world awaits just up the stairs
Leave the pain for someone else
Nothing back there for you to find
Or was it you you left behind?
You're always saying you're too weak to be strong
You're harder on yourself than just about anyone
Why swim the channel just to get this far?
Halfway there, why would you turn around?
Darkness comes in waves...tell me,
Why invite it to stay?
You're one with negativity
Yes, comfort is an energy
But why let the sad song play?
I have faced it, a life wasted
I'm never going back again"
Life Wasted - Pearl Jam
Afinal de contas "auto-estima é a capacidade de sentir prazer na própria companhia".
postado por: Bobby Bishop 11:05 AM
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Terça-feira, Maio 08, 2007
Gone
Fazia muito tempo que não praticava uma das coisas que mais gosto: escrever. Portanto ....
A conjunção de dois velhos hábitos, rebeldia e música, me trouxe aqui de volta ao terceiro. Não cabe dissecar em detalhes como os dois me fizeram voltar ao antigo e saudoso prazer. Entretanto, ambos marcaram claramente a mensagem que, não importa onde nem quando, a espontaneidade é sempre um delicioso experimento.
Nos dias de hoje, cada vez mais nos tornamos presos a uma rotina cercada de medo. Temos medo da violência e por isso evitamos horários e trajetos antes desfrutados com paz e tranqüilidade. Temos medo de ficarmos sozinhos e por isso nos submetemos à caprichos e imposições de terceiros, que possuem o objetivo de acalentar as respectivas mentes em detrimento da nossa essência. Temos medo de perder o emprego; pois em nossa sociedade o trabalho tornou-se muito mais um objeto de status do que um mero meio de subsistência. Temos medo de falar a verdade; pois a verdade dói. Temos medo de ouvir a verdade pelo mesmo motivo. Temos medo de parecer menos e ser mais. Enfim, por mais que neguemos, nossa liberdade foi tolida até quase a sua mais profunda raiz. Pela desconfiança de tudo, abrimos mão da espontaneidade em prol da falsa negação de nossos medos. Não queremos conviver com o sentimento que nos deixa alerta para o perigo. Não queremos aprender a lidar com ele. É mais fácil fingir e negá-lo.
Acredito que a expontaneidade é um artigo em extinção. Pensamos em tudo a nossa volta antes de tomarmos uma decisão. Não prego o egoísmo; mas sim a exposição de nosso âmago e o final dos esforços dispensados à manutenção da máscara que alguns escolhem carregar diariamente. Estamos no centro da dicotomia entre ser e parecer. A recompensa do parecer é mensurada com mais facilidade e, sem dúvida, salta aos olhos com mais clareza. Porém o ser, provê uma recompensa de nós para nós mesmos ... Um excelente exercício de abstração é analisar o siginificado da palavra
EU. O "eu" quando dito por mim mesmo, é visto como "você" pelos outros e vice versa. Ou seja, o "eu" existe apenas quando dito e vivido por nós mesmos. Dessa forma, colocar o centro das decisões nas expectativas e recompensas alheias, é priorizar o "você" que aponta para um "eu" inexistente. Em um mundo onde o "você" é mais importante, o vazio do "eu" inexistente consegue englobar o todo que nos cerca. A ausencia suplanta a existencia da matéria e perdemos o rumo de nossas vidas. Esse é o caminho traçado pela falta de respeito com as respectivas individualidades. Procuramos em vão suprir as carências provenientes da negação de nossa própria existencia.
Mesmo sabendo que tenho incorrido em diversos erros criticados por mim mesmo; a conjunção de dois fatores, por pouco mais de uma hora, foi o necessário para verificar que "eu" ainda consigo ser muito mais importante que os inúmeros "vocês". Felizmente:
"I´m not gone"
postado por: Bobby Bishop 7:14 AM
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Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
"I learnt to give so much more"
Depois de tanto tempo sem escrever devido aos mais variados motivos; senti aquela súbita vontade de falar um pouco sobre algo que tem feito parte do meu dia a dia há quase dois anos e meio: crescer e adaptar-me. Concordo que grande parte do meu passado, desde a adolescência, não me credita muitos méritos no sentido de ser um exemplo de equilíbrio e ausência de impetuosidade. No entanto, atualmente, é muito bom ouvir determinadas (e especiais!) pessoas usarem um pedaço da minha própria vida como exemplo de felicidade.
Sempre fui o tipo de cara de parecia não ter limites; mas que depois de um tempo se arrependia de ter ido longe demais. Sem dúvida alguma magoei muita gente e deixei de aproveitar inúmeras situações em nome de uma ideologia única e extremamente peculiar. Porém, crescer tem sido muito saudável para mim e, principalmente, para aqueles que depois de tanto tempo e tantos escorregões, ainda optam por estarem ao meu lado.
Um dos assuntos que mais discuto com a minha mulher é que
melhorar não implica em negar o que se é; significa em lapidar suas qualidades e exercitar a transformação positiva dos defeitos. Ser melhor não significa ser diferente do que já fomos. Significa apenas ser melhor; nem mais certo, nem menos errado. Simplesmente melhor. É como ver o mundo com outro ponto de vista; sem tentar impor nossas idéias e respeitando mais as dos outros; aceitando as diferenças, imprevistos e reações. Colocar-se no início dessa caminhada sem fim é tentar esvair com toda ansiedade inerente às sociedades modernas. O trator que fui no passado, hoje prefere ser uma carro de passeio sem muito luxo (mas ainda com algumas manias!). Afinal de contas, quem dirige um Lamborgini a 350 Km/h não tem tempo para usufruir da paisagem nem divertir-se com os imprevistos da estrada. O mundo já nos impõe tantas frustrações que não vejo motivo para utilizar contratempos como combustível para mais algumas.
A mesma música que tempos atrás serviu como fonte de lamentação, é motivo de orgulho nos dias de hoje. Eu realmente estou aprendendo a fazer um pouco mais pelos outros. Não somente por eles, mas porque curti fazer sorrir ao invés de rir sozinho. Como disse anteriormente, não mudei na essência. Continuo sendo o mais agitado, falante e muitas vezes incansável quando se trata de boemia. Por outro lado, o cara por trás do
personagem visto por muitos, tornou-se (quase) tão bom quanto o colega de copo. Larguei um pouco de mão a ideologia pessoal em nome de tardes em companhia dos que fazem questão de dividir o tempo sem falar mal dos outros, sem lamentar-se dos problemas, enaltecendo a democracia que
deve existir entre os que se consideram verdadeiros amigos.
Pode ser que a equação funcione da seguinte forma: fazendo mais pelos outros, não resta muito tempo para que nos cobremos tanto e tenhamos a sensação que não estamos fazendo o suficiente para nós mesmos. Obviamente que as coisas podem não ter nada haver com isso ... Mas não tentar justificar tudo faz uma grande diferença.
Aproveito para deixar um pedaço de um texto que, sem a menor pretensão, encontrei na internet hoje:
"Pessoas supostamente esquecidas tornam-se presentes em observações cotidianas, fruto de uma mágoa do que não foi ou poderia ter sido. Pela necessidade de resolução, o novo círculo de convívio faz com que o individuo se veja novamente acometido por sentimentos e sensações antes vividas. Como isto é possível se a pessoa que lhe infligiu a mágoa não mais tem acesso ao mundo em que vive?
Certamente achamos que uma situação está resolvida ou que não mais importa, mas trazemos em nossos corações o sentimento de perda, culpa ou dor. Este sentimento só continua ali presente porque, na verdade, ainda existe um vínculo. E este pode estar presente desde uma passagem da infância. A única forma de eliminarmos esta fresta de conexão com o passado é o perdão. Independentemente do que foi vivido e do que foi sentido, devemos olhar profundamente em nossos sentimentos e assumirmos o que estamos sentindo. É difícil percebermos que não estamos tão indiferentes como pensávamos, ao que já é passado."
postado por: Bobby Bishop 8:51 PM
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Sábado, Janeiro 20, 2007
Férias; Filosofia e (a busca da) Felicidade
Há dias essas palavras habitam constantemente a meu pensamento. Eu estava sem férias por quase 3,5 anos e esses primeiros 10 dias trouxeram consigo idéias e velhos hábitos que eu precisava muito redescobrir.
Minha primeira atitude foi sair da cidade do Rio de Janeiro e buscar novos ares que eu há muito não desfrutava. Ver um pôr do sol com calma; não sentir-se culpado por desligar o telefone; não ter horários; curtir a minha mulher sem os limites de compromissos sociais e, afinal de contas, sentir o cheiro de uma liberdade tão reprimida nos últimos anos. Depois de 3 dias, comecei a saborear o relaxamento permeando os músculos. Porém, quase que ao mesmo tempo, uma angústia muito grande me incomodava. Tão no início do meu descanso, uma certa dose de ansiedade apontava lá longe como querendo me informar que aqueles sonhados momentos seriam apenas passageiros. Acordei no meio da noite, virei para o lado e comecei a dissecar todo aquele incomodo que preenchia meu peito. Foi o primeiro passo para, ao menos, vislumbrar uma volta aos trilhos que há tanto tempo fazia-se mais do que necessária.
Coincidentemente, o dia seguinte foi o primeiro com sol à pino; seguido dos próximos dois. Encontrei com fiéis amigos, recebemos inesperados convites para almoços e as espontâneas companhias foram mais do que agradáveis. Impressionante como em nosso dia a dia tão corrido e competitivo nos esquecemos de, como crianças, largar os remos e deixar com que as coisas simplesmente aconteçam. Não planejar nem tentar controlar demasiadamente o que nos cerca, é o caminho mais fácil para atingirmos para deleitarmos as melhores surpresas: àquelas pequeninas que deixam as mais profundas recordações. Entretanto, o melhor ainda estava por vir.
Após praticamente uma semana, fomos para outras praias bem menos glamourosas; entretanto o solo também nos deixou para trás. Foram 4 dias sucessivos de chuvas que para mim significaram uma luz no retorno de um antigo costume que há muito eu não praticava: ler. Nos 4 dias de chuva constante, devorei dois livros que me fizeram reencontrar uma enorme parte de mim que esqueci pelo caminho desses últimos corridos anos. Além disso, ambos fizeram-me refletir sobre diversas atitudes e maneiras de pensar. Todos a minha volta reclamavam do clima chuvoso e eu torcia cada vez mais para que as gotas d'água continuassem caindo com mais intensidade. Deitado em uma tranquila rede eu mergulhava e uma
verdadeira introspecção tão necessária. Essa não foi causada nem por uma queda, dor ou exemplo de compaixão. Na verdade, foi motivada única e exclusivamente pelo desejo de misturar-se com aquele ambiente tão calmo e longínquo da minha vida cotidiana; de aproveitar o som da chuva e utilizá-lo a meu favor em toda sua plenitude. Nas mais de 400 páginas que li, muito era sobre como podemos adequar um pouco de filosofia ao nosso dia a dia. Como podemos tentar nos posicionar à margem da aceleradíssima esfera consumista e competitiva que nos envolve; além de voltar nossas atenções para o que efetivamente importa; criando mecanismos de correção em nossa caminhada por esse caótico mundo moderno.
"O coração humano possui tantos interstício nos quais a vaidade se esconde, tantos orifícios nos quais a falsidade espreita, e está tão ornado de hipocrisia enganosa que ele com frequencia trapaceia a si próprio ... O fulcro do auto-engano não está no esforço de cada um em parecer o que não é. Ele reside na capacidade que temos de sentir e de acreditar de boa fé que somos o que não somos"
Lendo textos como esse, pude perceber o quanto eu me sabotava e, por consequencia, não consegui mensurar por quanto tempo acreditei ser o que nunca fui. Instantaneamente me dei conta da capacidade que o ser humano tem de parecer o que não é quando procura atender as demandas externas ou, quando se deixa levar pelos ideais e modelos que a sociedade de consumo estampa como verdade absoluta. Muitas vezes nos deixamos levar pelas opiniões alheias, sem consultar a nossa voz interior. Assim, nos eximímos de culpa e jogamos a responsabilidade naqueles que emitem comentários, até mesmo inconscientemente, baseados nos próprios interesses. Ao ouvirmos tanto o mundo exterior, passamos a viver por interesses que não são ditados por nossas crenças e sonhos. Vivemos ao largo de nossas esperanças e desejamos parecer algo que não sabemos o que é.
O desejo suplanta de longe a necessidade
"As ruínas nos convidam a renunciar as nossas lutas e as nossas imagens de perfeição e satisfação. Elas nos lembram de que não podemos desafiar o tempo e que somos joguetes de forças de destruição que na melhor das hipóteses podem ser mantidas ao largo, mas jamais derrotadas. Podemos desfrutar de vitórias locais, alguns anos em que somos capazes de impor alguma ordem ao caos, mas tudo está destinado a ser derramado de volta à sopa primordial. Se essa perspectiva tem o poder de consolar, é talvez porque a maior parte de nossas angústias provém de um senso exagerado de importância de nossos projetos e preocupações. Somos torturados por nossos ideais e por um senso punitivamente arrogante da gravidade do que estamos fazendo ... A idéia de que os outros podem não ser nem incompreensíveis nem repugnantes tem implicações importantes na nossa preocupação com o status, dado que o desejo de alcançar distinção social é em grande parte estimulado por uma sensação de horror ao que pode estar vinculado a ser comum. Quanto mais humilhante, frívola, degradada ou feia é a vida comum, mais forte será nosso desejo de nos destacarmos. Quanto mais corrupta a comunidade, mais forte a ânsia por realização individual"
Me impressionei com as portas que essas palavras abriram; de como, por longas datas, eu me coloquei em contraposição ao que era simples, paradoxalmente com a minha crescente vontade de ser cada vez mais ¿comum¿. Muitas vezes pregamos nosso desejo de ter uma vida mais simples, cujo é prontamente esquecido ao nos compararmos com aos que frequentemente nos cercam. Confesso que me perdi de mim mesmo durante um longo tempo e que passei uma imagem do que mais fugia. Mas, ainda bem que em tempo, agradeço a retomada de velhos hábitos e exercícios mentais que me remeteram novamente ao ponto de partida da estrada que pretendo seguir. Obviamente que ainda não carrego comigo o tão desejado sentimento de paz interior e realização pessoal. Porém, retirar alguns pesos das costas e diminuir a cobrança sobre uma imagem falsa e distante do que eu realmente acredito; sem dúvida, facilitará muito as coisas. Ainda luto para que as lembranças de oportunidades que deixei passar; devido ao medo de desprender-me de uma imagem construída durante anos, ofuscou a minha coragem e
necessidade de buscar aquilo que julgava verdadeiro. Me embriaguei por olhos que não eram os meus. Criei uma constante agitação em torno de uma pessoa polêmica e tão estranha a mim mesmo. Um dia a máscara sempre cai. É impossível fugir de si eternamente. Agradar ao mundo em detrimento do que temos de mais sincero é como utilizar-se das mais pesadas drogas. Muitos criticam os
junkies pela covardia que possuem ao fugirem do enfrentamento com doloroso período de abstinência, em prol da liberdade futura. Entretanto; abrir mão da cortina de fumaça ideológica, do desejo em detrimento da necessidade, do falso orgulho e vaidade de prover prazerem fugazes; quase nunca é questionado. Qual o sentido da constante tentativa em estar (sempre) na frente de uma corrida que não tem fim?
Por fim, lembrei-me dos (recém conhecidos) preceitos délficos. Duas frases que, de um determinado ponto de vista, resumem a bagagem necessária para uma alternativa à vida vivida por olhos alheios e aos sentimentos entorpecidos por desejos que nem sabemos de onde surgiram: (1) Conhece-se a si mesmo. (2) Nada em excesso.
Aliás, de tanto falar em velhos hábitos; acho que a
necessidade de escrever se mostrou mais importante do que qualquer desejo ... E ainda tem a segunda metade das férias.
postado por: Bobby Bishop 9:06 AM
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Domingo, Dezembro 24, 2006
Milagre de Natal
Confesso que até muito próximo do Natal eu jamais havia sentido tanto a ausência do chamado Espírito Natalino em mim. Entretanto, hoje, em pleno dia 24 de Dezembro, admito que recebi o melhor e muito provavelmente o melhor presente da minha vida. Ele não é nada que se possa comprar, nem algo que se encontre em vitrines ou em sites na internet. Não é nem de longe o que eu esperava ganhar. Porém, sem a menor sombra de dúvidas é o que eu precisava receber há muito tempo. Até o momento não consigo qualificá-lo como nada diferente que um verdadeiro
milagre.
Durante muito tempo venho escrevendo sobre a importância de estar em contato consigo mesmo, afim de que nossa visão de mundo não turve-se e nos faça tomar decisões incongruentes com com os valores que acreditamos serem os mais corretos. Entretanto, por ironia ou até mesmo soberba, eu mesmo incorri no erro que mais criticava. Devido à minha própria arrogância, ignorei os sentimentos mais puros que me cercavam e projetei sobre quem mais me amava os meus próprios defeitos. Também, potencializei as pressões externas à níveis muito maiores que os reais; colocando-me eu um beco sem saída. Como um inimigo encurralado de mim mesmo, agi da forma daqueles que não tem nada a perder, ou seja, da maneira mais agressiva possível. Minha turva visão ignorou a compreensão e dispensou o apoio de todos os que verdadeiramente me amavam. Quanto mais me sabotava, mais sentia-me fortalecido para seguir em uma estrada que não me levava a lugar algum. Em diversos momentos me vi exausto e desgastado. Culpava tudo a minha volta: trabalho, cobranças familiares, situações cotidianas, falta de tempo, distancia dos que julgava meus amigos e por aí vai. Meus momentos de felicidade eram fugazes e eu insistia e maltratar aqueles me me estendiam a mão em sinal de ajuda. Na cega e delirante busca por mim mesmo em caminhos completamente errados, me afastei da família e da mulher que escolheu ser a minha mais fiel defensora. Despejei encima dela as responsabilidades que deveriam ser minhas. Culpei-a da minha própria culpa. Ensurdeci-me perante os direcionamentos familiares. Em suma, estava completamente sem rumo; mesmo, do alto da minha ¿nobre¿ e débil auto confiança, acreditando seguir pela estrada mais correta.
Contudo, um belo dia a máscara caiu e meus devaneios vieram à tona de uma só vez. Primeiramente, minha reação foi como a os loucos em estágio terminal: a negação total e completa dos próprios atos. Depois parecia querer dividir a minha incontestável culpa com qualquer um que se atrevesse a cruzar o caminho da minha cega certeza. Por fim, tombei. Em queda livre, aumentava o desespero por não chegar o chão e o desejo de me espatifar de uma só vez findar o meu sofrimento. Enquanto caía, sentia tudo dentro de mim apodrecer. Tudo que fiz contra aqueles que gratuitamente tentavam me ajudar multiplicou-se quando percebi o mal que há tempos causava. Quanto mais a dor tornava-se aguda, mais eu desejava explodir de vez ao encontrar o solo. Cheguei a pensar que a queda fosse eterna e que nunca mais fosse capaz de me encontrar novamente. Não fazia a menor idéia de onde havia me desviado dos momentos felizes. Eu sempre dizia que a minha maior fonte de felicidade era fazer os outros felizes. Entretanto eu desperdiçava, um após o outro, os pequenos detalhes que tanto idolatrava. Mais uma vez digo que me fechei dentro de uma caixa de arrogância e absurda soberba. Acreditava ter o controle sobre o trem da minha vida, cujo, para todos, já vinha desgovernado; apenas aguardando o momento de descarrilar de vez.
Já cansado de cair, cerrei os olhos apenas esperando pelo momento final. Então, tudo cessou. Não me sentia mais em queda livre e nem tampouco a dor do impacto. Com muito medo, por não ter idéia do que acontecia, abri os olhos e realizei que o meu
Milagre de Natal havia ocorrido. Eu tinha caído nos braços, justamente, daquela pessoa que mais sofreu com a minha inconsequência e ignorância. Senti o perdão atravessando minha pele, ossos até fazer casa em minha alma. Nunca, em toda minha vida experimentei tal sensação. Em um primeiro momento, todo mal que causei durante meses voltou-se contra mim de uma só vez. Fui colocado na cama e chorei copiosamente. Durante dois dias recebi de volta todo dano causado. Como em um filme, vi diante dos meus olhos o quanto de amor eu desperdicei e principalmente, o quanto algumas pessoas insistiam em continuar me dando. Finalmente percebi o quão milagrosa é uma segunda chance e o quanto eu precisava sentir a dor de quem fez tudo por mim. Esvaziei-me de toda podridão que havia em mim. Paradoxalmente sinto-me mais apto do que nunca a iniciar uma nova jornada em minha vida, sem medo causado pela dúvida de onde chegar. Mas com a certeza de que serei eu, bem pequenino, que estará dando os passos. Não serão grandes passos, mas serão os meus. Certamente esse maravilhoso milagre ainda não realizou meu grande desejo de encontrar-me. Mas, por outro lado, me ensinou que existem pessoas e, especialmente uma, que são bem mais grandiosas que eu.
Gostaria de agradecer a oportunidade de experimentar esse
Milagre de Natal e sentir-me como Aquele cujo o nascimento celebramos na madrugada de hoje. Pois, neste Natal, eu também nasci de novo; com a enorme esperança de poder servir e retribuir aos poucos que efetivamente me carregaram nos braços.
Um Feliz Natal à todos.
postado por: Bobby Bishop 8:57 PM
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Quinta-feira, Novembro 30, 2006
Permitir-se
Indubitavelmente, hoje em dia possuímos inúmeras maneiras de sermos controlados: emails, celulares, micro câmeras, microfones e por aí vai. Entendo que além da sensação de sempre estar sendo observado; todos esses aparatos criam uma necessidade muito grande de controlar. Ou seja, de ter as atitudes de outrém sob o próprio comando. Minha única grande dúvida é por que nos deixamos ser dominados por esse desejo, quase que imposto.
Buscar o controle total sobre o que nos cerca é, basicamente, decretar-se preso dentro de si mesmo. É delegar às atitudes alheias a responsabilidade de coordenar o leme de nossas vidas. Se praticamente ninguém gosta de ser controlado; por que essa necessidade crescente de ter sob os olhos todos os passos de quem nos importamos? Talvez isso seja uma das maiores provas que não nos permitimos ser livres. Por favor, não quero dizer que deveríamos ter a liberdade para desreipeitar aqueles que amamos ou qualquer outra pessoa. Digo sim, que deveríamos nos permitir a liberdade como um todo; principalmente a liberdade de aceitar o desprendimento inerente ao ser humano. Liberdade não é, nem de longe, algo parecido com fugacidade ou sentimentos volúveis. É um sentimento, não de indiferença, mas de profunda relação com o respeito pelo próximo; pela palavra e pelos gestos direcionados à nós.
A neurose pelo controle nos afasta de nós mesmos; acabando por definhar a habilidade e, até mesmo, o direito de
permitir a simples condição da existência. Por falar nisso, há em nosso atribulado dia a dia, alguma sensação melhor do que simplesmente existir? Apenas fazer parte da criação ... saber que aqui estamos dotados da capacidade de amar ao próximo pelo que ele é, não pelo que gostaríamos que fosse. Impor nossa condição de vida sobre alguém, pode ser a prova de que não conseguimos fazer o mesmo conosco. Jamais podemos
permitir que nos aprisionemos em virtude de algo que não deveria ser nossa responsabilidade.
Talvez, o ser humano deva encontrar-se consigo mesmo; sem buscar causa ou efeito do que já existe; procurando
apenas usufruir da própria existência ...
postado por: Bobby Bishop 7:47 PM
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Sexta-feira, Novembro 10, 2006
Idas e Vindas
Sinceramente eu sinto muita falta de escrever com a frequência de antigamente. Não sei se a correria e o esforço que venho dispendendo em diversas frentes minou a minha criatividade; pois carece mais adrenalina nas veias. Sinto falta da emoção pulsando ... de rir naturalmente, das gargalhadas que alguns poucos sempre me disseram ser marca registrada. Enfim, sinto que um pedaço de mim tirou férias. Porém, nada disso me impediu de sentar em frente a um dos meu "brinquedos" favoritos e despejar algumas palavras sobre alguém que prezo demais: Bobby Bishop.
Confesso que estava pensando em escrever sobre algo bem diferente, mas talvez o efeito da
Absolut tenha me levado para mais próximo de onde eu sinto saudade. Coloquei no som uma música que pouquíssimas pessoas sabem o tamanho do significado, uma tal de
Off He Goes. Não sei ... Pode até ter sido a carona com o mar de ressaca a direita da Av. Niemeyer. O caos das ondas batendo contra as pedras em direções intermitentes remeteu-me ao meu próprio momento atual. Ás vezes sem saber em que caminho estou; ás vezes com uma força que não sei de onde vem. Entretanto, sempre com a idéia fixa de que tudo dará certo ... Mais uma vez ouvi que a primeira impressão que se tem de mim foi a pior possível. Porém, depois de 15 minutos me ouvindo, descobriu-se um cara muito bom de se conversar. Impressionante como as pessoas não percebem que não adianta cobrar que os outros sejam o que desejamos. Somos o que somos e assim
TEMOS que ser queridos. Costumo dizer que somos um pouco do que fomos e muito do que sonhamos. Dessa maneira, se não somos respeitados pela nossa essência; instriscicamente estão desconsiderando nosso passado e nossos mais puros desejos.
Minha vontade instantânea é fazer um rasgo em forma de cruz no peito e deitar no chão e observar a ascessão de tudo que há de mais sincero em um ser humano. Pode ser a até como fiz anteontem: descer a rua cantando
Redemption Song à plenos pulmões. Impressionante como poucas palavras já funcionam como um enorme imã no sentido de eu me encontrar. Estou de pé, de braços abertos como em
Indifference: "I will stand arms outstretched, pretend i'm free to roam". Estar em contato consigo, ignorando o que está atordoando a mente é libertador e jamais pode ser chamado de egoísmo. Estar sozinho é uma das maneiras mais fáceis de não fazer o mal à niguém. Muito pelo contrário! É apenas fazer o bem. Todos pedem bondade em relação aos próximos. Então por que motivo não podemos agir da mesma forma em relação a nós mesmos? Por isso repito ...
i know i was born
and i know that i'll die
the in-between is mine
i am mine
Somente para ilustrar o quanto somos influenciados pelo meio externo. Alguém comenta que na África morre uma Tsunami por dia decorrente de Aids? Por que damos tanta atenção ao que os outros dizem? Por que tentams controlar a maioria das variáveis que influenciam nossas vidas ao invés de simplesmente existirmos? Pois é .... estou cantando
Whipping em toda sua plenitude:
Don't get behind / I can't fall back.
O objetivo de tudo escrito e descrito acima foi me encontrar por alguns minutos. Uma grande amiga ao passar por aqui me disse que ao escrever entramos em contato com o nosso íntimo mais profundo. Talvez eu esteja tão distante de mim por não escrever mais como antes. Por outro lado, não me entreguei. Aqui estou ... olhando algumas fotos que me lembram uma
liberdade consciente. Portanto, depois de muito tempo (e não sei por que motivos, tanto tempo!!!), apresento-lhes, em uma foto onde fui qualificado como "o maior piloto de todos os tempos", coinscidentemente, ao som de
State of Love and Trust: Bobby Bishop.
postado por: Bobby Bishop 8:54 PM
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Sábado, Outubro 28, 2006
Paralelos
Estava, mais uma vez, divagando esses dias sobre qual caminho a humanidade está tomando. Nada muito profundo como o existencialismo. No entanto, não consegui vislumbrar grandes mudanças na forma em que vivemos hoje em relação a que estávamos acostumados, por exemplo, na idade média.
Pequenos fatos cotidianos podem ilustrar esse raciocínio. Naqueles tempos, havia os assaltos às caravanas nas florestas. Os viajantes e recém surgidos mercadores, eram vistos como seres corajosos por viajarem desprotegidos entre os povoados. As "grandes" distancias percorridas no passado; hoje podem ser comparadas as frações de horas que dispendemos entre bairros e municípios vizinhos. A violência apenas mudou de roupa.
Os grandes castelos que serviam de moradia para realeza podem ser comparados aos condomínios de luxo que se levantam nas grandes cidades. Sempre foi hábito dos mais abastados cercarem seus domínios e mostrarem-se fora da
sociedade comum. A realeza moderna continua sendo objeto de desejo e fonte de futilidade e desperdício. Os detentores do conhecimento e
meios de troca continuam agindo somente em favor do acúmulo da própria riqueza e expansão da sua rede de influencia. As antigas aldeias feudais que circundavam os castelos agora travestem-se dos clássicos subúrbios citadinos. A religião continua alienando boa parte da população e exercendo o poder sobre uma parcela dos desprovidos de bens materiais. Os que não usufruem dos prazeres carnais e lamentam-se pela falta do que o imaginário consumista prega diariamente, buscam refúgio no comércio das almas.
Tudo isso me remete ao seguinte questionamento: Será que a nossa mente evoluiu? Será que todas essas facilidades e essa inundação de bens materiais melhorou nossas vidas? Sem dúvida alguma as condições básicas de sobrevivência melhoraram absurdamente. Água encanada, luz elétrica e saneamento básico; colocaram a expectativa de vida em patamares inimagináveis na idade média. Porém, percentualmente falando, será que houve a inserção social que a evolução científica diz ter proporcionado? Talvez continuemos vivendo em feudos e atravessando perigosamente outras florestas. Ao invés de pagarmos impostos com a nossa produção alimentícia; atualmente o fazemos com o rendimento de nosso trabalho. Os ricos ainda continuam tentando seduzir a todos com a cortina fugaz da materialidade .... Por de trás das máscaras, absolutamente nada mudou. Aliás, mudou apenas o fato de que não temos mais tempo para deleitar da vida. Estamos sempre em busca do que ainda não obtemos. O tão buscado
sentido da vida não é mais ditado por nós e sim pelos mesmos que povoavam os antigos castelos medievais.
Dizem que é impossível sentir saudade do que nunca se teve .... Mas um dos sentimentos que predominam o mundo moderno é a frustração de nunca ter tido. Talvez deveríamos assumir que a Idade Média nunca terminou; apenas mudou de roupa. Talvez o Verdadeiro Iluminismo, nunca tenha lançado sua luz sobre nós.
É mais saudável olhar para frente e preferir evoluir ao invés de conquistar ...
Vontades e Preposições
Quanto maiores forem as possibilidades em questão, qualquer que seja o assunto; maior será a probabilidade de gerarmos vontades de adquirir o que não temos. Porém, um dos pontos deve ser se realmente é saudável criarmos tantas necessidades em nosso dia a dia.
Um dos casos mais comuns é a
vontade substitutiva; talvez a mais fugaz de todas. Passamos a querer algo para suprir a falta daquilo que deveria ser permanente. Literalmente usamos o objeto de desejo para suprir a lacuna deixada por outro. Ou seja, quem ou o que está sendo usado, tem sobre si a projeção de algo ou alguém que não está ali; incoscientemente sendo usado como pale