H 18 - IT'S EVOLUTION BABY!!!

I took a drive today / Time to emancipate / I guess it was the beatings made me wise / But i'm not about to give thanks (FUCK OFF!), or apologize - Rearviewmirror



Domingo, Setembro 27, 2009

Out of my mind

State of Love and Trust .... essa é uma música do Pearl Jam ... quem quiser entender, procure a letra.
Nada como ser você mesmo por uns dias ... tomar seus remédios à seus critério e chutar o balde.

"Help me, help me from myself"

Postarei um testo do Arthur da Távola sobre as almas dos diferentes .... Nesse momento a abstração vale mais do que qualquer palavras.

postado por: Bobby Bishop 1:07 AM

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Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Acelerador de partículas

Esses últimos meses tem sido de intensa mudança para mim. Observando de fora, parece que minha rotina continua a mesma. Entretanto, internamente as coisas movem-se sem a fluidez que possa determinar com certeza uma direção a seguir. Mas por outro lado, acho que esse semi caos interno é o que tem engrandecido mais a minha experiência como pessoa e notar como as mudanças que ocorrem diariamente na minha maneira de agir e interagir com o mundo exterior. Não que eu seja uma pessoa reclusa e anti social; muito pelo contrário. Gosto de ter um mínimo de pessoas para conversar e trocar idéias das mais diferentes origens. Porém, voltando às mudanças e a falta de uma correnteza direcionada única e exclusivamente para foz, ou para um lago reinado pela calmaria. Me vejo mais como um praticante de rafting em um rio desconhecido e tortuoso, que exige o máximo da sua concentração, esforço físico e mental. Mas que no final da cansativa jornada implica em um sorriso estampado, a certeza do dever cumprido assim como a ciência de que aquela é apenas um momento de relaxamento a ser aproveitado antes da aventura por novas caóticas correntezas e pedras que inevitavelmente transpassadas pelo caminho.

O mais importante de toda essa conjunção de sentimentos e fatores distintos é que ambos acontecem tão rápido que parecem estar alocados em um acelerador de partículas, viajando à velocidade da luz em direções opostas, aguardando apenas o momento do choque para liberarem uma energia que, inicialmente, não tinha o conhecimento de como utilizar ou se simplesmente seria consumido por ela. No entanto as mistura da retomada de velhos hábitos, como jogar futebol em um sábado de manhã, onde depois de muito tempo peguei o meu carro sozinho e fui escutando o som que gosto com o volume acima do suportável para a maioria das pessoas. O reencontro com o ambiente onde passei a maior parte da minha vida, mesmo que hoje ache que o mesmo não seria a minha primeira opção de moradia. A experiência de mudar a pintura de boa parte da casa para cores jamais imaginadas por mim; simplesmente pelo fato que em breve serei pai e neste momento estou escrevendo usando meu notebook em um quarto que não será mais “meu”. Enfrentar as dificuldades do trabalho com um salário menor do que acho que mereço e que já ganhei anteriormente, porém com a percepção que consegui-o de forma muito rápida no auge da crise financeira mundial e é melhor ter uma garantia do que uma aposta em algo maior. A inteligência e, principalmente, humildade de que controle de risco é fundamental. A dosagem dos impulsos que sempre foram companheiros desde que nasci em nome de um futuro mais tranqüilo onde possa haver um planejamento melhor. A agradável coincidência de fazer novas amizades. A confirmação em verificar através de certos amigos de que o dinheiro não está nem perto de trazer felicidade. O fato de escrever estas palavras ouvindo Jazz em pleno feriado. A aceitação de que sentir o peso do mundo nas costas é necessária, porém administrável e passageira. E, além de tudo isso, depois de anos e anos, fazer a sua opinião e ponto de vista serem ouvidos e não abrir mão deles. Mesmo que esta atitude afaste pessoas que você preza, mas que não podem sobrepor a sua maneira de pensar pelo simples fato delas não possuírem uma única e consistente forma de assumirem uma posição sobre o que acham e mudarem de idéia de acordo com o bar onde irão tomar o próximo chopp.

Tais colisões de “partículas” sentimentais e emocionais liberaram uma energia enorme antes jamais experimentada. No começo assustou e talvez eu tenha pensado em me deixar levar por ela, somente pelo fato de não conhecê-la e da mesma não estar sob meu controle. Contudo, em muito pouco tempo realizei que ela poderia ser a fonte de inspiração que tanto buscava para seguir adiante nessa caótica vida; a qual sempre disse que não tínhamos o controle, mas que por alguns meses eu lutei com todas as minhas forças para tomar as rédeas. Claro que ainda somos os responsáveis pelos nossos atos primários e principalmente pelas conseqüências oriundas deles. Porém esse feriado e os acontecimentos das últimas semanas colocaram meus pés no chão novamente. Não há como trilhar nosso caminho e escrevermos nossa história com o testemunho daqueles que escolhemos estar do nosso lado se não tomarmos a iniciativa de vencer logicamente o conjunto do emaranhado de acontecimentos imprevisíveis que se chama vida.

Pouquíssimo tempo atrás não imaginava ser pai, mudar de emprego, postergar alguns planos financeiros, refazer grande parte da minha casa, aprender a impor o que realmente penso sem o receio de estar errado e não voltar atrás. Essa colisão de fatos até mesmo planejados, mas que quando acontecem no tempo presente são totalmente inusitados foram proveitosos. Mais uma vez a máxima se faz verdadeira: Só entendemos (ou chegamos mais preto disso) qualquer seqüencia de decisões que refletem em acontecimentos futuros depois que as já executamos. Os pontos só podem ser ligados de trás para frente.

Não existe treinamento para viver. A experiência é adiqüirida a cada segundo. Basta que estejamos com a mente aberta para recebê-la. Mas para isso, precisamos aprender a olhar um pouco para trás, aprender com o que fizemos e otimizarmos o aproveitamento da energia liberada pela sobreposição de conjuntos de fatos completamente distintos; pois é daí que tiraremos nossas lições e encontraremos interseções antes jamais imaginadas.

Pode parecer cansativo e realmente é. Mas quando se está sentado no quarto da sua futura filha, ouvindo uma música que pode ser chamada de arte, envolto em um sentimento de calma e paz que há tempos não era aproveitado. Notamos que todos os esforços valem a pena. Assim como todo rio corre para o mar.Todo aprendizado leva ao contínuo conhecimento de quem somos e do que somos capazes de fazer para melhorar a nossa vida e a convivência com aqueles que desejamos estar ao nosso lado para todo sempre.

postado por: Bobby Bishop 2:00 PM

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Terça-feira, Agosto 11, 2009

Horizonte

Tenho tido várias idéias sobre o que escrever, mas infelizmente o tempo continua curto voltei a me dividir entre diversos compromissos profissionais e pessoais. A própria palavra compromisso já traz consigo uma idéia implícita de obrigação. Contudo, exceto pelo lado profissional, os reencontros com amigos e família; além de andar por lugares que me tiram da rotina, melhoram muito o estado de espírito e aliviam bastante a carga emocional inevitavelmente deixada pelo dia a dia. Por outro lado, retomei mais um hábito que há muito tempo já gostaria de fazê-lo: voltei a correr de segunda a sábado às seis e quinze da manhã. São pequenas atitudes e reconquistas como esta que nos mostra o quanto não precisamos entrar na onda competitiva imposta pela sociedade. Eu mesmo passei a ser o meu limite. O melhor de tudo após essa iniciativa foi notar que a ansiedade por retomar meu antigo ritmo e alcançar a mesma distancia não me assolaram mais. Eu voltei a correr pelo simples prazer de retomar um hábito saudável para o corpo e mente (principalmente para a mente). Depois de anos tentando suplantar as expectativas que os outros colocavam e ainda colocam sobre mim; realizei que somos nós mesmos que temos a obrigatoriedade de saber até onde podemos e devemos chegar. Qual o nosso padrão de vida que está correlacionado com o máximo de felicidade e satisfação que podemos extrair da vida. Que conjunto de atitudes devemos tomar para que desfrutemos da maior liberdade possível. Aquela liberdade que nos motiva a fazer cada vez mais. Pois quando fazemos por nós; quem está a nossa volta colhe os frutos espontaneamente.

A certeza de que não continuarei no meu atual ritmo de vida profissional é cada vez mais latente. Ainda não sei o que farei, nem como. Mas sei que a cada dia estou menos envolvido emocionalmente com o meu trabalho. Confesso que já me livrei de muitas amarras materiais que contribuíram muito para esta mudança de horizonte. Parei de negar o que dizia e estou agindo mais de acordo com o que acredito. Olho muito mais para dentro do que para fora. O mundo passou a ser uma conseqüência do que faço e não o inverso. Calmamente procuro determinar que trilha devo seguir. Sem comparações, parâmetros ou limites pessoais pré-estabelecidos. Além destes fatores, a cobrança em demasia cessou. Apesar de saber que posso ir além de onde estou; não posso fazer com que os outros abram caminho ou concedam-me as oportunidades que mereço. O pensamento corrente é bem contrário ao que eu imaginava há pouco tempo atrás: estar contente não necessariamente é incompatível com estar satisfeito. Não via prazer em aceitar a minha própria condição instantânea e sempre buscava estar à frente do meu tempo; seja em conhecimento ou qualquer outra categoria. Contudo, tal pensamento cansa. Atualmente vejo uma semelhança muito grande entre contentamento e satisfação. É quase uma substituição do desejo pela contemplação do que já foi feito. Além do fato da reflexão sobre os erros e mesmo que muita coisa deva ser iniciada novamente; existe o sentimento de que não há muito mais a perder e da realização de cada passo na direção dos verdadeiros objetivos. Na verdade, novos horizontes estão surgindo. Não será fácil mudar os pares de tênis no meio da caminhada. Porém se eu encarar que apenas estou trocando-os para me adaptar a uma realidade bem mais próxima daquilo que sou. Daquilo que as pessoas que me cercaram durante anos nunca viram. Poucos conseguem me ver como uma pessoa centrada e sem fazer cem atividades ao mesmo tempo. Desgasta ser o eterno insatisfeito. As fases da vida são temporárias. Talvez eu tivesse que passar por esta para retomar, ou finalmente, tomar meu verdadeiro rumo. Sem as interferências externas; sem os devaneios internos e com a certeza da vontade de uma mudança que não precisa ser ansiosamente aguardada. As coisas sempre se acertaram enquanto eu me sentia em um mar revolto, dentro de um barco sem velas e levado pelas correntes marinhas. Acho que nada mais justo do que acreditar que tudo caminhará no sentido correto agora que a conjuntura, apesar de exigir muito mais responsabilidade, está assimilada. Onde finalmente abri mão do meu egoísmo em nome de conquistas simples e mais significativas. O que vemos não é nem de longe melhor do que sentimos.

Parece que o sol ilumina um novo horizonte. Basta que o lado de cá mantenha a fé e a força que sempre possuiu no sentido de fazer as coisas certas. Ainda mais agora que a ciência sobre o que é melhor ou pior está muito mais clara.

postado por: Bobby Bishop 12:58 PM

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Domingo, Julho 19, 2009

Sem reler

O tempo tem passado tão rápido que nem parece que não escrevo mais. Tantas e tantas vezes me pego no ônibus ou metrô divagando sobre algum assunto; ou até mesmo na volta para casa andando. Entretanto, no meio de toda essa correria, alguns hábitos saudáveis voltaram a fazer parte do meu cotidiano; principalmente o de ouvir música. Além disso; “novos” hábitos surgiram; como o de simplesmente comprar apenas o necessário. Como se uma nova onda de utilitarismo e maximazação dos recursos tenha me assolado; quase que voltando às aulas da faculadade de economia.

Por falar na faculdade; me lembro das aulas de história e comprovo mais uma vez que o homem evoluiu muito pouco desde o iluminismo até os dias de hoje. Atualmente não se pensa mais em nada; apenas executa-se. Não nos preocupamos nem com aqueles que moram ao nosso lado. Andamos nas ruas de cabeça baixa ou presos aos telefones móveis. Nossa visão tornou-se mais turva e restrita. Competimos com nossos amigos ou aqueles que se dizem nossos amigos competem conosco. A internet que anos atrás era vista como um reduto dos que eram entendidos em computação e eletrônicos; hoje não nem mais tão usada para divulgação e integração das pessoas. Tornou-se um vício onde cada um procura saber o máximo sobre a vida alheia e é tratada até mesmo como um vício; chegando o cúmulo de na China existir um tratamento a base de eletrochoques (segundo notícias, proibido na semana passada). Com esses exemplos desejo apenas exemplificar como a mudança de costumes e princípios é instantânea hoje; quase que não existindo. Qual o sentido de acreditar em algo hoje; defender uma causa ou discutir com alguém sobre o que é melhor ou pior, se nem sabemos se as estradas que paviemntam nossos argumentos existirão amanhã. Esta mutação social e cognitiva constante leva a sociedade ao caminho da bestialização. No sentido que, como não existe uma crença nem princípios sólidos que norteiem a nossa vida pelo menos no médio prazo; a fugacidade é o sentimento da vez. O que desejamos substitui-se continuamente em uma roda vida que não temos idéia onde vai parar. Certamente o desconforto que esta conjuntura me causa tem sido o principal motivo da minha reclusão e instrospecção. Me voltei para os valores mais básicos e primários: família; trabalho e verdadeiros amigos. Óbvio que foi dificílimo mudar quase que da água para o vinho. A essência continua a mesma; porém a força está direcionada para outros objetivos. Os planos futuros finalmente tomaram forma no papel; fato que nunca antes havia existido. Claro que quem deita na cama com lençóis de linho; não se acostuma rápido a esta mudança. No entanto, ela parece bem menos radical do que aparenta.

Nosso instinto é sempre projetar no próximo; seja apenas em uma pessoa, em um pequeno grupo ou na crise mundial o motivo dos fracassos pessoais. Tal pensamento ficou durante dias na minha mente ao ler a frase “Somos na crise aquilo que fizemos durante a bonança”. Ou até mesmo a da capa de um filme que olhei ontem na locadora: “A vida é o que a gente faz dela”. Nós somos quem devemos tomar um passo à frente para resolvermos nossos problemas. Esgotar nossas capacidades e criatividade em sair das adversidades. A praticidade leva a acomodação e por consequência a inércia. Dentre outros fatores, devido a minha veia DDA, defendi o embate contra as adversidades. Literalmente bater de frente com o muro para no futuro lembramos da dor e planejarmos como nos sairmos melhores de uma situação adversa. Gosto dos riscos e desafios. Sempre fui assim. Acho que faltam mais pessoas assim. Até que ponto a segurança tem seu preço relativo justo se vai de encontro àquilo que acreditamos? Se eu mesmo for pensar no que aconteceu na minha vida nos últimos 5 anos; provavelmente responderia que não seria capaz de lidar com tantas mudanças e adversidades. Entretanto, nesse meio tempo também houve muita diversão. Muito FO..DA-SE ligado no volume máximo. Porém como diz o sendo comum: “Peso e idade chegam para todo mundo”. Claro que lá nos confins da minha alma; existe um carinha sentado rindo e contando um mundo de hostórias e até mesmo com vontade de repetir as resposavelmente mais arriscadas. Porém, o maior aprendizado desses últimos anos foi descobrir o sentido da palavra QUANDO; pois a conta sempre chega e, como sabemos, não são só os bancos que cobram juros pela antecipação do prazer e do desejo futuro. Claro que não me arrependo de uma vírgula do que fiz, porque acredito que somos o que fomos e a vida é uma eterna construção. Onde cabe a nós escolher qual a melhor forma arquitetônica que se adequa a nossa realidade e aos nossos sonhos. A minha sem dúvida tem muito de Van Gogh, Kandinsky e Gaudí. Essa é apenas uma metáfora; não cabe a mim acomparar-me a gênios que inspiram gerações. Porém meu intuito foi apenas demonstrar a forma um pouco revolucionária, apaixonada e humanista que cada um deles comlocou em suas obras. Do bipolar ao abstrato, passando pelo mais apaixonado dos três. Acredito dispendo muita energia tentando equilibrar essas três características. Isso ainda agregado a minha fase mais introspectiva e reflexiva de todos os tempos.

Contemplar o silêncio em um domingo. Acordar cedo para fazer tarefas caseiras; discutir o orçamento do mês com a mulher; almoçar na mesa para dois lugares do seu apartamento. Esquecer por um tempo toda essa tecnologia que ao invés de nos ajudar só diminui nosso tempo livre e nos faz consumir cada vez mais tempo e saúde. Mais uma vez repito o que já foi dito por mim inúmeras vezes: eu seria uma pessoa bem melhor se escrevesse mais. No entanto; muitos textos ainda circundam minha cabeça.

Minha principal vontade aqui não era falar cobre nada específico nem ser tão ácido quanto a nossa realidade. Mas infelizmente ela é essa e não podemos nos virar, isolando-nos em muros fechados. Contudo; por outro lado, não precisamos de ninguém para sorrir. Exercitar a criativadade é uma das melhores maneiras de estarmos em contato com o nosso âmago; com aquilo que realmente somos. Podemos mudar durante a jornada. Nos tornarmos mais resistentes, esquivos e alertas. Mas seremos sempre o que sonhamos ser. O dia em que entregamos esse sonho em troca do conformismo ou olharmos para o nosso peito e enxergarmos barras de ferro impedindo que a nossa frequência cardíaca aumente devido à adrenalina que certos momentos nos proporcinam; já termos nos entragado a essa sociedade que reclamammos ou fingimos não ver. Não precisamos mudar o mundo todo. Mas se imaginarmos que fazemos parte do mundo para alguém ou somos um grande continente para algumas pessoas. Nossas atitudes não deveriam ser levadas pelo que tentam nos empurrar garganta abaixo.

O balde pode não ser chutado agora. Ou posso dizer que em muitos casos ele nem será chutado; só está preso nos pés de alguém. Porém, assim como a conta chega; se acreditarmos e fizermos por onde; não precisaremos trair nossa essência para chegar onde sempre desejamos. Ainda há muito motivo para sorrir. "Fuck the pessimists. Fuck them."

postado por: Bobby Bishop 2:48 PM

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Segunda-feira, Maio 25, 2009

Passagem

"A intoxicação do desejo impede você de seguir seus princípios."

E seus sonhos também ... Muitas vezes te cega ao ponto de você ser a pessoa mais egoísta do mundo; consequentemente tornando-se auto destrutivo sem ao menos perceber. Como a própia palavra diz; o ego; aquilo que nossa mente absorve através de como o mundo nós vê, distancia-se do eu. Passamos a ser o objeto do nosso desejo em si; fazendo com que a busca pela felicidade seja impossível; pois ao nos afastarmos de nós mesmos, vamos na direção contrária daquilo que queremos.

Confesso que me embriaguei pelo desejo durante a maior parte da minha vida. Pelo menos ainda olhei para trás a tempo de perceber isso. A tempo de consertar as coisas com "eu mesmo".

Pouco tempo tempo atrás um grande amigo meu disse a frase: "Quem pega o atalho chega no final mais cedo." Sempre busquei os atalhos. Isso é bem diferente do que trilhar o próprio caminho. Não tinha a paciência suficiente para olhar em qualquer direção que não fosse para frente. Muitas vezes deixei de olhar simplesmente para o lado e aproveitar o melhor dos mundos que estava andando junto comigo, mesmo que eu estivesse parado. A experiência mais impressionante de tudo isso é a sensação da inércia de tudo que foi deixado para trás batendo na sua nuca à toda velocidade quando nós desaceleramos. Em poucos meses o que não tinha valor torna-se nobre. A figacidade transforma-se na saudade boa do que serviu de base para a verdadeira mudança. Olhar para o lado passou a sero melhor exercício para uma vida menos atribulada e para, também, alimentar a esperança de que a lição tenha tenha realmente sido absorvida.

Por ter tido esse comportamento, em poucos momentos não era visto como aquele que estava sempre na frente do tempo. Hoje o "anonimato" traz consigo a calma que somente o "eu" tinha como objetivo final. Não faltaram oportunidades para tê-la nas mãos. O caminho seria mais longo; menos divertido que os atalhos; mais sinuoso e talvez menos claro; porém seria o mais verdadeiro. Deixaria rastros eternos, os quais seriam as linhas mestras do direcionamento da vida. Entratanto, preferi aprender com as cicatrizes internas e externas. Sem a humildade de dar a mão e trilhar o caminho, preferi os caminhos mais curtos e cada vez mais inflei o ego com as vozes que vinham de fora; quase sufocando os princípios que internamente prezava. Completamente paradoxal, não? Pois é; o ser humano é assim mesmo, paradoxal. No fundo acho que, em um certo grau, somos todos bipolares. Uns não percebem e beiram a esquizofrenia. Outros se deixam levar, pois, apesar de tudo, a diversão é garantida. Alguns param para pensar e tirar o bom proveito de sermos essa eterna icógnita. Buscam o contínuo auto-conhecimento. Para que isso aconteça, o primeiro passo é perder o medo de olhar para trás. Assumir para o "eu" que o aquilo que o passado, mais uma vez, apesar de tudo de bom, foi o maior aprendizado. O primeiro passo é tão importante quanto todos os outros, mesmo que ele seja no sentido contrário ao seu caminho de hoje. Mesmo que ele seja o primeiro que o faça andar em círculos por anos a fio até encontrar a razão para toda inércia do "eu". O importante é que durante o caminho percebamos que o ego é o desejo que nos intoxica e está sempre presente nos tentando (existe uma excepcional explicação para tudo isso no final do filme "Revolver").

Enfim; como um dos maiores clichês; não nego que foi bom enquanto durou. Óbvio que esse estilo de vida já ficou pelo caminho faz tempo. Mas com uma constância que poucos imaginam; alguns ensinamentos ainda vêm à tona com frequência. Ao contrário do que possam pensar; acho isso muito bom. São as cicatrizes dilatando-se e exercitando nossa memória para que deixemos um rastro em nosso caminho ao invés de tentar chegar ao final mais rápido.

Meu nariz por muito para cima durante anos para eu não perceber que não havia rastro nenhum por onde eu andava. Pensei que corria, mas apenas arrastava os pés como uma auto sabotagem a fim de apagar o caminho de volta. Como se a minha vontade fosse continuar perdido por muito mais tempo. Novamente confesso que às vezes as cicatrizes pulsam tanto a ponto de eu querer que elas explodam em sangue para todos os lados. É uma dor contínua e necessária. Porém não precisamos ignorar nossas dores; ou buscar algo maior que engane nosso cérebro mentindo para ele que aquilo não está ali. Apenas temos que aprender a conviver pacificamente com elas. Tirar proveito disso e seguir adiante.

Ter o ego inflado é bom. Contudo; a desintoxicação (para quem quer fazê-la) é dolorosa e deixa marcas profundas. Mas a recompensa do encontro com o "eu" é fundamental. Assim como acordar numa segunda feira e escrever isso pouco antes de começar a semana.

postado por: Bobby Bishop 7:24 AM

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Domingo, Maio 03, 2009

Brainstorm

Faz tempo que estou com várias idéias na cabeça e não tenho tido tempo de transcrevê-las. Entratanto; essas últimas semanas foram muito moveimtnadas emocionalmente e eu não poderia deixar de passar 30 minutos aqui tentando resumir minhas conclusões.

A mais importante delas é que todos nós temos problemas. Exceto para aqueles mais abastados; todos se preocupam com as contas e como vamos pagá-las; como faremos frente aos planos futuros e nossas obrigações. Sempre fui bem desligado quanto a isso; afinal de contas tudo sempre foi só para mim. E aprender a dividir tem sido uma das melhores lições da minha vida. Abrir mão; muitas vezes é um sentimento libertador. Aos poucos sinto que estou reencontrando o bom e velho eu mesmo. Certamente muito mais consciente; porém sem aquela vonta de quebrar algumas regras. Acho que o aprendizado de ser um pouco mais político; o que, infelizmente, a vida profissional na minha posição exige; por si só já é uma grande quebra de paradigma.

Depois disso; vi que uma boa festa é um ótimo remédio para deixar as preocupações de lado; conversar com novas pessoas, conhecidas e desconhecidas; ouvir novas opiniões, ser elogiado inesperadamente e ver que pessoas que você mal conhece conseguem ler o seu pensamento apenas na sua maneira de falar. Isso tudo deu certo, mesmo quando eu consegui quebrar uma mesa de vidro ao lado do bolo da noiva (ninguém diferente mim faria essa proeza). Fiz coisas que não fazia há tempos e também me diverti na medida do que precisava. Claro que além de tudo; aqueles que proporcionaram uma ótima noite de esquecimento do mundo real e a imersão em uma felicidade pura e sem nenyum tipo de estimulante temporário merecem o meu muito obrigado e os meus desejos de muita felicidade.

Outra coisa que me impressionou um pouco é como algums pessoas mudam. Talvez seja um pré julgamento; fato que tanto condeno; mas os caminhos da vida nos fazem seguir por estradas que só nós; ou os outros; temos condição e o direito de explicar. Talvez esse seja o meu maior orgulho pessoal, como a música que ouço agora:

”Corações e pensamentos se desmancham …
É difícil quando você sai da concha
Eu mudei, mas não mudei em tudo”


Agregar não mudar; é crescer. É fazer melhor; é segurar e racionalizar as suas emoções. A pricípio parece paradoxal; mas é um dos melhores sentimentos do mundo. Sempre fui o emocional que todos olhavam sorrindo como aquele romântico ideologista. O que poquíssimos sabem, foram as noites com a porta da sala aberta, uma garrafa de whisky do lado esperando a chegada daqueles para quem você ligou. Não existe almoço grátis.

Hoje as emoções são outras e a força também é muito maior ao ponto de não se fazer necessário o que descrevi acima. Entratanto; não mudei em tudo. O emocional agora apenas performar-se por trás de de um sorriso mais seguro e não menos de “canto de boca”.

Ainda assim tive tempo de visitar uma parte da família; aquela que remonta a minha infância mais cristalinamente. Por quase 5 horas revi toda minha vida e conversei com pessoas que já viveram muito mesmo. As duas com idéias diferentes; uma mais materialista e outra mais romântica. Ambas com razão nos respectivos pontos de vista. Finalmente aprendi a respeitar o que os outros falam, pensam e acreditam. O mundo torna-se outro. Mais justo de mim para mim mesmo. Como deveria ser com todo mundo.

Finalizando; recordei de algumas frases e opiniões. Duas delas são: “Não existem dois dias iguais com você” e a outra é de uma das músicas que mais gosto. Enfim; felicidade a todos que merecem. A todos aqueles que prezo e que tiveram e ainda tem um papel fundamental no caminho que tracei até aqui e ainda pretendo continuar adiante.

Só espero que uma pequena pessoa realize o quanto ela significa para mim e o que eu faço por ela, apesar de todos meus humanos defeitos. Por enquanto ela só percebeu um pouco menos da metade. Mas aprendi a esperar e além disso; sempre me dei bem comigo mesmo. Só que agora com a consciência bem mais tranquila e sendo feliz apenas por fazer. Não esperar nada em troca é um dos melhores atalhos para felicidade.

“Hey You’ve got to hide your love away”

postado por: Bobby Bishop 8:59 PM

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Domingo, Abril 05, 2009

Sempre Ele

Primeiramente gostaria de dizer que nunca fiquei tanto tempo sem escrever. Confesso que depois de mais de um mês sem "inspiração"; mesmo em um final de semana; precisei quebrar a rotina para perceber que é extremamente necessário voltar aos antigos habitos e relaxar. Simplesmente deixar-se levar pela vida, sem as preocupações financeiras, aborrecimentos do trabalho e por aí vai. Talvez, o primeiro passo para esse momento que há tanto tempo não experimento, tenha sido um inesperado chopp com dois recém amigos do trabalho que estou há exatos 6 meses. Não me lebrava a última vez que havia saído uma sexta e parado por meros 45 minutos para rir e extravazar um pouco. Esse acontecimento desencadeou outro não menos inesperado.

Durante toda semana fiquei pensando sobre como abordaria minhas recentes angústias e o que tenho sonhado na minha sessão de terapia. Entratanto; após uma breve conversa descontraída e uma; literal; corrida de uns 1.5 Km até o prédio do meu terapeuta; todo enfoque mudou. Não sentia mais o peso em meus ombros; não falamos sobre as angústias, medos, pressões e expetativas que tenho tido que superar. A solução já havia sido encontrada pouco antes: mais uma vez eu precisava reencontrar-me comigo mesmo. Andar na rua de uma forma sem pré determinação alguma. Esquecer os compromissos por alguns instantes. Sentir a liberdade correndo nas veias e mesmo assim manter o respeito com a vida a sua volta. Em suma: ser você mesmo.

Um dia depois, no sábado, acordar e ir à feira comprar sardinha, verduras, temperos moídos na hora e algumas outras coisas para o almoço. Sorrir com as brincadeiras feitas pelos feirantes. Perceber que o exercício da humildade é quase uma forma de arte humanizadora. Muitos anos atrás; quando eu ainda tinha o nariz apontado para o sol ao meio dia; jamais passaria pela minha cabeça a felicidade que pequenas coisas como essas são capazes de proporcionar. Perceber que a ida à feira resultou em um farto almoço para três pessoas e curtou menos que 25 reias ao todo. Tudo torna-se mais claro. A vida não é nem vista de outra prisma; mas o campo de visão aumenta. Este é outro fato que tenho notado. Mudar o ângulo de visão nos permite observar o mesmo objeto de outra forma; porém o objeto continua sendo o mesmo. Por outro lado, ampliar o campo de visão, como se uma lente grande angular fosse acoplada ao seu cérebro, faz com que você não so veja o obejeto por uma perspectiva diferente; mas o situe em uma outra conjuntura. Peças são rearrumadas no sentido de uma paz interior quase que instantânea.

Estava com saudades de escrever. De verbalizar a criatividade que sempre fervilhou na minha cabeça. Já é mais do que notótrio que quanto menos crio, reflito, escrevo, converso, escrevo e dexou que as minhas ideias fluam como um rio buscando sua foz; mais a angústia torna-se sólida dentro do meu peito. Sempre soube que a saída era fácil; mas ainda insisto em deliberar minhas forças na direção errada. O espelho que é um companheiro inegavelmente sincero já não estava mais tão presente. É muito bom preocupar-se com os outros; lutar e quere o bem de que se ama. Porém, nada disso é factível se não estivermos em equlíbrio com o que há dentro de nós.

Mas por que mencionei no título do post Sempre Ele. Por que existe um assunto que ainda reluto em falar. Até mesmo pela causa de não conhecê-lo muito e no passado tê-lo usado-o muito para magoar algumas pessoas, que hoje, pela contribuição que deram a construção do meu arcabouço emocional, não mereceriam o descaso com que foram tratadas. Falo Dele, do Amor. Do sentimento involuntário que outras pessoas sentem por nós. Algumas vezes o conquistamos pela nossa vontade. Outras por nossos atos e caráter; algumas pelo simples fato de sermos sinceros. Contudo; não esse sentimento não criado para nos consumir nem para suprir a falta do mesmo em quem quer que seja. Ele foi feito para ser dividido. Me arrisco a dizer que o mesmo é a única coisa que cresce quando divida. Que se fortalece quando fragmentada. Mas, se absorvida por caminhos que não sejam os verdadeiros; pode nos transformar em sua própria antítese. O Amor é paciente e tolerante sem agredir a nossa individualidade. É divido sem que percebamos seu crescimento. É aquilo que fazemos por impulso voluntário. É quando o consciente domina o subconsciente. Caso contrário; não é Amor; torna-se dominação.

Como é bom sentir as sinapses partirem do cérebro, correrem até meus dedos e refletirem na tela do notebook na minha frente. Até esse hábito eu retomei: largar um pouco o desktop do quarto e sentar na mesa da sala, alterar a visão da parede a quase um metro de mim pala um ambiente mais amplo; não tão grande; mas que metafóricamente pudesse comportar o que estou passando nesse exato momento. Pode parecer loucura; mas para estar transcrevendo meus pensamentos, eu lembrei que tinha um mouse comprado há mais de dois anos e resolvi tirá-lo da caixa. Já estava uma pouco de saco cheio do trackpad e decidi mudar isso também.

Certamente estou passando pela fase de maior transformação da minha vida. A bonança veio antes da tempestade e algumas vezes sinto que não aproveitei-a da maneira mais produtiva; que não escolhi os traçados corretos e que talvez minha vida fosse bem diferente. Mas no mesmo segundo realizo que todo esse processo de humanização pelo qual estou passando tem um valor imensurável. E mais; todas pessoas que passaram pela minha vida tem um percetual de participação nele. Gostaria de dizer apenas obrigado a algumas; pedir desculpas a outras. Óbvio que não conseguirei fazer a grande maioria disso. Mas estou com a sensação de que como a economia; se acreditarmos e formos positivos, lutando pelos nossos sonhos e ideiais, a vida real também caminha da mesma forma. Hoje, depois dessas últimas vinte e quatro horas, tive alguns flashes onde antigos sonhos ainda não realizados pareciam estar mais próximos. Fazia tempo que isso não acontecia. Estava (e ainda não saí completamente) tão inserido na minha rotina que esqueci do me mais me moveu nessa vida. Deixei-me levar pelos problemas ao invés de solucioná-los com calma, paciência e a perseverança que abre caminhos no sentido dos nossos objetivos.

No final das contas; acho que o Amor; no sentido amplo esteve ao meu lado nesse dia. A intensidade da brusca mudança de visão deu lugar ao aumento da extensão dos sentimentos e do autoconhecimento. A rotina não é ruim. Jamais a condenaria se pudesse expor meus pensamentos com a frequencia desejada. Estava com saudade de algumas coisas; escrever era uma delas. Mas só não tem saudade quem não tem memória. E ao contrário do que a maioria pensa; a saudade pode ser encarada como um grande aprendizado. Como uma companhia que nos pega pelo braço quando estamos na iminência de cometer algum erro; cedermos a um impulso ou magoramos alguém.

Em suma; reencontra-se é revigorante. É respirar um novo ar que enche nossos pulmões de energia para seguir em frente. Somos humanos. Eu estava sucumbindo a dor silenciosa por muito tempo. Chegou o momento daquele sorriso de canto de boca novamente. Só que agora melhorado. Melhorar significa mudar o curso do barco para a direção do equilíbrio da sua vida e não transforma-se em uma pessoa pasteurizada que prega os clichês de uma vivência onde se compra o bem estar.

postado por: Bobby Bishop 1:30 AM

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Domingo, Fevereiro 15, 2009

Take me out tonight ...

Repentinamente sinto falta do passado. Nada ligado a um momento específico; entretanto sinto-me pesado, como se carregasse uma grande pedra nas costas. Sei que meus planos para algumas coisas tiveram que ser alterados repentinamente no último trimestre do ano passado e o cansaço mental faz-se presente em um nível que jamais havia experimentado. Parece que o ditado popular é realmente verdadeiro: "Um dia a conta chega". Mas conta de que?

Essa é a grande questão que toma meu tempo ultimamente. Tenho noção que não sou mais aquela pessoa agitada, pró-ativa e presente de outrora. Também sei que o tempo passa e o ritmo diminui. Porém estou passando por um estágio onde, como os acontecimentos mundiais e manchetes dos jornais, as situações são turvas demais para proporcionar a tranquilidade que tanto preciso. Sem dúvida o crescimento é notório e vem sendo contínuo com o aprendizado e as mais diferentes experiências que tive que enfrentar nos últimos anos. Acho que por isso mesmo o cansaço instaurou-se na minha cabeça. Mais de uma vez já manifestei minha vontade de voltar a escrever mais. Fico impressionado de ver o quanto este simples ato me relaxa. Entro em contato comigo mesmo de uma forma muito simples e fácil. O exercício físico é ajuda bastante, mas para pessoas que precisam estar sempre motivadas e em busca de um objetivo, o estado de descanso psicológico é fundamental. Há algum tempo manifesto abertamente meu desgaste. Mas o que fazer para estancá-lo? De onde tirar coragem para largar o leme do barco? Por que não dizer para todos que responsabilidades foram assumidas em demasia ao longo de todos esses anos? Cada dia que passa noto que um certo egoísmo faz muito bem. Reafirmo que nunca fui altruísta para não esperar pelo menos um "Obrigado" de determinadas atitudes minhas. Mas não contava que além da ausência dessa simples palavra, as cobranças e expectativas fossem diminuir. Já assuni a minha culpa nesse processo. Eu mesmo, por sempre querer estar à frente e ter uma característica intrínseca de auto motivação, criei uma imagem que poucos acreditam não ser a que me deixa mais à vontade. Gosto da adrenalina, da pressão e das realizações. Por outro lado, tenho obtido uma satisfação crescente no desprendimento material e em aproveitar tudo que conquistei; dando mais valor ao que tenho e expurgando a fugacidade dos meus sentimentos; tanto com as coisas como com as pessoas.

Por falar de pessoas, é incrível como deixei de me surpreender com o lado ruim do ser humano e passei a agradecer cada vez mais pelas boas surpresas que a raça que predominantemente habita nosso planeta nos proporciona. Confesso que achei que com a crise econômica que descaradamente foi fruto da irracionalidade gananciosa de um sistema onde os dois componentes mais importantes, o capital e o trabalho, deixaram-se encantar pelo coadjuvante dos vagos discursos e que é capaz de ganhar o Prêmio Nobel do ano seguinte negando tudo aquilo que disse no ano anterior: os financistas (notem que os economistas são bem diferentes deles!). Não nego que também sofri minhas perdas materiais com a atual conjuntura econômica mundial. Porém, aprendi demais com essas perdas. Mais importante que isso; consegui estabelecer um paralelo desse aprendizado com a minha vida pessoal. Diversas lições foram tiradas. Muitas mesmo. Durante anos adotei a política da vida imediatista; pois, como disse o maior economista de todos os tempos na opinião de vários: "No longo prazo estaremos todos mortos". Hoje em dia não sou mais tão imediatista e nem consigo mensurar qual a distância que separa o presente do longo prazo. Contudo imagino que o futuro deve ter como meta meus sonhos que ainda não foram realizados. São poucos; mas claro que são os mais difíceis. Um deles é até novo, não sei porque surgiu na minha cabeça nesses tempos: conhecer a Ilha de Páscoa. O outro é um dos que poucos sabem e os que sabem quase não acreditam. É esse que será a cereja do bolo. Quando esse estiver consumado, sentarei em uma varanda de madeira só para ouvir o barulho da chuva e poderei dizer que consegui. E ei de atingí-lo.

Não queria de deixar de falar mais um pouco sobre nossos semelhantes. Ratificando que o mundo passa por um período de severas mudanças e até mesmo da quebra de alguns paradigmas; ainda me impressiona as reações das pessoas. Muitos já calejados pela vida, enfrentam com naturalidade e são esses quem mais admiro. Outros solidarizam-se com os que sofreram as consequências ou formam grupos de ajuda mútua. Também existem aqueles que tornam-se reativos e apelam para o instinto de sobrevivência. Aproveitando as comemorações feitas ao aniversário de nascimento de Darwin (não entendo muito isso; por aniversário de nascimento tem todo ano!); não seria uma involução da espécie apelar ao "canibalismo" ao invés de tentarmos nos fortalecer pela união? Achei que fosse me surpreender com atitudes dessas; porém já não me abalo tanto. Prefiro dedicar meu tempo à ligações inesperadas sobre como eu estou, como vão as coisas, se um ou outro projeto de vida saiu do papel, dentre outras coisas. Além de tudo isso, a preocupação excessiva com a imagem continua a inspirar o cotidiano das pessoas. O medo do fracasso (muitas delas não conseguem descrever o que ele próprio significa) impera entre nós. Mesmo ainda aprendendo a me conter e aprender ainda mais sobre como conviver em sociedade com tantos interesses e mesquinharias "em jogo"; tenho adotado a política que um provérbio chinês dito por um amigo meu professou: "Prego que muito aparece é porque quer tomar martelada". Quando lembro dessa frase tão boba, àquela pedra quase que some das minhas costas. Começo achar que a minha grande parte pode ser os textos que escrevo; os momentos que ouço musica celta deitado no chão sob luz azul; que paro 5 minutos em frente a uma igreja e viajo em como abalaram a maior fé que a humanidade já teve. A grande vitória pessoal no meio dessa grande catarse é que a minha fé não foi abalada. Mais do que isso, mesmo muito desgastado mentalmente, agreguei muito conhecimento nos últimos meses. Continuo tendo meus sonhos como grandes metas a serem atingidas e ratifico que preciso escrever mais. Essas palavras ao som de Stan Getz e posteriormente Massive Attack foram terapeuticas.

Nos últimos meses fui obrigado a mergulhar e dar uma ajeitada na minha vida profissional; consolidar a estabilidade atingida na parte pessoal e estabelecer meu próprio plano econômico sem os bilhões do Obama. Mas nesse final de semana fiz algo que não fazia a algum tempo: saí com ótimos amigos na sexta e revi alguns outros na noite de sábado. Precisava desse relaxamento. Hoje poderia estender um pouco mais o final de semana; mas acho que curtirei o domingo nesse canto da casa que gosto tanto e ultimamente tenho utilizado tão pouco para momentos como esse.

"There is a light that never goes out". Essa luz deve ser a que ilumina o SEU caminho em busca dos seus objetivos; sendo ético, mantendo a moral e os preceitos sociais. Queria agradecer aqueles que fizeram deste final de semana a inspiração para esse momento. Aliás, não custa lembrar que no carnaval estarei com a esposa em Porto Alegre. Lá, como o ambiente costuma ser menos turbulento que aqui e descansaremos por 4 dias; pretendo escrever um pouco mais. Talvez o livro que lerei no avião traga novas inspirações.

Confesso que comecei a escrever ainda com uma certa carga sobre os ombros. Termino com aquele sorriso de canto que tanto gosto em mim. Como por questões de "estética trabalhista" não posso zerar o cabelo; preciso de outros artifícios para tentar manter a jovialidade nesse rosto cansado ;)

"O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo" - Winston Churchill

postado por: Bobby Bishop 3:24 PM

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Domingo, Janeiro 11, 2009

Com dez dias de atraso …

“Reconheço: não é sempre que prenso de forma satisfatória, e, às vezes, nem penso. Como muitos, imagino, às vezes sou levado a um estado reconfortante e agradavelmente irrefletido de devaneio, sem qualquer filtro. Um estado que chamo de “simplesmente existir”. Em sua forma mais refinada, “simplesmente existir” é uma descrição mental muito básica de nossas percepções sensoriais (o ar está fresco, as estrelas brilham), embora esse registro geralmente venha revestido de uma séria de comentários pessoais ... Tais reflexões, embora úteis ou divertidas, se passam da conta, acabam funcionando como um bloqueio para uma melhor compreensão e maior valorização da vida. Como observou o filósofo George Santanayana, a essência da experiência encontra-se na imaginação, não na percepção. “Simplesmente existir” é a percepção pura, sem informações da memória, do conhecimento ou da avaliação crítica. É a velha sabedoria popular que responde à pergunta: “O que é?”. A resposta correta parece ser que “existir” não é nada especial, não passa de uma espécie de condição universal de ser.

O que me leva a uma questão importante: o retrocesso das habilidades para pensar criticamente e do interesse pelo conhecimento e pela capacidade do intelecto em geral não é um fenômeno estritamente norte-americano”.



Não gosto muito de transcrever parte de livros; porém, nesse caso, estava lendo exatamente no estado de “Simplesmente existir”, quando o Segundo parágrafo descrito acima me trouxe de volta ao mundo real e crítico onde vivemos. Confesso que a leitura criou, ou aprofundou, um dos paradigmas que me acompanhou durante os três últimos anos onde trabalhei em uma grande empresa: vale a pena criticar e mostrar que as coisas podem ser melhores através do trabalho e da aplicação do desenvolvimento intelectual, ou devemos apenas neos deixar levar pela correnteza e o sentimento absorto de que não conseguimos lutar contra a maré?

Esse pensamento caminhou ao meu lado durante todo o ano de 2008, que sem dúvida foi o mais doloroso e de mais aprendizado em toda minha vida, e talvez, após a leitura de ontem, tenha culminado em determinadas conclusões que eu mesmo vinha relutando em aceitar. A primeira delas é uma que a grande maioria de nós possui: a dificuldade em aceitar perdas e fracassos. Não adianta olhar para trás e nos prendermos em nossos erros, tropeços e julgamentos precipitados, errados ou infantis; mais do que nunca, o mundo anda para frente e devemos deixar pelo caminho aquilo que nos fez dobrar os joelhos ou nos decepcionou. Levamos adiante a experiência que provavelmente nos impedirá de repetir os mesmos erros. Esse foi o maior e o mais difícil aprendizado de ser absorvido do último ano. Deixar de lado os falsos amigos e as convicções sobre o próprio suposto cohecimento sobre determinados assuntos e situações. Aceitar a própria ignorância nos coloca no ponto de partida novamente. Primeiramente parece doloroso recomeçar depois de tanto sofrimento e vivência. Entretanto, mudei meu ponto de vista e passei a encarar tal situação como uma nova aventura. Até 2008 foi uma vida repleta de conquistas e sucessos; mas que no final de tudo; muito devido aos esforços despendidos para alcançar todos os objetivos possíveis e imagináveis, o cansaço e o desgaste fez o motor ratear no final da corrida. A cabeça já não pensava criticamente com a mesma velocidade e as decisões impulsivas mostravam-se nitidamente equivocadas pela primeira vez. Era como o encanto de uma era de magia houvesse terminado sem nenhum aviso prévio. E repito; o maior erro foi demorar a aceitar tudo isso, remar contra a maré em nome do orgulho que muitas vezes é a bigorna amarrada aos nossos pés que nos leva para o fundo.

Em segundo lugar aceitei que a desilusão com o ser humano faz parte de uma constante em nossas vidas e que não devemos nos abater com ela. A maneira mais pragmática e racional de lidar com esse fato é apenas nos afastar do fato gerador e de seus responsáveis. Durante quase 35 anos fui idealista no sentido de que as pessoas por razões próprias de sobrevivência às vezes tomam decisões prejudiciais ao próximo. Contudo, até mesmo analisando várias decisões minhas, notei que, nem a vontade, mas a necessidade, seja material ou psicológica, de mostrar-se melhor que os outros, faz com que as pessoas ajam de forma predatória e ataquem para defender as barreiras do próprio ego. Aliás, aproveitando o assunto, vale a pena assistir os últimos 5 minutos de um filme chamado “Revolver”; onde após o término de toda trama, durante 1 ½ minutos, alguns renomados falam sobre quem é e o que o nós somos capazes de fazer para defender nosso ego.

Dessa maneira, é um duplo alívio aceitar essa condição humana. Primeiro porque depois de um exame critico de nossos atos, notamos que não temos o direito apontar tanto o dedo para as falhas dos outros e devemos primeiro, no meu caso, em reclusão, melhorar nosso próprio modo de agir. Depois, verificamos que após algum tempo, não nos fazem falta aqueles ou aquilo que nos gerou decepção ou desapontamento. Ainda que erradamente, sentimos falta do suposto caminho que poderíamos ter tomado se não tivéssemos deixado nosso ego tomar as rédeas das decisões.

A segunda grande percepção traz consigo a humildade e a libertação de diversas manias e desejos fúteis que apenas preenchiam momentaneamente nossas vidas. Acho que pela primeira vez desde que me entendo por gente, não estou mais tão ligado às expectativas externas e ao que os outros pensam de como estou. Resumidamente é como se quem quiser saber do meu bem estar, que me procure. Isso aliado ao fato do desprendimento material e da ignorância das imposições de pseudo regras sociais (principalmente aquelas que dizem respeito ao status – afinal de contas, quem definiu o que é status? Acho que esse entidade está sempre em constante movimento nos levando para longe de nós mesmos e próximo de uma desilusão constante, trazida pela supremacia egoísta inerente a competição) me levou ao início de uma espiral de auto crítica instantânea; como se automaticamente a supressão desses fatores fizesse com que sobrasse mais tempo para mim. Mais tempo para fazer exatamente o que ocorre agora: “Sentar em um lugar confortável e escrever um texto desse tamanho. Fato que não ocorria há bastante tempo.

Por último, jamais poderia deixar de lado o fato que serviu como o desfecho do dia que se iniciou com a leitura do que transcrevi no início desse texto. A reaproximação da família em uma festa no lugar que mais retrata a minha verdadeira personalidade. No lugar onde me sinto em casa e posso falar e ser tratado como eu mesmo. Onde as discussões surgem porque as pessoas querem desenvolver-se e conhecer (mais ainda) uns aos outros e não para coletar dados que futuramente serão utilizados, não contra, mas de uma forma que visa desagregar sua integridade e servir como mais um artefato no mundo competitivo de onde não temos mais como fugir e sim apenas amenizar os impactos em nosso bem estar.

Assim sendo, parece que 2009 recomeçou ontem de uma forma muito mais natural e sem a expectativa de queima de fogos e estouros de champagne. Sem os desejos de “Feliz Ano Novo” de pessoas que você reencontrará apenas 364 dias depois na próxima festa de final de ano e que sequer te ligarão uma vez até lá. O meu 2009 começou como um final de semana qualquer; como devem ser todos os nossos dias. Por isso, uma simples leitura de um livro comprado faz tempo, terminou em uma festa de família em um local sempre presente em minha memória, com as pessoas mais simples e verdadeiras que conheço; culminando no prazer de escrever aprendi a ter ao longo do tempo.

Agora sim posso dizer: que a passagem de ano seja início de uma nova fase para alguns e a continuação da prosperidade para outros. Basta pensamento positivo, vontade, aplicação e um pouco de sorte para que tudo dê certo.

Bobby Bishop, seja bem vindo de volta.

postado por: Bobby Bishop 12:13 PM

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Sábado, Janeiro 03, 2009

Undone

"The world has come undone / like it changes everyday"

Faz tempo que tenho vários assuntos na minha cabeça para escrever, porém não tenho tido a tranquilidade suficiente para transcrevê-los. Usualmente vinha me queixando de falta de tempo e outras desculpas que no momento não vem ao caso. Contudo, o mais importante é que eu tenho notado uma constante inquietação no meu estado de espírito. Está certo que o ano passado foi o mais turbulento de toda a minha vida e repleto de mudanças inesperadas, nem sempre na direção que eu gostaria. Mas por outro lado aprendi muito a lidar com adversidades e obter um autoconhecimento e autocontrole que jamais imaginaria atingir. O preço por todas essas conquistas certamente foi caro. Espero que a utilização futura dos mesmo compense o esforço dispendido.

Tenho tido vontade de ler mais, o que foi uma das minhas maiores fontes de inspiração. Além disso, uma certa instisfação profissional parece sugar diariamente um pouco das minhas energias. Cada dia que passa tenho idéias no sentido de fazer algo totalmente diferente do que sempre costumei fazer. Parece que no ano dos meu 35, farei a curva que me levará para uma reta de realizações. Na verdade; sinto-me ainda meio perdido, sem um norte definido. Preciso parar. Preciso refletir sobre o futuro que tento negar. Confesso que muitas barreiras já foram transpostas. Mas aindanão consigo digerir a mudança de determinadas pessoas em função de uma vida mais prática e daquilo que encontraram e não construiram. Aproveitei o dia completamente absorto no trabalho para repensar um pouco sobre o que quero fazer que qual seria a minha contribuição para a sociedade. Devido a algumas mudanças no meu comportamento; vejo que já estou suficientemente maduro para abrir mão de certos 'luxos" em prol de uma tranquilidade bem maior. Pela primeira vez na vida planejei isso para mim. Algo diferente. Estudar coisas novas; trabalhar em um novo ramo; finalmente levar uma vida mais pacata.

Por falar nisso, continuo achando impressionate como as pessoas possuem uma ideia diferente do meu jeito de ver a vida. Algumas me encontram em festas e dizem que sou o cara mais acelerado do planeta. Enquanto isso eu me vejo cada vez mais em outro caminho. Deve ser por esse motivo que tenho encontrado menos as pessoas e estado mais recluso. Até meus hábitos musicais mudaram e passei a ouvir jazz. Agora ao inves das bebedeiras semanais, a geladeira sempre tem umas quatro caixas de chá verde. Essas são as mudanças que espero que pavimentem a estrada que pretendo seguir. Que sejam os alicérces das mudanças que deixarão alguns boquiabertos. Sempre gostei de supreeender as pessoas .... nem que seja com o meu sumiço. Todavia; meu gosto por escrever nunca deixará de me acompanhar. É uma coisa que faço por mim; pela minha higiene mental e pela extrapolação da minha criatividade. Assim não me sinto embuído no efetido manada e continuo minha caminhada rumo aos antigos objetivos tão claros para poquíssimos e sem sentido para os muitos que, as vezes, continurão perdidos sem ter sua vontadade realizada; dormindo nos sonhos de quem realmente vive a própria vida acordado.

Feliz ano ímpar!

postado por: Bobby Bishop 4:14 PM

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Terça-feira, Novembro 18, 2008

Privacidade

Em um tempo onde lemos nos jornais que o próprio governo não consegue manter esse tema dentro de si mesmo; que somos vigiados dentro do trabalho, nas ruas, nos elevadores e temos nossos emails invadidos por qualquer um que sorrateiramente espia sobre nossos ombros; esse direito tornou-se praticamente um bem tão raro quanto o mais belo dos diamantes. Assim como os brilhantes, para conquistá-la, ás vezes é necessário derramar sangue e causar guerras e brigas que levam a exaustão.

Mas por que será que temos essa insaciável sede em saber o que se passa na vida alheia? Minha primeira suposição seria por causa da insegurança que assola a sociedade materialista em que vivemos. Temos mais medo de não corresponder as expectativas e sermos melhores que o vizinho do que da violência. Tememos ser violentados pela própria expectativa que colocamos em nós mesmos. Poucos mudam os hábitos em busca de uma simplicidade menos pesada e que automaticamente levaria o foco das atenções para longe de si. Muitos vivem a contradição de buscar a privacidade e ao mesmo tempo deliciarem-se dos prazeres da companhias famosas e dos lugares badalados pelos flashes luminosos que; entretanto, não conseguem iluminar nosso âmago e nos mostrar quem realmente somos. Reclamamos da falta de privacidade, porém utilizamos a multidão para esconder o que há de ruim em cada um de nós. Sempre encontramos alguém para dividir um defeito. Nem que façamos isso com o próprio espelho. Aliás, fugimos dessa privacidade subconsciente como o diabo foge da cruz; pois quando estamos no meio de diversas pessoas podemos imaginar nossas imperfeições multiplicadas dentre vários anônimos. Não sentimos culpa em apontar nos outros nossos defeitos.

Por incrível que pareça a idéia de escrever sobre esse tema surgiu quando caminhava na rua. Contudo, não existia muita gente nas calçadas; eram quase 22:15 e chovia bastante. Senti-me "privado" em pleno público; com a chuva ame ajudando a lavar a alma e os pensamentos que como ser humano, eu poderia estar projetando em alguém desconhecido. Talvez por esse conjunto de motivos e sensações que há tanto tempo não sentia, apertei o passo para não deixar que a chuva afogasse minhas idéias e depois de quase um mês eu pudesse praticar um das coisas que mais gosto. Curiosamente, até mesmo o ambiente à minha volta está mudado. A bebida no copo é mais natural, o cigarro já não me acompanha faz tempo, a música foi trocada por um Chet Baker e o barulho do ventilador ao fundo traz consigo um ar nostálgico.

Sentia falta dessa privacidade, desses poucos minutos comigo mesmo. Muitos acontecimentos e me dou o direito de dizer que até desrespeitos têm feito com que eu não tenha essa privacidade que tanto gosto e que recarrega minhas baterias. Foi pela falta dela que passei a entender o tempo que meu pai passa contemplando a vista do apartamento dele. Mais do que isso; passei a respeitá-lo por não deixar que nada o afastasse daqueles momentos; nada desrespeitasse sua necessidade de encontrar-se consigo mesmo. Por isso hoje me sinto mais orgulhoso por parecer com ele nesse sentido. Apenas ainda não aprendo a dizer não aos que (e as coisas) tentam me privar de mim mesmo. Sempre precisei desses momentos para me reequilibrar e observar a vida por uma perspectiva mais clara, que obviamente me deu a calma necessária para resolver diversos problemas e atravessar algumas barreiras.

Enfim, foi em pleno dilúvio, na rua, longe dessa privacidade que deleito, que redescobri a mesma. Redescobri a importância que existe no tempo que precisamos dar a nós mesmos; longe de qualquer foco e pessoas. Nascemos como indivíduos e decidimos viver em sociedade, montar uma família e fazer amigos. Porém, continuamos sendo essencialmente indivíduos. Sem o respeito por essa nossa característica fundamental; não há nenhuma base sólida para que se construa nenhum outro tipo de relacionamento. Precisamos nos conhecer cada vez mais afim de que façamos pelos outros o que desejamos para nós. Para que do privado surja uma felicidade divisível publicamente. Nesse caso, a ordem dos fatores altera completamente o produto; que nesse caso é o nosso próprio bem estar.

postado por: Bobby Bishop 11:19 PM

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Domingo, Outubro 19, 2008

Resposta

Antes de mais nada, sem a menor sombra de dúvidas esse tem sido o ano que tenho desfrutado menos do prazer que tenho de escrever. Semana passada na terapaia, quase que como uma interseção inconsciente, o psicoterapeuta disse que uma das melhores armas contra a ansiedade é a escrita. É um momento onde, você, sozinho, resolve expor o que pensa sem preconceitos e mergulha onde não tem vergonha de mostrar quem é , suas fraquezas, anseios e talvez alguns traumas que ainda pretrificados, estejam prejudicando seu desenvolvimento humano e relação com os outros a sua volta.

Confesso que me identifiquei apenas em parte com o que ouvi. Pois apesar de não ter escrito tanto, dentre outras atividades que tanto gosto e deixei de fazer, entrei nesse último rimestre de 2008 com a visão de que esse ano tem sido de uma mudança e um auto conhecimento absurdo. Provavelmente a falta de tempo e até mesmo a não precepçao deste, fez com que eu superasse meus limites sem perceber o caminho que estava tomando. Entratanto, tanto esforço trouxe consigo um aprendizado descomunal. Aconteceu praticamente de tudo, até agora, nesse ano. Sofri um acidente de carro que me obrigou a comprar outro, fui demitido e já estou em outro emprego que me parece bem melhor que o anterior no sentido de desafio, clima organizional e amadurecimento profissional que me permita continuar na evolução que pretendo para minha carreira. Várias reviravoltas com membros da família. A esperada crise mundial que abalou completamente minha finanças; entretanto me demonstrou, mais uma vez, que confiar nos próprios instintos, na maioria das vezes dá certo. Além desse fator, tive outra certeza: Existem males que vem para o bem. Devemos procurar tirar uma lição de tudo que passamos para não repetirmos os mesmos erros. A vida anda para frente e perder tempo lemantando-se não volta o tempo nem nos dá uma segunda chance. Certamente, mantendo a confiança e o árduo trabalho, teremos outras diversas chances pela frente. O fato de atravessar tantas dificuldades em um espaço de tempo tão curto nunca aguçou tanto a minha visão e me fez dar importância às coisas que realmente devem ter a devida atenção.

Esse ano ficará marcado como um recomeço e uma transofrmação absurda na forma de vez a vida e até mesmo na maneira de viver. Estava com saudade de colocar um som calmo, acender um incenso do lado do computador e praticar um dos hábitos que mais gosto e que, nessa última semana, descobri que é terapeutico. Não dispenderei mais tempo com atitudes supérfulas durante a semana. Estou me reeducando aos poucos a retomar o que me faz bem. Já tracei planos de voltar a academia no começo do ano que vem quando as dívidas findam. Voltei a traçar metas para os próximos 4 anos; porém com calma e sem atropelo. Para quem pretende, no mínimo viver até os 80, ainda falta uma bocado para chegar na metade do caminho. Portanto, não preciso ter tanta pressa.

Outro dia dentro do ônibus relembrei de uma pergunta que me foi feita há aproximadamente 6 anos atrás por um amigo meu quando entrávamos no verdadeiro H18. Certamente ele era infinitamente menos arrumado do que é hoje e minha vida era absurdamente mais junkie do que muitos podem imaginar. Pois bem, ouvi a seguinte indagação: “O que está faltando na sua vida?”. Eu morava sozinho; tinha meu carro, me sustentava, tinha uma vida agitada, vivia cercado de gente e era bem comentado em muitos ambientes; possuia “amigos” das mais diferentes tribos. Desde os yupies do mercado aos grunges dos bares que frequentava; passando pelos companheiros de infancia e por aí vai. Naquele momento, segurando a porta do prédio eu achava que não faltava praticamente nada. Até o ano passado eu continuava achando isso. Já havia casado, minha vida estava razoavelmente estabilizada. Porém, emocionalmente alguma coisa me incomodava muito. Sentia-me um estranho para mim mesmo. Mas nada como uns tombos para ver que o mundo visto de baixo para cima é bem diferente e necessariamente não nos torna inferiores; muito pelo contrário. O sentimento de humanismo que tenho hoje é infinitamente superior ao que durante toda minha vida. Acho que pela primeira vez consigo andar na corda bamba da vida sem pendular de um lado para o outro e sem medo de olhar para baixo.
O recomeço pode ser duro em muitas situações; primcipalmente nas que são recheadas de dúvidas e emuma conjuntura indefinida como essa em que vivemos atualmente. Mas ao contrário de outrora, isso não me assusta mais; pois a vida é exatamente assim. Eu, ingenuamente acreditava que vida era uma linha reta onde minha falsa prepotencia seria capaz de superar tudo. Entratanto, apenas o auto conhecimento dos seus próprios limites e o fato de ignorar o orgulho e abrir as portas do seu âmago para quem se importa contigo são capazes de inicar os ensinamentos que levarão a respata da pergunta feita anos atrás: “Falta, e sempre faltará muita coisa. Pois o que somos hoje, apesar de consequencia do que fomos ontem, é bem diferente do que seremos amanhã”.

Coincidentemente ouvia “Imitation Of Life” do REM ... Mais do que um recomeço, esse final de ano inicia uma reinvenção, reconstrução e mais do que isso; um reconhecimento de uma vida. Mais importante do obter as respostas é encontrá-las por si só. A pergunta pode vir de fora, porém a a resposta, sempre deve em primeira mão, ser dada para você mesmo.

postado por: Bobby Bishop 3:31 PM

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Quarta-feira, Setembro 10, 2008

Quase ...

Escolhi essa palavra para servir de título desse post, depois de tanto tempo; primeiramente porque estamos quase no final do ano. Nem parece, mas daqui a pouco mais de 3,5 meses findará mais um período de 365 dias em nossas vidas. Por estarmos quase lá; hoje, caminhando de volta para casa percebi que esse foi o meu ano do quase para muitas coisas. Mas ao mesmo tempo, percebi o quão importante foi ter quase atingido determinados patamares e limites, que me fizeram ter uma visão muito mais clara de quem sou, do que tenho e para onde quero seguir.

Certamente não economizei nem um décimo do que planejei para 2008. Mas também não me arrependo das estripulias que fiz. Ocorreram alguns gastos extraordinários; alguns sustos (e para os que pensaram que eu errei na digitação; alguns surtos também) e desvios no caminho econômico. Entretanto, todos eles me levaram ao conhecimento do valor do que possuo. Nessa quase entrada de final de ano; me lembrei de uma frase dita por um amigo meu alguns anos atrás onde eu estava longe de ser casado e morava sozinho em meio a inúmeras festas: “O que está faltando na sua vida”. Se as pessoas forem olhar pelo prisma atual, falta muito menos; materialmente, porém o lado da cabeça é que mais caminhou em todo esse tempo. Me arrisco a dizer que se não houve um quase esse ano, foi no sentido do auto-conhecimento; da entrega em nome de um ideal e de um sonho que sei não ser fácil. Mas que ao mesmo tempo me inspira em continuar adiante. Sempre fui aquela pessoa que não podia ouvir um “Eu duvido”. Quanto mais vindo de mim mesmo.

Sei que ainda não podemos nos considerar no quase fim de ano; contudo, também deixei de lado os quase amigos. Aqueles que se preocupam com o que você representa e de alguma forma agem de forma especular, transformando-o naquilo que eles são e tirando de você mesmo aquilo que você é. Alguns podem encarar esse sentimento como inveja. Mas eu vejo por um lado bem diferente. A inveja é pensada e arquitetada; possui quase um quê de vingança. Porém, a mania de espelhar nos outros nossos próprios defeitos, tentando ser a melhor pessoa por eliminação das qualidades alheias, não passa pelo consciente. Se a inveja é um prato que se come frio; esse tipo de sentimento inconsciente não é oferecido no meu cardápio. Sou o que sou e ponto final. Não existe um quase eu. Por isso que muitos nesse ano tornaram-se cada vez mais próximos e outros foram afastados gradativamente.

Outra coisa que me lembrei é que todo esse pensamento que fluiu em um caminhada cotidiana de aproximadamente 5 minutos, praticamente me levou ao ano que vem com a esperança de um período sem quases. De muito mais realizações, planejamento e, principalmente, simplicidade. Essa seria a resposta dada ao meu amigo se ele repetissse a pergunta atualmente. Parece que finalmente aprendo a seguir minhas próprias palavras; pois olho para os lados e possuo tudo que sempre desejei. Por outro lado, olho para dentro e vejo um mar de indecisões, ansiedade e angústia. Por isso precisei dessa “quebrada” no dia de hoje. Precisei resolver um problema particular e voltei pelo mesmo caminho só que em outro horário. O movimento das pessoas, a diferente configuração do lugar, as trajetórias caóticas tomadas cpor cada transeunte me fez realizar que a vida é muito mais do que eu imagino. Se eu ficasse no intuito de sempre suprir todas as expectativas e não resolvesse esse turbilhão de emoções que carreguei comigo quase esse ano todo; não seria capaz de abrir os olhos e ver que sou muito mais afortunado do que imagino.

Dessa forma, olhar para frente torna-se um grande prazer. Mesmo com todas as dificuldades e consequencias de determinados atos impensados, mas que trouxeram prazer no presente; serão recompensados por uma coisa que ninguém leva de nós: “O que somos capazes de aprender com nossas atitudes”. Repito que essa rápida caminhada me trouxe até meu computador para escrever, coisa que não fazia a muito tempo e que sentia uma extrema falta. Colocar meus pensamentos no “papel” faz parte de uma espécie de terapia coletiva. Não me importa quantos, quando ou quem dividirá minhas idéias e opinará sobre elas. Entretanto eu gosto de fazer isso e nenhuma quase me deixará de lado deste teclado.

Gosto daqui, do que escrevo e aprendo, refazendo cada passo dos meu momentos enquanto articulo meus pensamentos por aqui. Como cinco minutos de uma simples caminhada cotidiana podem mudar o rumo de um dia; abrir os olhos para um futuro sem quases; com mais sacrifício, talvez, porém com muito mais expontaneadade e a certeza de ter saído da trilha e estar no seu próprio caminho. Confesso que com 34 anos ainda não tenho certeza do meu; mas estou quase lá.

postado por: Bobby Bishop 8:49 PM

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Segunda-feira, Julho 07, 2008

De perto ninguém é normal

Mais uma vez a correria impediu-me de escrever. Na verdade, ela impediu que meus pensamentos fluíssem na direção que me conforta; no sentido que me faz ver a vida pelas entrelinhas e observar que o simples é o melhor e o mais confortante. Esse tem sido o caminho que descobri quase que de repente. Lembro-me que muito tempo atrás eu disse que um dos meus maiores objetivos era ser mais calmo e centrado; menos impulsivo, porém sem deixar o romantismo de lado. Ainda estou longe de alcançar tudo isso, mas atualmente traduzo a minha impulsividade em velocidade de raciocínio. Ao abrir minha mente para novos pensamentos; além de assumir meus defeitos e efetivamente procurar arrefecê-los, consigo encontrar um atalho para atingir meus horizontes. Uma nova trilha onde ajudar tem sido mais constante; tanto quanto a presença da paciência e da calma que outrora passavam longe deste ser. Recobrei meu sentido de abstração ao andar em uma rua com casa antigas e imaginar como tudo aquilo era 50 anos atrás. Olhei uma praça antiga com pessoas de idade conversabdo, crianças correndo e um pipoqueiro na frente de um prédio que devia ter mais de 50 anos .... parei por alguns segundos e imaginei como a vida daquelas pessoas era tão diferente da minha. Normalmente eu já acordo domingo pensando se vou à praia ou não, que hora almoçarei, quando é o jogo de futebol do meu time e se vou ao cinema ou pegarei um filme na locadora. No entanto, aquelas pessoas estavam apenas desfrutando o tempo, sem nenhuma parafernália tecnológica ou pensamentos ansiosos. Algumas liam um jornal popular enquanto fitavam um raio de sol entre as árvores ... E isso tudo acontece a cada final de semana a menos de 10 minutos de ônibus da minha casa e a aproximadamente 30 minutos andando.

Inúmeras vezes fui contrário ao termo "satisfeito". Passava-me um impressão de contentamento e perda da boa ambição do desejo de realizar os próprios sonhos. Porém, os sonhos podem mudar. Podemos encontrar uma bifurcação no caminho da vida onde teremos que escolher entre esquerda ou direita, sem direito à retornar. Repito, sinto que grande parte do dever comigo mesmo foi cumprido. (Ainda bem) Perdi aquele ímpeto de me superar sempre e o péssimo hábito de demonstrar uma pessoa que até admiro, mas não é que eu desejo ser. A frase dita várias vezes ecoa em minha mente: "Não seja enganado pelo dogma - que é viver a sua vida pelos olhos dos outros". O melhor disso tudo é ter o sentimento de renascimento; o mesmo nome dado a Era das Luzes e do Conhecimento. Ao tempo que a humanidade "acordou" para os seus talentos e descobertas. Não possuo mais o grande medo de uma derrota ou a louca vontade de vencer a qualuqer custo. Tornei-me "normal". Isso porque ao olhar as pessoas mais de perto, realizei que a minha vida é muito mais parecida com as dos meus amigos mais próximos, que eu nem tinha idéia disso. Passei anos exagerando meus problemas e compensado esse desajuste com conquistas que exigiam muito mais do que eu poderia fornecer. Mas felizmente dei chance ao tempo para que ele me ensinasse. Humildemente abaixei a cabeça e reconheci algusn desvios do passado afim de trilhar meu caminho rumo aos sonhos mais antigos; aqueles que andam conosco diariamente desde a nossa infância e adolescência.

Dois meses atrás tudo parecia dar errado. Sentia-me um pólo negativo que atraia grilhões que prendiam-me à terra enquanto a vida passava. Novamente volto ao ponto de que nossos pensamentos são capazes de afastar maus sentimentos e inconscientemente no colocar no rumo certo novamente. Nunca quis ser tão "normal". Ser apenas mais um. Ser o dono da minha própria vida .... Se de perto ninguém é normal. É dessa mesma distância que percebemos que somos todos humanos. Mas para que essa percepção venha à tona; temos que nos aproximar de verdade de nós mesmos. Ou deixar que alguém ou algo nos pegue pelo braço e nos mostre qual a real essência do que buscamos.

postado por: Bobby Bishop 7:55 PM

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Domingo, Junho 08, 2008

Pular de Pára Quedas

Não fiz literalmente, mas como sempre recomendei, desde o meio da última semana fiz mentalmente esse exercício: fechar os olhos e imaginar-me em queda livre. Claro que só poderia imaginar tal fato, já que tenho medo de altura. Entretanto, a cena em si não significa vencer nenhum medo interno ou suplantar nenhum trauma passado, quer dizer apenas largar os remos e deixar a vida acontecer. Mais ou menos como a música do Bad Religion chamada “No Control”: “You have no control / You do not understand / You have no control / You are not in command”. Por isso a metáfora com o pára quedas. Quando salta-se de um avião, dependemos apenas da abertura do pára quedas para chegarmos à salvo no solo. Por mais que tenhamos checado todos os itens de segurança, uma pequena falha inesperada ou talvez, uma pequena peça defeituosa pode fazer com que o salto seja o último. Contudo, o prazer de saltar será levado conosco para eternidade. Não sou nenhum paranóico em controlar tudo à minha volta; muito pelo contrário. Diversas vezes sou taxado de bagunçado e espontâneo demais. Porém confesso que tenho uma preocupação acima da média com o futuro. Sem dúvida são características antagônicas. Mas geminianos são assim por natureza.

De volta ao pára quedas; realizei que muito dos meus supostos problemas foram ou são causados pela minha própria imaginação ou ansiedade em antecipar o tempo (como tenho falado e pensado nele ultimamente, não é?). Por isso a visualização da minha imagem em queda livre, sem nada ao meu redor, somente na dependência de puxar uma cordinha para conter a satisfação ou o pânico, traz consigo uma sensação única de liberdade. Extermina-se a necessidade de grudar a mão no volante que guia minha vida rumo ao futuro sempre incerto e permite-me abrir os braços rumo ao inesperado. Imagino que devido aos muitos acontecimentos inesperados e desagradáveis que se passaram nas duas semanas anteriores à última, eu estivesse imergido em um estado de espírito carregado demais. Mas, da mesma forma que fui albarroado por fatos desconfortáveis, a sensação e alívio tornou-se presente. Fui empurrado do avião amarrado ao pára quedas e o medo de altura transformou-se em alívio. O mais intrigante de tudo é que nenhum dos problemas reais foi resolvido. Passei apenas a ver que meus problemas são comuns à todos que vivem em nossa sociedade. Não me sentia mais diferente nem sobrecarregado. Voltei a me olhar no espelho e enxergar-me novamente como sou: um eterno otimista.

Em pleno domingo, acordei às 7:10 da manhã e liguei a TV para ver se o sono retornava. Encontrei uma comédia européia que me fez refletir ainda mais. Quanto mais temos ou desejamos, mais problemas ou preocupações habitam nossa mente. Tenho a exata noção de que ainda preciso me desprender de algumas futilidades. Por outro lado, também admito que já trilhei um longo caminho no sentido da simplicidade que esvazia nossas idéias, dando lugar a satisfação de otimizar o tempo (sempre ele!) da maneira mais simplista e prazerosa possível. Depois de 3 finais de semana com diversos eventos sociais e conturbações da vida moderna, estou dois dias em casa, atravessando a portaria rumo apenas às minhas necessidades básicas, sem nenhum outro tipo de compromisso com nada nem ninguém. Tais fatos abriram meus olhos para como nós mesmos, ou nosso inconsciente, ou até mesmo o inconsciente coletivo do qual participamos, infere obrigações e protocolos inexistentes. Se não experimentarmos o espírito contido no salto de pára quedas, deixamos que nosso âmago seja invadido pela vontade alheia. Repito que os obstáculos continuaram os mesmos, mas o estado de espírito mudou completamente.

Aproveitando, não poderia deixar de comentar sobre um assunto que tenho conversado muito em casa, com minha mulher e com a minha própria família: como o fato de nos cercar de pessoas positivas, que almejam apenas o nosso bem e que não possuem aquela inveja absorvida pela competitividade banal do mundo moderno nos faz bem. Muito bem por sinal. Pessoas que não se importam para onde viajamos nas férias, qual o carro que temos e por que nossa casa está dessa ou daquela forma. Pessoas que não contam vantagem ou que não imaginam que a felicidade é relativa; pois se o próximo está mal, significa que eu estou melhor; mesmo que sem os sonhos e a vida que realmente esperava. Por isso fechei-me ainda mais no meu círculo familiar e de verdadeiros amigos. Aqueles que nem a distância e as atribulações separam.

Pois bem, quase 11:00 da manhã e o domingo será na casa de amigos, daqueles que nem precisa-se pegar um carro (até porque aqui em casa estamos momentaneamente a pé). Por isso, se permitem-me plagiar um cara que admiro bastante: “Stay hungry. Stay foolish”

postado por: Bobby Bishop 11:10 AM

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Quinta-feira, Maio 22, 2008

Tempo

Mais uma vez fiquei bastante tempo sem escrever. Talvez seja por isso que voltei falando exatamente dele: o tempo. Certamente ele nos acompanha diariamente e passa desapercebido diante de nossos olhos. Entretanto, quando damos conta da sua presença, o mesmo já se foi. Por mais tecnologia que tenhamos, não podemos controlá-lo ou colocá-lo em uma caixa para presente. Costuma-se dizer que ele é relativo. Mas relativo à que? Podemos derivá-lo às nossas experiências, nossas conquistas, avanços, perdas, passagens ou qualquer outra coisa. Mas qual seria sua definição afinal? Por si só seria uma perda de tempo buscar tal explicação. Então, por que simplesmente não aproveitamos a sua passagem? Ele é um bem infinito e ao mesmo tempo fugaz. Começa e termina e si mesmo eternamente em um moto contínuo que suplanta nossa existência. Apesar de possuir sempre o mesmo compasso, ás vezes achamos que ele passa mais rápido ou devagar; ou que mais ou menos coisas cabem dentro dele, como se pudéssemos dobrá-lo. Confesso que meu maior desejo seria apenas vê-lo passar ou ignorar a sua existência; pois o tempo é o pai da ansiedade ou o amor perdido que não volta nunca mais. Por outro lado, também pode ser visto como fiel escudeiro que sempre estará ao nosso lado se soubermos lidar com suas peculiaridades.

Ao analisar o tempo como uma reta contínua, o hoje confunde-se com o ontem e o amanhã. Na verdade o ideal seria vivermos em um mundo atemporal, onde apenas as rugas e o envelhecimento natural de nosso corpo fosse a medida da nossa estada nessa vida. Gostaria de imaginar uma existência onde as palavras antes e depois não tivessem sentido.

Acho que me distancia muito das palavras ... não consigo transcrever meus pensamentos. Acho que farei exatamente o que tentava escrever: ver o tempo passar e observar o silêncio que precisava habitar minha mente.

postado por: Bobby Bishop 2:16 PM

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Terça-feira, Abril 22, 2008

Reticencas ...

Faltam três dias para acabar as maiores férias dos meus últimos anos. Definitivamente eu não tinha idéia de quanta coisa poderia ser feita em 23 dias. Mais do que isso, mal sabia quão devastadoras poderiam ser as conclusões retiradas das reflexões feitas nesses momentos de total abstração do cotidiano que a tanto tempo me acompanhava como um acompanhante indesejável. Sempre indiquei a muita gente o livro chamado “A Essencial Arte de Parar”. Nesse exato segundo me encontro absorto em uma atmosfera longínqua, física e mentalmente, de qualquer coisa que lembre o meu dia a dia. Envolto nesse clima, os primeiros dias de férias pasam em minha mente como tivessem acontecido ontem. Mais uma vez fui autêntico e andei na contra mão da alta temporada dos lugares da moda e praticamente me refugiei em um balneário onde certamente voltarei mais vezes. Baixa temporada, poucas pessoas, tempo e economias para serem gastas como eu desejasse. Deixei rastros de meus pensamentos em diversos recantos, restaurantes e conversas com desconhecidos. Porém, acho que o melhor de tudo e, talvez, o mais óbvio, novamente veio à tona: ler e escrever excitam minha mente de uma forma muito saudável. Não sei se por sorte, estou ouvindo as músicas que mais gosto após ter degustado uma das bebidas que mais aprecio depois de ter conhecido lugares novos que despertaram novos pensamentos e objetivos.

Mas enfim, o que mudou? Na essência, praticamente nada. Entretanto, a autencididade talvez tenha aumentado e, certamente, a percepção tornou-se mais aguçada. Reecontrei-me comigo mesmo. Realizei que pouquíssimas pessoas sabem quem realmente sou e o que realmente desejo. Podemos segurar a onda por anos, muitos anos, mas uma hora a represa arrebenta. A bússola aponta para o lado certo. Cara (se alguém pudesse me ver pronunciando essa palavra “cara” ouvindo Small Town, entederia exatemtente o que estou querendo dizer). Parece que depois de muito tempo eu tenho um plano traçado e a fé de que seguirei-o até o fim.

“I took a drive today / time to emancipate / I guess it was the beatings that made me wise …
It wasn´t my surface most defiled … Hand´s on my face / pushed to the ground / forced to endure / what I could not forgive”

Nada é por acaso. Digo isso por que estava esperando meu vôo no aeroporto e decidi comprar um livro. Acabei de lê-lo ontem de madrugada. Um romance que muitos achariam barato e de pouco interesse; mas que expandiu meu campo de visão nas direções que almejo. Em primeiro lugar, relembrei que decisões quando tomadas, poucas vezes são reversíveis. E esse é um dos maiores baratos da vida. Observar por esse prisma repele qualquer tipo de arrependimento; impulsionando-nos para o caminho do aprendizado. Li outro dia que “O futuro e o passado turvam nossa visão do presente”. Concordo em parte. Prender-se ao passado sem dúvida não nos leva a lugar algum. Porém, uma visão de futuro definida nos coloca no rumo certo para atingirmos nossos objetivos enquanto estivermos permanecendo nesse planeta. Acho que aprendi a abrir mão do agora em nome dos meus sonhos. Não quero mais sonhar acordardo. Desejo viver acordardo. O que é muito diferente do auto engano de que um dia iremos alcançar aquilo que não lutamos o suficiente para conseguirmos. Esse é o motivo pelo disse acima que a precepção aguçou-se. Percebi que muitos não só querem, mas lutam com todas as forças, para continuarem dentro de uma redoma ilusória criada apenas para confortar e esconder seus defeitos. Insistem em dizer a clássica frase que são assim e ponto final. Por que repelir com tanta veemencia a mutabilidade? Já coloquei inúmeras vezes que melhorar não siginifica abandonar o que somos. O medo do desconhecido e de novas responsabilidades são grilhões que nos acorrentam ao passado que, em muitos casos, desejamos apagar de nossas mentes. Mas a liberdade é impossível se não abstraírmos no sentido da evolução. Precisamos sentir nas veias a sensação de pular de pára-quedas. Da adrenalina positiva que nos guia para nossos sonhos. Não tenho vergonha de adimitir que ainda preciso esquecer determinados medos e ouvir mais o que digo para os outros. Entretanto, ter a consciencia disso já é o suficiente para iniciar uma mudança positiva.

Por último, mais uma vez, verifiquei que é fácil demais viver com pouco. A única coisa que devemos possuir além da média é coragem. O resto, de alguma forma, resolver-se-á. Não sei se já escrevi por aqui; mas me considero muito novo para todas realizações que obtive. Muitas fruto da minha competencia. Diversas fruto de muita sorte. Porém, talvez, a maior delas, a que costumo chamar de “cereja do bolo” ou de “helicópetero” (digo isso porque encaro que não deixei-me resgatar para a vida que alemjava, ou ainda almejo), deixei passar por puro cagaço. Isso mesmo, logo eu, tive cagaço de largar todo meu conforto em nome de um (senão o maior) sonho de todos! Aquele que seria o famoso ponto de inflexão. No máximo mais um dessa magnitude tenha cruzado o meu caminho. Também deixei passar ... Se me arrependo? Não. A lembrança de ambos trazem consigo um sorriso de canto de boca que me faz sentir muito humano. É aquela sensação da existência. Existe. Ponto.

Acho que por enquanto é isso ... cada vez mais perto. Não importa quanto tempo leve. Estou cada vez mais perto. “Heal it up”.

postado por: Bobby Bishop 9:48 AM

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Domingo, Março 30, 2008

Viver em sociedade ...

Essa semana passei grande parte do meu tempo disponível observando como são os relacionamentos entre as pessoas quando inseridas em um determinado meio e fora deles. Admito que fiquei profundamente assustado com a forma conveniente e incoerente adotada por grande parte dos nossos iguais. Não sei se tais conclusões possuem fundamentos nas constantes mudanças comportamentais pelas quais eu tenho passado. Talvez eu até mesmo seja um dos incoerentes em negar muito do que já fiz na vida. Entretanto, prefiro entender como um processo de maturidade de adaptação às novas realidades que as minhas escolhas trouxeram consigo. Contudo, estabelecer uma convivência harmônica com a sociedade estupidamente midiática, competitiva e capitalista de hoje em dia é uma tarefa quase Herculana.

Mas como sou movido à desafios, resolvi traçar meus objetivos nesse sentido e tornar-me um pouco a antítese do que fui no passado e do estigma que ainda carrego pelas minhas atitudes tomadas anteriormente. Por exemplo, nesse final de semana realizei que há mais de 15 dias não compro nada que não seja para suprir minhas necessidades básicas (desculpem-me, mas uma garrafa de vodka no final de semana é uma necessidade básica). Enquanto isso, vejo todos os meus pares e superiores no trabalho desfilando de Iphone sem saber 1/10 das funcionalidades. Confesso que meu celular não é nada básico, mas para que comprar um aparelho que não será usado nem em 10% da sua capacidade? Diariamente lemos que as empresas buscam a eficiência em seus processos e otimizam seus custos em busca de melhores resultados. Mas por outro lado, a maioria dessas prega que o ser humano comum compre aquilo que não precisa e gaste no que tornar-se-á obseleto em 6 meses (como o próprio Iphone, qua já tem sua nova versão 3G com data de lançamento marcada). Longe de mim ser contra a Apple, até mesmo porque tenho um MacMini que acho sencional e prático, pois permite que minha esposa use o Windows e eu fique com meu MAC OS X no mesmo computador. Porém, isso tem utilidade e nos trouxe um bem estar que compensa o investimento.

Aliás, Bem Estar foi o tema principal da minha última terapia antes das minhas férias em abril (estou fazendo questão de levar meu notebook para postar totalmente relaxado tomando umas pinas coladas). Essa questão nada tem haver com sucesso profissional (pois se tivesse eu não teria motivos para ter várias issues na minha cabeça), dinheiro ou fama. Bem estar tem a ver única e exclusivamente com você mesmo. Tem a ver com sentar na sala meio iluminada pela luz do dia, abrir o notebook, colocar Massive Attack no som e deixar os pensamentos fluírem ... Passo toda minha semana trabalhando com números, projeções e formas de mostrá-los para que os outros vejam o que eles querem ver. Sentar-me à mesa para escrever livremente sobre minhas idéias, promove uma sensação de liberdade indescritível. Muitas vezes, essa deliciosa sensação confunde-me no sentido de que se ela é tão boa, por que enveredei por um lado profissional tão cartesiano? Na mesma hora vislumbro um futuro muito diferente para mim. Nem tão longe dos números; mas bem mais próximo das palavras e sentimentos que não podem ser demonstrados em equações e planilhas frias. O deprendimento material e a sensação de reaização antes dos 34 anos tem me deixado muito menos ansisoso. A cada dia estou aproximando-me da minha simplicidade e execrando o status. Repito que essa pseudo solidão atrás do monitor embebedam-me como se fossem o melhor dos vinhos. Dividir meus princípios sem nenhum compromisso cria uma intimidade virtual que o mundo real tenta extinguir diariamente. Hoje todos querem mais. Não mais ou melhor do que foram ontem; mas melhor do que os outros são hoje. A auto estima deu lugar ao ego e a obstinação deu lugar a obsessão. A sociedade tem sede em demonstrar o que não é e esconder seus medos e fraquezas. Aceleramos nossas vidas mais do que devíamos em prol de um reconhecimento que não gostaríamos de ter.

Paulatinamente busco a simplicidade em seu sentido literal; desprendendo-me dos medos que não possuem sua causa em minhas atitudes. Preparando-me para o futuro de forma mais segura e menos infantil. Afinal de contas, um dia temos que nos dar conta que somos efetivamente os donos de nossos narizes e que isso traz consigo uma responsabilidade que, em alguns casos, não estamos preparados para assumir. No entanto, a maior responsabilidade que temos é conosco. Estamos aqui para viver a nossa vida. Insisto que em uma proporção diariamente maior, a sociedade tornou-se uma manada movida pelos interesses de poucos. Procuro não levar essa discussão para o foro político afim de não conturbar mais o assunto. Entretanto, insisto em bater na mesma tecla: qualquer atitude começa a partir de nós mesmos. Apontamos o dedo para todos os lados, menos para o espelho. Culpamos a sociedade mas nos deprimimos ao nos sentir excluídos dela. Nossa mente, corpo e alma já são um grande organismo social onde o bipartidarismo e a luta de poder entre a razão e emoçao existe desde que nos entendemos por gente. Isso sem considerar o nosso lado mais de “esquerda”, liderado pela ala do desejo, luxúria e libído; contraposto com os nossos valores mais conservadores de origem familar e algumas vezes religiosas.

Estava com saudade de abstrair nesse nível ... Sentir o corpo na cadeira e a mente em algum lugar que desconheço. Contudo, para não curvar demasadamente a linha de raciocínio: dependemos mais de nós mesmos do que imaginamos. Mas para atigirmos o equilíbrio, precisamos estudar e refletir e, principalmente, nos adaptarmos às mudanças sem depositar o ônus do esforço em terceiros; pois como li nessa semana:

"Adaptação

A palavra-chave para se reencontrar, diante de uma escolha a ser feita, é adaptação. Isto implica aprender a comportar-se em situações de incerteza, com o intuito de tomar decisões lúcidas, mesmo quando estamos inseguros. "A habilidade de adaptar-se é crucial para termos equilíbrio em uma vida tão instável, reflete o coach.

Segundo o especialista, trabalhos recentes mostram que, quanto maior a necessidade das pessoas de transcender suas dúvidas e receios, mais altas são as chances de ser feliz."

Logo, nós somos a nossa maior barreira e a maior fonte de equilíbrio. Talvez devessemos transcender a sociedade no sentido do indivíduo; da adaptação no sentido da melhor forma de bem estar que nos apetece dentro de nossas conições. Afinal de contas, somos a célula matter de qualquer sociedade.

p.s. Mais importante do que tudo é o poder de abstração. Quando em boa companhia, apenas um olhar ou pequenos gestos já demonstram a intenção. Essa é que deve ser levada em conta. O ato em si começa dentro de nossas mentes e tentamos escondê-los de nós mesmos. Tudo na vida é especial quando se tira um apredizado. Quero continuar aprendendo até o fim ... É como ouvir jazz nesse exato momento. É como ouvir que o ponto não deve ser usado no lugar de reticencias. Exatamente! Reticencias são o canal para abrir o portal da abstração. Não digo mais "ponto" (E o jazz come solto). Reticencias demonstram muito mais a minha essência. A incerteza da certeza de ótimos dias. De que o que buscamos pode ser alcançado. O sentimento de que é só esticar o braço. A abstração em sua forma mais rudimentar ... Estique o braço ....

postado por: Bobby Bishop 2:52 PM

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Sábado, Março 15, 2008

Voltando aos trilhos

Muitos reclamariam de um sábado chuvoso após uma semana de trabalho. Mas confesso que estou muito satisfeito com esse clima agradável de final de semana. Talvez tudo tenha começado ontem à noite; quando resolvi sair cedo do trabalho e supreender minha mulher com um belíssimo jantar em um restaurante tailandês. Parecíamos recém namorados, mesmo depois de mais de 3 anos juntos. O ambiente, as bebidas diferentes e a exótica comida contribuíram para uma atmosfera relaxante que se fazia necessária há meses. Ainda (bem) contaminado por todo esse clima, chegamos em casa e usufruímos um pouco da tecnologia que o mundo moderno que tanto critíco nos provê: coloquei uma boa setlist no quarto e via apple airport deixei o som rolar na sala. Obviamente que o jantar estendeu-se por uma maravilhosa festinha à dois.

Comecei falando disso, pois hoje de manhã me dei conta de quantas coisas corriqueiras e cotidianas, daquelas que nos dão prazer, eu havia deixado de fazer. Portanto, acordei, li uma revista, arrumei minhas coisas, gravei um CD, acendi um incenso e resolvi sentar para escrever em outro lugar que não o famoso “quarto do computador”. Trouxe o notebook para sala e postei-me à frente do recanto da casa que mais gosto. Um pequeno retângulo onde fica uma poltrona, meus cd´s, meu som e uma pequena janela de onde posso observar as árvores que separam um bloco do outro; além do prédio da frente, é claro. Contudo, o que mais me motivou a escrever esse post foi a reportagem da revista Época sobre o Poder da Infelicidade. Óbvio que nenhum ser humano, afora os extremamente masoquistas, gostariam de dizer que vivem infelizes e não desejam mudar sua condição de vida. Mas tenho que concordar, até mesmo pelas minhas caractrísticas pesoais, que quando estamos atravessando uma fase, digamos, descontente de nossa vida; tendemos a dar mais importância às pequenas coisas e nosso infinito desejo de querer mais torna-se mais adaptável às nossas condições financeiras e limites psicológicos. Ou seja, talvez, momentos de infelicidade sejam necessários para colocar nossos pés no chão afim de que possamos buscar o máximo de felicidade possível dentro das nossas reais condições enquanto seres humanos.

Embuído nesse espírito de buscar o pouco que agrega demais; nessa manhã de sábado iniciarei um novo modus operandi de viver. O primeiro passo será me ouvir mais. Outro dia abri o dicionário Michaellis e constatei que o primeiro significado para a palavra ouvir é entender. Ou seja, se eu mesmo não estava ouvino o que dizia para os outros e o que minha voz interior tentava me explicar, por consequência eu não estava me entendendo; desnorteando-me dentro da minha própria vida. Portanto, serei mais comigo mesmo o que digo pra os outros. Despir-me-ei da máscara da fortaleza e do homem bem sucedido profissionalmente para agir com mais naturalidade e despreocupação com o futuro. Isso não significa tornar-me um aloprado. Entretanto, possui uma ligação direta em provocar situações e momentos como o de ontem e o atual, onde escrevo com um sentimento de paz interior e calma que não me recordava da existência. Precisava muito desses momentos só meus. Desse reecontro, mesmo que breve, comigo mesmo. Sinto um prazer enorme em escutar meus cd´s de Chill Out, escrever e enumerar derivações sobre a condição humana. Não sou filósofo nem me sinto na capacidade de exercer tal função. Porém, como economista, e estudiodoso de uma ciência social que cada vez mais permeia nossas vidas; gosto de expor meus pensamentos sem me importar com a forma; pois a importância do conteúdo é a materia prima para uma boa reflexão e projeção de um futuro que acalente nossas almas tão sonhadoras e desejantes. O erro não reside no desejo; mas sim no objeto desse.

O barulho da chuva na telha da área de serviço acalma-me ainda mais. O som agora é um Chill Out: Jazz Time. Sinceramente, quem me conhece, jamais imaginaria um DDA hiperativo em um ambiente envolto por toda essa paz. Daí a necessidade de desnudar-me da armadura que a vida e minhas próprias escolhas vestiram-me. Muito tempo atrás imaginei que o termo “Voltar aos Trilhos” significaria o retorno à minha vida acelerada e recheada de excessos. Nesse exato segundo realizo que essa “Volta” não remete à um recomeço e sim ao início de uma nova fase; que tenho absoluta certeza que renderá frutos muito mais agradáveis. Dessa forma, atravessar o deserto e ocasionalmente sentir-se triste, perdido e sozinho; pode transformar-se no combustível necessário para encontramos quem realmente somos como um todo.

Um brinde à boa vida que desejo para todos vocês.

postado por: Bobby Bishop 11:52 AM

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Domingo, Fevereiro 24, 2008

A Corrosão do caráter

Depois de muito tempo, estou tendo um domingo sem nenhum compromisso. Acabo de abrir um vinho, colocar uma taça ao lado do teclado e divagar sobre um assunto que esteve em minha cabeça durante toda semana … Há pouco tempo atrás, durante um evento da empresa onde trabalho, fui apresentado ao livro cujo tem o mesmo nome do tema desse post. Ainda não o li; mas acabo de encomedá-lo. Durante o papo descontraído e bem eclético; pois envolvia um funcionário da TI, um economista nato como eu e uma pessoa do RH; discutíamos como, atualmente, as relações humanas estão limitadas aos diferentes ambientes em que vivemos. Ou seja, enquanto trabalhamos em tal empresa, nos relacionamos diariamente com aqueles que nos cercam e criamos uma tênue linha de amizade com fronteiras muito bem estabelecidas e protegidas por muralhas muito bem guardadas. Se mudamos de área ou empresa. Tudo isso fica para trás e um novo ciclo se inicia. Como hoje em dia são poucos que podem abrir mão de vender sua força de trabalho, nossas amizades parecem ser estabelcidas por projetos. Finda o projeto, partimos para outra e a tênue linha que nos entrelaçava com os iguais à nossa volta arrebenta-se naturalmente. Não construímos mais amizades nos lugares onde passamos a maioria de nosso tempo. Estamos mais tempo sob as cobranças naturais do mundo capitalista do que com a nossa família e conosco. Portanto, por esse prisma, observamos que a fugacidade está encravada em nosso dia a dia. Nos vendemos e usamos os semelhantes de forma à garantir nosso pagamento mensal. Nada mais do que isso.

Tal reflexão me fez questionar: “Quantos amigos verdadeiros eu fiz alongo de quase 14 anos de trabalho?”. A resposta foi assustadora! Eu diria que três! Sendo que um indiretamente, pois era amiga de alguém do trabalho. Da época de faculdade eu posso dizer que 4. Dos amigos verdadeiros de infância, sem dúvida alguma somente três. Colegas, infinitos! Assim sendo, a teoria do livro parece muito certa. Principalmente no trabalho, a competição torna-se mais venal e transparente. Pior ainda quando levada para o lado pessoal. Onde procura-se denegrir a imagem de todos, para por eliminação, tornar-se bom ou provido de algum valor profissional; já que o moral foi deixado de lado há muito tempo. Já que falei nisso, essa tem sido uma prática constante em nossa sociedade e meios relacionais: falar mal dos outros e intrometer-se na vida alheia apenas para dizer que o lado de lá em ruim; ou até mesmo todos os outros lados são ruins. Pois, dessa forma, nem precisamos exaltar nossas qualidades. Se tudo é mal, não serve de exemplo ou inconscientemente compete conosco, ameaçando nosso status mental de superioridade, surgimos como as melhores pessoas do mundo sem ao menos dizer uma característica sequer. Deixamos de ser indivíduos e passamos a ser o que os outrso não são. Isso é a materialização da mesquinharia … E obviamente temos que conviver diariamente com isso. Porém, tal convívio nos torna mais leves em relação a nós mesmos. Passamos a nos analisar e ver que não precisamos do parâmetro alheio para provar nosso valor, justificar e consertar nossos erros. Nova vida é traçada por nossas decisões. Não adianta escondê-las dos outros ou fingir que todas elas foram corretas e altamente produtivas. Somente nós mesmos sabemos do que abrimos mão em nome de uma decisão tomada ou de um erro cometido. Não precisamos dos parasitas que se alimentam da vida alheia apenas para sentirem-se, demonstrarem ou enganarem-se de sua verdadeira posição.

Além disso, realizei que ao olhar nosso reflexo no espelho; não apenas vemos cruamente quem somos; mas, com um pouco de abstração e ausência de bloqueios, observamos, atrás de nós, os fantasmas que nos perseguem. Aquelas idéias e conceitos que nos levam pelos caminhos transversais à vida saudável e mais sincera. O espelho, quando devidamente utilizado, pode dizer muito sobre quem somos e mais ainda sobre o que não nos deixa ser. Ainda existe o tipo de gente nem vê o seu reflexo! Se vê atrás de uma imagem a ser perseguida. Ou seja, tornou-se o fantasma da própria vida! Está sempre perseguindo algum esteriótipo paradoxal ao próprio comportamento. Nunca consegue estar à frente. Veste sempre uma fantasia ao invés de simplesmente ser. Vive o dilema do príncipe sem ser o príncipe: “Está comigo pelo que sou ou pelo que significo”. Não sabe o que é e muito menos o que significa. Possui o caráter corroído por valores e competições futéis criadas apenas em um imaginário único, o qual esconde as verdades. Não a nada mais libertador que a verdade. Como li outro dia: “Prefiro a dor da verdade à ilusão da fantasia”. A verdade pode criar conflitos; mas sempre trás consigo aprendizado; interno e externo. A fantasia apenas nos coloca na posição defensiva; onde a todo custo e desonrha, devemos proteger a redoma do mundo imaginário onde nos inserimos.

Cada dia que passa valorizo mais os momentos vividos com pessoas que não perguntam como vai sua vida profissional e pessoal. São pessoas que dizem simplesmente: “E aí; como você está”. O critério da resposta passar a ser seu. Ela te deixa à vontade para levar o assunto para o caminho que você desejar. Sem julgamentos, parâmetros pré-estabelecidos ou qualquer coisa do gênero.

Antes, confesso que me sentia só por não ter tantos amigos e, particularmente, ser considarado uma pessoa que conhece muita gente. Na atual conjuntura, me orgulho do punhado de pessoas nas quais realmente confio. Posso tomar 1.000 garrafas de vinho com o mundo inteiro, mas pouqíssimos verão o líquido muito mais valioso das minhas lágrimas … Em um mundo que prega a corrosão do caráter em detrimento da sinceridade e transparência; prefiro continuar sendo visto como sou: incisivo, intenso e sincero. Se não são características elegíveis para pessoas de status; não edtou nem aí. É somente a mim mesmo à quem devo satisfações. E atrás do meu reflexo, existem cada vez menos fantasmas.

postado por: Bobby Bishop 1:32 PM

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Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

Soundtrack

Pela primeira vez escrevo um post de dentro de um avião; indo para Porto Alegre fugir das peripércias carnavalescas e buscar o descanso que tanto mereço. Mas confesso que a idéia inicial começou no meio da semana passada. Isso porque no caminho para o trabalho, ouvia calmamente minhas músicas e tive aqueles insights que só aparecem em nossas mentes quando estamos sozinhos no ônibus totalmente livres para aceitar qualquer pensamento produtivo que faça-nos sorrir e alimente nossa alma.

No presente momento estou ouvindo Pearl Jam – Live at the George, olhando as nuvens e o mar pela janela, digitando apertado na poltrona; porém feliz por estar em um estado de abstração no qual me sinto extremamente confortável. Muitas vezes encaramos a variável do tempo como um inimigo; mas, concomitante a isso, a salvação é totalmente grátis. Geralmente encaramos o natural envelhecimento como um processo que nos impede de sermos tão ativos como antes e que, até mesmo, nos torna chatos. Contudo, confesso que não dexei de fazer nada do que fazia há 10 anos atrás. Só que agora as energias são otimizadas de uma forma nunca antes aproveitada. A produtividade dos recursos aumentou e acho que isso pode ser considerado maturidade. Não sei ... o meu desprendimento em relação ao tempo me leva a uma posição privilegiada no tocante à observação dos fatos cotidianos. Realmente estou no caminho do apredizado de viver um dia após o outro. É muito melhor do que esperar por grandes surpresas. Por esse novo prisma, cada dia já é uma novidade por si só. Seja ela um papo com um desconhecido, um obrigado inesprado, uma realização pessoal, um voto de confiança de alguém e por aí vai. Além desses fatores, agindo dessa forma, inconscientemente nos prparamos para os possíveis revéses. Pois, afinal de contas, eles também não passam de supresas inesperadas ... Acho que estar mais próximos das nuvens capacita ainda mais a minha abstração. Meus pensamentos parecem estar na asa do avião ... Definitivamente isso é viver. Desprender-se das preocupações impostas pelo senso comum. Até mesmo o taxista que me levou ao aeroporto falava sobre isso. Sobre como nos preocupamos em demasia em acumular cada vez mais trabalhando para os outros e esquecemos daquilo que nos é dado de graça.

Coincidência ou não, começo a ouvir “I am Mine”. Isso me lembra alguns fatos que tenho notado frequentemente nas pessoas que me cercam, direta ou indiretamente. Cada vez mais nos tolimos e forçamos uma adpatação a um abiente que a sociedade nos impões como o mais correto. Lemos nas capas de revistas que é cool ser saudável e mudamos nossos hábitos. Lemos que a bolsa de valores faz milhonários do dia para noite e colocamos nossas suadas economias em um lugar onde não temos a menor idéia de como funciona. Estamos cresecentemente mais manipulados pela mídia e pelo inconsciente coletivo do que, supostamente, é melhor para nós. Deixamos de querer para aceitar o desejo que favorece somente a um punhado de gente. Obviamente que, apesar de acreditar que a autencidade é uma virtude impescindível, não tenho o idealismo de mudar o mundo sozinho. Mas pelo menos, me atenho com todas as forças ao controle do meu mundo, crenças e valores. Ainda acredito que o coletivo é a soma das individualidades de cada um de nós. Se dobramos os joelhos para os dogmas ditados por qualquer instituição, estaremos entregando a nossa vida para quem menos se importa conosco. Seremos apenas mais um a tentarmos nos encaixar em modismos e alongar nossos caminhos para onde nem sabemos. E já que nunca saberemos, porque não viver quem realmente somos agora? Defendo a teoria que os ser humano não muda em sua excência. Conformar-se com uma zona de conforto paradoxal em relação ao nosso interior é renegar a evolução e desprezar a variável do tempo. Como li essa semana: “Qualquer verdade, por mais dura que seja; é melhor que uma fantasia”. Ou seja, um dia a máscara cai. E aí, pode ser tarde demais.

Nesse momento o avião faz a curva ... curva que muitos tem medo de fazer, pois tal fato exige diminuir a velocidade, pensar e acelerar de novo. Exige mudança de direção; quebra de paradigmas, novidades e, mais uma vez, surpresas. Talvez por estar literalmente vendo uma pequena porção do mundo de cima, realizo que não somos nada perto da grandiosidade onde estamos inseridos. Exatamente por isso, quase sempre tomei o rumo contrário ao da manada em prol dos meus valores. Enquanto muitos pensam que, já que não podemos mudar o mundo, devemos fazer parte dele (“There is no other pill to take / So swallow the one who makes you ill” – Rage Agaisnt the Machine); enveredo pelo caminho de que como somos tão pequenos perto da imensidão que nos circunda; nada como sermos autênticos e vivermos de acordo como nossos valores guardados à sete chaves em nosso âmago. Afinal de contas, a vida, esse presente que recebemos de graça, é única.

Se pudesse, viajaria ainda mais; só pela vista e pela surpreendente calma e abstração que essa visão me traz. Essa é a vida: “A arte do desencontro”. Mas que no final, se tivermos o mínimo de fidelidade a nós mesmos e o correto sentido de evolução, encontraremos a felicidade objetivada por toda existência.

postado por: Bobby Bishop 2:06 PM

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Domingo, Janeiro 13, 2008

Ciúmes e Ciclos

Esse é um asunto presente, consciente ou inconscientemente, em cada dia de nossas vidas; tanto na situação ativa quanto nas passivas. Tal sentimento é um tanto contraditório nos dias atuais; pois “pregamos” uma sociedade cada vez mais liberal e lotada de liberdades individuais. Entretanto, muitos continuam com a sede de controlar aqules ou aquelas coisas que situam-se aos respectivos lados. Nunca desejemos tanta liberdade assim como nunca se viu tanto ciúme. É a excência do egoísmo: liberadade para nós e cerceamento alheio. Porém, é obviamente que a ausência de ciúmes está diretamente relacionada a confiança e a auto-confiança. Com isso, em um mundo cada vez mais instável, essa relação antagônica entre liberdade e controle do que nos cerca, parece estebelecer-se de uma forma cada vez mais forte.

Como disse acima, tudo passa pela confiança e, principalmente, pela auto-confiança. Mas como confiar tanto em si mesmo em um mundo cada vez mais competitivo; onde temos que demonstrar (ou aparentarmos) a cada dia que somos melhores que alguém? Onde a vida tornou-se um contínua olimpíada sem valores morais nem lugar para a máxima do “o que vale é competir”. Atualmente, não vale apenas ser você mesmo e fazer o melhor possível. A superação faz parte do cotidiano e assim, o ciúme atravessa as barreiras das relações afetivas, chegando ao local de trabalho e círculo de amizades, confundindo-se com o egocentrismo que reina em uma sociedade cada vez mais midiática e veneradora da fugacidade. Com a perpetuação desse comportamento, estaremos fadados a ansiedade crônica e a desconfiança diária que nunca teremos o que precisamos. Daí provém o ciúme; da dúvida que o futuro nos proverá o conforto material ou o consentimento afetivo do que já temos hoje. Não conseguimos mais viver “day by day”, estamos sempre a espera de algo mais, ou até mesmo exigindo algo mais, de quem está ao nosso lado. Buscamos a solução dos nossos problemas sem ao menos questionarmos se existe algum problema para quem nos dá suporte. Voltamos a figura do egocentrismo coletivo. Todos procuram posicionar-se no centro de um único universo. É como imaginar uma infinadade de buracos negros alinhados. Todos distorceriam o tempo e o espaço. Mas qual deles seria o sobrevivente final?

Felizmente (talvez somente para mim), sempre fui considerado um cara muito pouco ciumento. Sem falsa modéstia, sempre tive namoradas muito bonitas e uma mulher que chama naturalmente a atenção. Porém a simplicidade que tanto persigo, nunca me permitiu ter o sentimento de posse obsessivo sobre nenhuma delas. Como ouvi há muito tempo atrás: “Você é o cara mais autêntico que conheço”; utilizei-me dessa caractarística para alicerçar minha auto-confiança. Muitos, para não dizer todos, falavam que era impossível eu não ser ciumento. Mas a intensa busca pelo auto conhecimento e o eterno sentimento de que eu me “aturaria” se ficasse sozinho, serviam como uma muralha contra o ciúme. Por favor, não confundir pouco ciúme com desprezo e tolerância com falta de respeito. Contudo, quanto mais nos conhecemos; principalmente sabemos quais são nossos limites e adquirimos a experiência de manter a calma em momentos de crise; o ciúme torna-se extremanente secundário. Se não gostarmos de nós; se tivermos que nos esconder atrás de uma fantasia criada por nós mesmos para sermos aceitos; esse maldito sentimento sempre será um fantasma a nos perseguir. Talvez a melhor resposta a um ataque de ciúmes infundado, seja uma boa garrafa de vinho em uma mesa na varanda deuma humilde casa bem longe da capital; próximo a uma colônia de pescadores. Inclusive, uma prova da ausência de ciúme material, foi a incipiente, porém existente, especulação de largar tudo e vir para cá. Para longe dos grandes reinos dominados pelo ego e vaidade e mergulhar de corpo e alma na vida simples que busco desde que me entendo por gente.

Outro dia comecei a escrever um post inacabado sobre um reportagem que li sobre ciclos. Basicamente, as palavras diziam que devemos completar totalmente um cilco antes de passarmos para outro. Caso contrário, levamos as mazelas mal resolvidas adiante, impedindo nossa evolução como ser humano. Aos esfregar os olhos, me lembrei que tudo isso pode ser omparado as oscilações da vida atual; onde os gaps de euforia e depressão (assim como nas repentinas altas nos mercados de ações) sempre são fechados no sentido do equilíbrio. Mas por que motivo misturar esses dois assuntos? Somente porque não devemos atravessar uma fase de nossa vida sem que paremos para pensar qual a posição mais prósima do equilíbrio, de acordo com aquilo que nos acalenta da melhor forma.

Confesso que atravesso a fase mais ansiosa da minha vida. Muita vontade de chutar tudo para o alto e sumir do mapa um tempo. Por outro lado, mais uma vez, visualizei (da pior foma já vista) como o ser humano corporativo é totalmente diferente daqueles anônimos que vemos caminhar indo e vindo nas ruas. A cada 24 horas percebo que estamos na era das contradições; onde o egoísmo coletivo consegue manter a ordem em diversas empresas. Mas nada disso mudará se eu manter-me na inércia; fato que não deixo acontecer e nunca deixei. Sempre tentei manter-me em constante movimento, talvez para não ser pego de surpresa por aquilo que a minha constante esperança otimista, ao menos, tenta modificar. Não sei ... Aquele olhar perdido com um sorriso de canto parece surgir novamente. Talvez seja o pressentimento que mais um ciclo esteja terminando. Porém, mais certo ainda, é que o próximo, apesar de totalmente desconhecido, será muito mais amplo e agregador. Mesmo com todo meu cansaço mental (outro dia percebi que nos últimos 4 anos e 4 meses só tive 20 dias de férias) não deixo de enxergar uma luz cada vez mais forte no fim do túnel. Esse ciclo precisa ser fechado pois o novo urge por rebentar.

postado por: Bobby Bishop 11:09 PM

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Terça-feira, Janeiro 01, 2008

2008

Assim como a mágica do prazo de validade estampado nos produtos de supermercados, onde de um dia para o outro, o alimento deixa de ser aproveitável; o mesmo parece acontecer na virada do ano. Renovam-se as esperanças e o álcool regado nas festas torna inexistente todos os problemas pasados nos últimos 365 dias. Eu mesmo confesso que sou um desses. Até mesmo por ser um otimista nato, sinto que quase todos os dias tenho um revellion particular; onde espero que os ventos soprem na direção de um futuro melhor; dia a dia.

Por favor, estou muito longe de dizer que sou contra essas festividades, até mesmo porque é uma das raras épocas onde consigo rever meus amigos de anos e anos e posso me embebedar sem o peso na consciência de que haverá uma segunda feira logo ali à frente. Mas talvez, o motivo desse post tenha sido o sentimento de um 2008 muito melhor; onde as mudanças dependerão princiaplemente das minhas atitudes, coragem e força de vontade. As felicitações mútuas são sempre as mesmas. Entretanto, nesses próximos 365 dias resolvi assumir alguns compromissos comigo mesmo e me livrar de determinados medos que possivelmente estariam criando obstáculos no meu caminho para felicidade. Na verdade, além disso, acho que deixei-me levar pelo sentimento inocente de que basta determinadas 24 horas passarem-se, que a vida renova-se; assumindo novas curvas e caminhos menos tortuosos.

Passei o Ano Novo onde vivi toda minha adolescência e morei por mais de 15 anos. Revi os amigos, a virada da meia noite foi em casa, participei dos preparativos das comidas e pessoalmente escolhi os vinhos. Durante alguns momentos foi como voltar no tempo onde tudo parecia mais fácil e as responsabilidades não eram tão pesadas. Talvez, na verdade, elas não sejam! Tudo simplesmente faz parte da indomável evolução da própria vida. Ao mesmo tempo que instântaneamente vemos um futuro melhor à frente; envelhecemos mais um dia. Por isso, esse revellion ter tido um sabor muito especial para mim. Consegui aliar todos ingredientes e concatenar uma linha de raciocínio única; aliando todo processo de crescimento, as memórias passadas, as inevitáveis gargalhadas (por favor, existe uma enorme diferença entre "apenas" sorrir e gargalhar) e a certeza de um futuro bem melhor.

Toda essa áura que envolve minha mente está sendo alimentada pelas últimas semanas festivas e pela última noite; onde pude comprovar uma das minhas maiores buscas: a felicidade existe em uma proporção muito maior nas coisas simples. Agora realizei que muito dos meus conhecidos ficam planejando suas festas de fim de ano como princesas que aguardam o casamento com o príncipe encantado. "Minha" festa tinha a presença de 5 pessoas contando comigo. Depois, lá pelas 02:00 fui convidado a andar uns 5 minutos para rever mais alguns amigos na minha antiga vizinhança. Lá não estavam mais do que 8 pessoas. Ou seja, em duas "festas" não encontrei nem 15 pessoas. Porém, com toda certeza do planeta; não me diverti, não ouvi tanta sinceridade nem refleti tanto positivamente quanto nos últimos cinco revellions. Portanto, acho que um dos maiores sinais que 2008 será um ano de realizações pessoais é que as próprias "festas" de Ano Novo foram regadas pela simplicidade e sentimentos verdadeiros que tanto procuro. Por isso resolvi continuar escrevendo sentado na varanda da casa do meu pai, ouvindo um dos meus melhores CD´s do Pearl Jam (The Delta Tapes (KTS) - um daqueles piratas com fotos exclusivas que eu costumava comprar há uns 8 anos atrás em uma feira de CD´s no centro da cidade), cujo show foi em Utah em 1996.

Mais um vez serei repetitivo em dizer que não se conecta os pontos planejando o futuro e sim vivendo o presente e olhando para trás, como se os acontecimentos passados servissem de bússola para nortear a trilha que devemos seguir (eu mal lembrava que uma das melhores versões de Black estavam nesse CD!!!). Ou como disse Steve Jobs: "Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something — your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life."

(PQP esse como pude ficar tanto tempo sem ouvir esse CD! Isso me leva a mais uma resolução que imperativamente será cumprida em 2008: doar um tempo a mais para mim mesmo, não importe o que me tente me impedir. Muitas vezes nossa mente fica poluída porque nos esquecemos de quem somos, do que gostamos e principalmente, do que efetivamente precisamos para sermos felizes com os recursos que possuímos. Em outras palavras, nos desreipeitamos em busca da aceitação alheia. Mais uma vez colocamos o parecer na frente do ser; como se fossemos cobaias de um laboratório que visa uma evolução na direção daquilo que não somos nem gostaríamos de ser. Daquilo que nosso âmago, muitas vezes sufocado pelo doce sabor do reconhecimento, sabe que não é o caminho que seguiríamos. Para mim, esse tipo de atitude, ao som de State of Love and Trust simplesmente já foi banido em 2008.)

Um dos indícios que o trem voltará ao verdadeiro trilho é que voltei a escrever mais. Isso me fazia muita falta. Como disse acima, é o meu momento comigo mesmo. Sempre foi e confesso que quando constatei a minha ausência da frente do teclado e monitor, notei que o leme deveria mudar o barco para longe da tormenta; pois eu já tinha mergulhado muito dentro dela.

Para finalizar, nada como duas frases: "Só existem dois dias onde não podemos fazer nada; o ontem e o amanhã" - "Você tem encontrar o que você ama". Basta unir as duas para fazer um 2008 inesquecível.

Feliz Ano Novo.

postado por: Bobby Bishop 7:49 PM

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Domingo, Dezembro 16, 2007

Ponto de inflexão II

Os últimos anos passaram rápido demais; principalmente se eu for considerar os últimos quatro. Aconteceu de quase tudo e confesso que sinto como se tivesse andado em círculos; voltando ao início de uma nova mudança. Contudo; portando uma maturidade e profundidade de visão muito maior que anteriormente. Muitos buscam o atalho do "saber o que não quer" para conquistar o que se deseja. Talvez, esse princípio da exclusão termine por simplificar nossos sentimentos e distorcer aquilo que realmente amamos. Ao burlar o caminho natural, podemos nos tornar apenas contentes e acomodados; passageiros da própria vida. Passaríamos a tolerar o que nos fere e aprender a conviver com a dor; fazendo-a nossa amiga e companheira. O mundo já movimenta-se em uma velocidade muito acima da desejada para perdermos tempo olhando para um lado afim de confirmarmos a vontade de irmos para o outro. É mais fácil julgar o errado do que abraçar o certo. Ficar inerte à situação incômoda, aguardando que algum passe de mágica surja misteriosamente e acerte o leme de nossas vidas.

Sentir-se de volta ao ponto de partida, depois de tantas dificuldades e alguns desgastes poderia ser desanimador. Entretanto, parece que estou revigorando-me. A cada dia que o ponto de inflexão surge mais próximo no horizonte para mudar a curva de direção; a respiração acelera e o sentimento de liberdade e franqueza comigo mesmo aumenta. Como acabei de comentar em outro lugar; vivemos na era da individualidade e contraditoriamente nunca nos preocupamos tanto com a opinião externa; com o que representamos para os outros. Estamos inseridos em uma redoma de status; onde representar é mais importante do que ser. Não nos suportamos ao mesmo tempo que buscamos com afinco a aprovação dos outros. Queremos ser ouvidos sem parar um segundo sequer para ouvir a nós mesmos. Não sei .... com todas as mudanças e acontecimentos eu ainda continuo acreditando que "small town predicts my fate / perhaps that's what none wants to see". Afastar-me da correria insana onde me inseri durante vários anos me abriu os olhos para o fato de que quase todo mundo sabia quem eu representava, mas nunca ninguém chegou nem perto de me conhecer. Isso me transporta à outro ponto: além de termos sede pela aprovação alheia e aceitarmos a representação como parte do nosso cotidiano; pocuramos alguém que seja exatamente dessa forma! É praticamente a morte da naturalidade e autenticidade! Já cheguei muito próximo desse precipício. Por isso, hoje, tento retornar ao ponto de partida; somente para recomeçar minha viagem com as certezas que tenho e construí durante esses últimos anos. Para desintoxicar-me do ambiente permissivo e poder sentir-me justo comigo mesmo. Felizmente antes dos 35 eu pude realizar que a riqueza não está nos bens materiais, nas viagens para o exterior, nos carros da moda, nas noitadas sem fim , no celular tocando sem parar nem nas mulheres bonitas à sua volta. Isso tudo me trouxe da volta ao ponto de partida. Ou melhor; inflexionou a curva afim de que o sorriso seja efetivamente verdadeiro.

Outro dia mesmo estava no meio daquelas reuniões que não levam à lugar nenhum e estava me lembrando da época da faculdade. Mais precisamente do primeiro período, das aulas de microeconomia onde o assunto era "Curva de Utilidade". Resumidamente, existe uma teoria que pode comporvar o fato de optarmos por uma curva de utilidade superior (mantendo nosso nível de satisfação) dispendendo menos recursos. Tais recursos podem ser financeiros ou psicológicos; como exposição à sociedade, orgulho, fama e por aí vai. Aqueles simples gráficos que conheci antes dos meus 20 anos nunca fizeram tanto sentido. Hoje vejo muitas pessoas próximas querendo apenas provar umas as outras que podem ser mais. Mais o que? Dentro dos últimos, já citados, 4 anos, na grande parte do tempo seria impossível acreditar na minha pessoa dizendo que busca uma vida cada vez mais simples. Não só busco como tornei-a meu principal norte. Atualmente entendo perfeitamente porque, desde adolescente hiperativo, eu, de alguma forma, sonhava com lugares calmos e com pequenas casas alinhadas em ruas de paralelepípedos. Por mais que representemos, sempre haverá um momento onde nos olhamos no espelho e temos que nos encarar cruamente. Quando comecei a não gostar de olhar no espelho e ver quem fazia a barba todos os dias de manhã; percebi que faltava o contato comigo mesmo. Eu não escrevia mais, dizia não ter tempo para nada, não ouvia minhas músicas, estava inerte perante a minha insatisfação e principalmente, não observava nem respeitava o singular jeito que as pessoas agem. Simplesmente resolvi mudar o rumo, pedir ajuda, dizer a verdade, não ter tanto orgulho, ser mais criança e não me preocupar tanto com o futuro. Não adianta nada carregar o mundo nas costas.

Aproveitando o que disse acima. Uma das maiores melhorias em meu comportamento foi aguçar a observação e o respeito pelo comportamento das pessoas. Como eu sempre andei na frente, acostumei-me ao "esforço" de ser a locomotiva que rebocava os vagões. Não que eu tenha abdicado das minhas características básicas; mas prefiro andar ao lado de cem pessoas do que na frente de dez. Na guerra diz-se que é devido dividir para conquistar. Eu tomei o rumo de dividir para me divertir. Viver é bem diferente de sobreviver. Relizei que o equilíbrio pode ser alcançado dentro do caos imposto pela sociedade; basta um pouco mais de simplicidade no seu sentido mais literal possível.

Parar não é só possível como necessário. Não temos qualquer domínio sobre o futuro. Se quisermos que ele seja próximo da felicidade; devemos construir uma sucessão de presentes mais saudáveis.

postado por: Bobby Bishop 2:29 PM

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Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Primeira vez

Este é um post incomun. Primeiro porque é a primeira vez que uso meu notebook na cama, vendo TV e tomando um vinho de 20 e poucos reais. Mas a grande novidade é que ao invés de falar sobre mim ou fatos corriqueiros, estou com inspiração para tentar descrever sobre algo muito mais etéreo: o tal de amor.

Como venho dizendo há tempos, estou cada vez mais buscando o que realmente sou. Talvez por isso, hoje realizo que amar é algo bem diferente do que imaginava. Amar não é encontrar a mulher perfeita ou a alma gêmea. Amar é encontrar alguém que forme um time consigo. Isso mesmo, um time. Nem um par, nem uma dupla e muito menos um casal. Simplesmente um time. Sei que não existe nada romantico em ser um time. Pode paracer competitivo para alguns ou sem sal para outros; mas estar com alguém que forme um time consigo traz uma cumplicidade que nenhum dos termos acima consegue concretizar.

Amar sendo parte de um time de dois é estar junto no ataque e na defesa. É participar dos arduos treinamentos para o jogo da vida; afim de que quando o momento da verdade chegue, comportar-se com a naturalidade e comprimisso que poucos conseguem sequer imaginar. Ser parte do um time no amor é aproveitar a vida como quase ninguém sabe. É chorar nos momentos de angustia sendo acariciado sem a responsabilidade de fazer nada em troca. Talvez seja por esse motivo que o clichê diga que o amor é um jogo; pois ele está instríscicamente ligado e fazer parte de um time. Porém, devemos estar atentos que nesse jogo haverá somente vencedores; já que, quem veste essa camisa em conjunto com alguém onde está depositada toda confiança, deve saber de ante-mão que o resultado final é o que menos importa. O objetivo é não abandonar o campo de jogo e permanecer fiel, junto àquele que escolhemos para “tabelarmos” em busca do objetivo comum.

Em um time não há interesses divergentes nem jogos de vaidades e poder. No amor só existe espaço para cumplicidade. Sem ela nada, mais é possível; qualquer coisa tornar-se-ia teatro, interpretação e jogo de interesse. Outro dia estava vendo o filme “Melhor Impossível”, onde havia uma cena com os seguintes dizeres: “Isso foi melhor que sexo; nós cuidamos um do outro”. Longe, mas muito longe de mim, desprezar o sexo de uma relação entre homem e mulher. Entretanto, acredito que atualmente ligamos a figura do amor muito mais à representatividade do que à significância. Aproveitando o parágrafo, parafrasearei: “Você não gosta de quem você é. Mas você admira quem você representa.” Indo um pouco mais além. Nesse ano, um famoso violinista, que costumeiramente tocava com um Stradivarius cujo preço aproxivama-se de US$ 3.000.000, tocou em um concerto onde os ingressos custavam na casa dos US$ 1.000. Pois bem ... essa mesma pessoa resolveu pegar seu instrumento de trabalho e parar no meio da rua tocando as mesmas músicas ... não ganhou um centavo em em seu chapéu durante 45minutos. Precisamos estar inseridos em um contexto para nos darmos valor; para mensurarmos o nosso esforço e competencia. O Amor não passa perto disso. O Amor deixa-se sentir por essa pausa em nossas vidas. Aproxima-nos daquilo que levaremos guardado conosco durante toda nossa existência.

Me arriscaria dizer que amar é viver. Simplesmente existir. Critiquei o romantismo linhas acima. Entretanto, redimo-me dizendo que estamor em contato com todos esses elementos é o que podemos classificar como fazer parte de algo único. Pouquíssimas pesssoas podem desligar-se do que representam e viver, como para os romanticos, amando aquilo que são.

Já desci ladeiras na beira de um camping, tomei banho em um rio com as águas mais frias que vi na Terra, dormi em um quarto muito bizarro em um lugar que para mim aproxima-se do elo perdido (e onde ficaria traquilamente!), troquei toda água da casa pela vodka mais barata do “supermercado” da vila onde estava, já dormi algumas noites em um castelo onde o banheiro era 1/3 da minha casa, já li Paul Vincent na parede, já vi Pearl Jam em Jones Beach. Nada disso se compara à cumpliciade. Realizem o que é na alegria na tristeza. Sem controles, jogos de poder, demonstrações e aparencias. Mostramos o amor mas não conseguimos construí-lo. Buscamos uma receita de bolo pronta; servida na mesa como sobremesa daquilo que nos sacia fugazmente.

O fato de ter voltado a escrever trouxe consigo a consciência do tempo e espaço Da leitura pré escrita acompanhada pela tridimensionalidade do instangível pensamento.

Basta ouvir Crazy Mary ...

postado por: Bobby Bishop 12:21 AM

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Domingo, Novembro 11, 2007

Para Bobby Bishop

Esse está sendo um dos anos mais interessantes da minha vida; apesar de indubitavelmente ser o mais difícil. Precisei chegar quase à meados de novembro para perceber o quanto me faz falta escrever. Realizei que o teclado e a tela à minha frente foram meus melhores amigos durantes os momentos mais complicados.

Por vários motivos mudei radicalmente meu estilo de vida. Em pouco mais de 2 anos me afastei muito dos verdadeiros amigos, deixei de ficar comigo mesmo e priorizei demasiadamente o mundo exterior. Está certo que no meio disso tudo está um casamento e uma ascenção profissional muito rápida. Entretanto, confesso não ter tido tato para administrar tudo isso sem esquecer de mim. Além disso, também dediquei-me de corpo e alma a tentativa de entender a dinâmica do mercado financeiro; estudando gráficos, suportes, tendencias, expectativas e estatísticas. No fundo, tudo levou-me a uma enorme saudade de quem sou.
Mas talvez o reencontro tenha iniciado-se aproximadamente 3 semanas atrás. Quando estava visitando um templo budista no caminho de Porto Alegre para Gramado. Não foi a religião em si que me fez acordar; mas a calma e paz do lugar foi suficiente para eu ouvir a aquela voz interna que a correria do dia a dia insistia em calar.

Por outro lado, esse auto abandono tornou-me uma pessoa ainda mais observadora. Dessa forma, pude ver que o mundo camiha cada vez mais em direção ao egoísmo, cercado de falcatruas aqui e ali. A boa índole e ética foram abandonadas em prol da necessidade de controlar o ambiente ao redor; incluindo todos os que a ele pertencem, da auto promoção e da inesgotável necessidade de julgar o próximo pelo que ele é, faz ou sente. Por falar em sentir, acredito que esse verbo, parodicamente, perdeu o sentido. Infelizmente deixei-me levar por esse non-sense generalizado, descendo as corredeiras da vida cotidiana onde a maioria das prioridades estava anos luz de distancia do que o meu verdadeiro âmago sempre buscou.

Mais do que saudade dos amigos e das conversas que tanto exercitavam a minha mente; estou em falta comigo mesmo. Quando notei que a minha inspiração para escrever tornava-se cada vez mais rarefeita, ignorei a luz amarela que indicava o afastamento de mim mesmo. Como disse acima, o verbo sentir não fazia mais parte do meu vocabulário. Quase tudo trasformou-se em obrigações e preocupações. Minha ansiedade no sentido de conquistar mais diparava; mesmo tendo somente 33 anos. O tempo passava cada vez mais rápido e eu não absorvia nada de bom. Estar frente à frente com o que nunca me agradou, agora, me traz de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.
Contudo, houve um grande avanço na direção de me conhecer ainda mais. Tive a verdadeira explicação para muitos problemas e fantasmas que me acompanhavam e eu via como permanentes incômodos. Aprendi a enfrentá-los com naturalidade e arrisco dizer que essa foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos. Ninguém consegue dedicar-se na medida certa a um casamento, família, amigos ou qualquer situação qu envolva afetividade sem ter atingido um determinado patamar de auto conhecimento. Exagerando na dramaticidade; além da crença que as coisas sempre darão certo em algum ponto no futuro, o fato de eu estar me conhcendo cada vez mais é a maior fonte da força necessária para manter-me caminhando. Como dizem as duas frases estampadas na entrada do Templo de Delfos (preceitos déficos): “Conhece-te a ti mesmo e Nada em excesso”.

Atualmente não nos voltamos para o auto conhecimento, como já disse, condição fundamental para estabelecermos relacionamentos (como o que ou quem quer que seja) equilibrados. Digo isso pela própria experiência de ter me abandonado por um tempo. Mais uma vez confesso que deixei-me levar pelas necessidades alheias e pelo turbilhão de informações e demandas que o meu momento de vida depositou em minhas costas. Esqueci minhas próprias palavras e crenças, as quais sempre acreditei. Nós e somente nós somos os donos da nossa vida. Não há desculpa para o desvio daquilo que acreditamos e realmente somos. Certamente não é fácil; mas como li outro dia: “A vida é uma ponte e apenas temos que atravessá-la”. Foi exatamente com esse espírito, que, talvez, esse texto, tenha mentalmente iniciado-se desde a visita ao templo budista; passando pela estadia com a família da minha esposa no sul, caminhando por um final de semana prolongado junto de velhos amigos e da minha antiga casa com meu pai e, finalmente, terminando sentado em Arraial do Cabo; longe de tudo e mais perto de mim mesmo.

Mesmo com toda essa nebulosidade comportamental, nunca perdi a consciência nem a fé de que lá na frente tudo estaria nos seus devidos lugares. Porém, o fato de despertar para mim mesmo, sem dúvida alguma, torna o futuro estupidamente mais claro. Redescobri meus anseios, meus valores e o que sou. O sentimento de estar recomeçando e de ter metas pessoais condizentes com meu espírito, trazem consigo , junto daquele sorriso de canto de boca que há tanto tempo havia sumido; aquele olhar perdido no horizonte; cujo é o maior indicativo que encontramos algo de suma importância.

Parece que meus desejos materiais findaram-se. Apesar desse saboroso reencontro, a caminhada de volta está apenas em seus primeiros passos e, infelizmente, não existe nenhum passe de mágica que resolva tudo amanhã. Mas mesmo sabendo disso, de alguma forma inexplicável, sinto que estou mais próximoda trilha de onde me perdi. Da trilha de onde me desviei para seguir o caminho mais comum e que a grande maioria julga como aquele que eu devo me agarrar com todas as forças. Nunca o suficiente significou tanto para mim. Provavelmente esse tenha sido o grande atalho de volta: o suficiente é imensamente grandioso para saciar todos nossos desejos.
A simplicidade de estar com o tal olhar perdido, com a mão na boca sentido o ar sair do pelo meu nariz, lembrou-me de um livro que sempre carreguei na minha mente. Um daqueles que pouca gente conhece ou acha banal demais para ler. Mas que de alguma forma tem as suas palavras fazendo mais sentido do que nunca. Ele se chama “A Essencial Arte de Parar”. Assim, como dito no livro, realizo estar próximo da minha grande parada; que seria uma das maiores demonstrações de respeito a mim mesmo. Sempre fui precoce e andar nesse rítimo acelerado cansa, desgasta e nos afasta daquilo que verdadeiramente somos.

Chega de querer para apenas ser. Para apenas existir.

postado por: Bobby Bishop 2:54 PM

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Domingo, Setembro 30, 2007

Seguindo a trilha ...

Excetuando o aniversário dos sobrinhos, esse final de semana foi um daqueles que esperava há muito tempo: sem compromissos sociais. Pude escolher o que fazer com calma e sair de casa simplesmente para trocar umas idéias e observar o mundo que nos cerca.

Confesso que me decepecionei com o que vi. Resolvi ir a lugares comuns onde o nível de sofisticação (No sentido figurado da palavra! Afinal de contas, já citei várias vezes o livro Desejo de snão segrega a frequenca e, literalmente, tive um choque cultural. Não sei se por causa da minha dedicação ao trabalho ao a fase de transição prolongada que tenho vivido, não havia me dado conta do nível de pasteurização que o mundo havia atingido. Me impressionei como o comportamento da "nova geração" é exatamente o mesmo e que a criatividade deu lugar a imitação barata de ídolos preparados cuidadosamente pela mídia. Praticamente não existe mais originalidade. Generalizando um pouco mais, fiquei com a sensação que a sociedade atual não possui mais sonhos. Vivemos em um moto contínuo apenas com o objetivo de pagar as respectivas contas e estarmos de alguma forma inseridos em qualquer contexto de moda que nos faça parte de algo que mal sabemos o que é. Estamos sempre preocupados; não somente em impressionar o mundo para não sermos e somente parecermos; porém com a neurose coletiva de observar nosso habitat não como uma inesgotável fonte de inspiração, mas como algo que pensa e age por nós ... Não sei ... Atravessei esse final de semana com o sentimento de que as pessoas não possuem mais vontades verdadeiras. Me senti bastante solitário ....

Entratanto, para amenizar a decepção; passei bons minutos dentro de uma ótima livraria. Estava envolvido pela redoma mais paradoxal que vivenciei nos últimos tempos: diversas fontes de insipiração do pensamento cercadas por diversos nívels de futilidades e padrões "beges" (Nunca me esqueço da frase: "Tenha medo das pessoas beges"). Anotei mais uns 8 livros para comprar e deixar na estante até que o meu mood me empurre e me faça devorar logo uns 3 de uma única vez ... Se é que tenho evergadura moral para dar algumas sugestões, vale muito a pena a nova edição do "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas" e "Felicidade Paradoxal". Obviamente que o meu lado economista não me deixou muito longe do livro do Alan Greenspan. Fiquei viajando no fato de que como as palavras de uma única pessoa (está certo que essa pessoa, salvo engano meu, foi presidente do FED por 18 anos) pode causar consequencias nos quatro cantos do globo. Aliás, umas das discussões da noite foi que a economia não precisa de matemática para ser entendida; é pura lógica. Talvez, Kant tenha sido melhor economista do que muitos premios nobel. Além disso, Adam Smith foi aclamdo pai da economia por escrever um livro com coisas óbvias (mesmo para aquela época). Marx; Schumpeter, Walras, Keynes foram muito mais do que pais da economia. Enfim, chega de entuasiasmo; senão começarei a dissertar sobre minhas teorias econômicas nada ortodoxas. Talvez seja por isso que a minha monografia tenha sido sobre um fato histórico ocorrido no Rio de Janeiro que iniciou a favelização dessa cidade (mas isso fica para uma outra discussão).

Só de pensar um pouco no que essas pessoas, dentre outras mencionadas, fizeram para mudar o modo de pesar da humanidade já levanta a minha moral, mesmo em um início de final de domingo. Algo em mim ainda acredita que a critividade o ser humano ainda pode ter uma explosão de criatividade benigna; voltada para qualquer tipo de arte ou ciência humana que promova um desenvilvimento sustentado e distributivo. Qualquer atitude que nos tire desse marasmo consumista e acéfalo, seria um ótimo começo. Nos preocupamos tanto que o exterior que nos esquecemos que o auto conhecimento e o auto controle formam o sustentáculo para uma individualidade coletiva. Onde nós, como indivíduos, possamos contribuir de forma criativa para que a sociedade, ou até mesmo a pequena comunidae onde vivemos, seja ela nossa família e amigos mais próximos, torne-se melhor e com mais conteúdo. Chega de enaltecer a forma e viver de acordo com a navalha de Ockham, que apregoa o fato da solução mais simples sempre ser a mais correta. Obviamente que é o pensamento de Ockham é paradoxal com a crítica da simples absorção de padrões em detrimento da criatividade. Entretanto, a cópia do parecer nunca será solução. Portanto, não cabendo a aplicação desse pensamento.

Acho que esse escrevi apenas para matar a saudade de discutir folosifia e exercitar um pouco a lógica do meu pensamento e as idéias que tenho. Talvez, como disse anteriormente, seja o final de domingo. Essa hora do dia me faz lembrar que, de certa forma, também terei que seguir alguns padrões. Entretanto, meus sonhos e objetivos jamais sucumbirão perante a ordem atual das relações entre os seres de nossa espécie.

postado por: Bobby Bishop 9:02 PM

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Quarta-feira, Setembro 05, 2007

I´m only human on the inside

Há algum tempo já vinha querendo escrever somente sobre isso: ser only human on the inside; como na música do Pretenders (apesar de mais uma vez eu estar ouvindo Of The Girl). Ou seja, acredito que um dos maiores problemas da humanidade seja saber conviver com o defeito dos outros. Ainda mais quando os “outros” acham que seus “defeitos” são qualidades; assim como eu acho que vários dos meus me fazem uma pessoa única e digna de um orgulho próprio (longe de ser egoísmo!) grandioso. A questão passa por aceitar-se antes de pensar em criticar aquele que corajosamente coloca-se a nossa frente para ser julgado sem ter a idéia de estar, supostamente, comentendo algum tipo de crime; muitas vezes inconsicente imperdoável.

Não tenho vergonha nenhuma em dizer que busco o auto conhecimento diariamente. Talvez esse seja o passo primordial para entendermos o que, ou quem, está a nossa volta. Mais uma vez confesso que mudei muito nos últimos anos (não deve ser à toa que agora toca Off He Goes); sempre no sentido de corrigir minhas fraquezas. Note que jamais tentarei eliminá-las. Nossos defeitos mais íntimos, os que assumimos para nós mesmos, são parte fundamental da lembrança de que somos apenas human(s) on the inside. Sempre orgulhei-me de ser economista e simplesmente ser apaixonado por essa ciência tão dinâmica, que o meu (grande) lado DDA faz tanta questão de estudar e vivenciar diariamente. Mas por outro lado a psicologia, mesmo que cotidiana ou osmótica, também me faz sentir o sangue pulsar como os fluxos de capitais internacionais ou as palavras de Marx sobre a divisão do trabaho e luta de classes.

Estou aqui, cansado das últimas semanas extenuantes de trabalho, onde tive que apresentar minha área para todos superintendentes e diretores da empresa, além de explicar como a crise do mercado subprime americano afeta uma empresa onde o core bussines está anos luz de wall street. Isso sem considerar que amanhã ficarei o dia inteiro em um hotel iniciando o projeto do planejamento estratégico de 2008. Em suma: estou acabaço. Porém, meu lado humano me trouxe para frente dessa tela com o maior prazer do mundo. Acho que eu necessitava, de alguma forma, mesmo que textual, virtual ou seja lá de que nome seja, chegar em algum lugar em gritar que I´m only human on the inside. Não digo isso pelo lado profissional e pela sobrecarga de trabalho e responsabilidade que momentaneamente está sobre mim; até mesmo porque eu curto muito tudo isso. Mas, provavelmente, porque eu estava com saudade de encontrar-me de novo. Escrever sempre foi a melhor forma de expor meus pensamentos. Sou agtado demais para falar de mim e de meus sentimentos em público. Sou aquele cara que todo mundo acha que é super feliz porque conseguiu tudo profissionalmente até o momento e contua sendo tratado à pão de ló pelo cérebro que tem. No fundo eu estava sentindo falta de ser comum; falar o que desse na telha. Me lembrar de pessoas que há tempos estou distante e queria partilhar alguns dos meus devanios e tomar umas e outras; até mesmo de contar as tantas novidades que aconteceram nesses últimos anos.

Outra coisa que me veio na cabeça é que muitos confundem saudade com carencia. Sinceramente acho que não tem nada a ver! Saudade é a lembrança de bons momentos. Carencia é a falta deles. Se analisarmos por um determinado prisma, são sentimentos totalmente opostos! Um confirma as boas coisas que vivemos e nos encoraja a repetí-los, não importando se em ocasiões totalmente diferentes. A outra simplesmente confirma um vazio que existe dentro de nós e ainda não descobrimos como preenchê-lo. Ter saudade é motivo de orgulho das nossas realizações e o combustível para construir um novo castelo com alicérces sólidos e embasados em experências passadas. Carência é estar vivendo à margem do feudo, pagando os impostos que os abastados nos impõe, simplesmente pelo fato de terem aquilo que almejamos.
Não sei ... Vou trocar o CD para mais uns 15 minutos de palavras.

Enfim, não tem muito mais o que dizer. Me contento com muito pouco. Hoje mesmo disse que uma das provas da minha evolução é que troquei a infindável sede de felicidade por um contentamento mais real. Sonhar continua sendo uma das minhas mais latentes características. Entretanto realizei que a felicidade contínua, sem fugacidade, reside em nosso dia a dia. Cansei de servir de exemplo para os outros. Como me disseram uma vez, tomando café damanhã de frente para o mar: “Não acha que chegou a hora de você ter as suas próprias palavras?”. Sinceramente, nunca mais vi essa pessoa e sem dúvida ela sequer faz idéia que me recordo dela. Mas a saudade desse momento (onde tomando café damanhã após uma daquelas noites, eu me comparava ao Jacques Villeneuve) é que contrapõe a carência de quem nunca se deu o direito de viver dessa forma.

Tudo que somos e vivemos continuará sempre dentro de nós. A saudade é um sentimento constante, pois ainda não conseguimos vencer o tempo e atingir a onipresença. Orgulho-me da evolução e do desbravamento de emoções e caminhos que jamais pensei em trilhar. Porém, o melhor de tudo é, apesar de todas as mudanças, continuar sentindo-me o mesmo: Only human on the inside.

Salute!

postado por: Bobby Bishop 12:30 AM

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Quarta-feira, Agosto 08, 2007

Ligando os pontos

Depois de muito, muito tempo; estou escrevendo envolvido por uma atmosfera quase ideal: Ipod plugado nos ouvidos com uma excelente trilha sonora, a garrafa de vinho ao lado do monitor novo e a luz do quarto apagada. Faltaram poucas coisas ... Mas devo agradecer por estar vivendo esses segundos que há muito tempo não desfrutava.

Assim sendo aproveitarei para falar sobre algo que povoa a minha cabeça desde o último final de semana. Mais uma vez retornarei ao discurso do Steve Jobs; porém utilizando-me de outro ponto de vista; lendo as mesmas palavras situado em outro prisma ... Atualmente, principalmente na ciência que estudei e sou apaixonado, a tal da economia, existem diversos profetas do acontecido. Ou seja, aqueles que depois do fato consumado surgem com diversas teorias e modelos para explicar o que já passou. Infelizmente essa prática também é vista com extrema frequencia em nosso dia a dia. Muitos do que ficam em casa, criando barreiras contra o risco de ser feliz, profetizam e julgam o passado como uma visão do futuro que já aconteceu; esquecendo que os pontos ligam-se apenas depois de existir. Ou seja, quando observados do presente para o passado. Entretanto, o componente mais substancial de todo esse emaranhado costuma passar desapercebido: não basta enxergar os pontos, mas deve-se conectá-los de uma forma única onde o futuro seja mais produtivo e prazeroso.

Dessa forma, o que será que o vinho urge em expor? Basicamente dois pontos básicos. Primeiramente, devemos viver as oportunidades e experimentar os diversos caminhos que a vida nos oferece. Isso é condição sine qua non para que nós criemos nossos pontos; como se fossem pegadas no deserto de emoções que vivenciamos. Essas pequenas marcas deixadas no tempo servirão de importantes marcos em nossa errante caminhada. Porém, não devemos nos preocupar onde nem quando os firmaremos; afinal de contas, essas estacas terão algum sentido somente quando olhadas de uma visão futura; a qual não saberemos onde estará. Consequentemente, o segundo ato, não menos importante que o primeiro, será composto da parada futura e observação de todos os marcos deixados pelo caminho; com o objetivo de trilhar uma linha que abranja o conhecimento que acalme nossas almas inquietas.

(I'll light a match this mornig, so I won't be alone ... I'll stand arms outstrched, pretending I'm free to roam / I'll make may way trough one more day in hell ... How much difference does it make ... I'll keep taking punches untill their will goes tired ... I won't change direction and I won't change my mind)

Situando-se no ponto futuro; o que reside no âmago dessas palavras, pode ser resumido em apenas quatro letras: vida. Estamos aqui para errar e sempre buscar os acertos; jamais andaremos à frente do tempo. Primeiro devem existir os pontos para depois conectá-los. O risco é inerente à nossa existencia. Afinal de contas,abro os braços mais uma vez e internamente imagino-me na borda do mundo gritando: "Quem não morre não vê Deus!".

(Take a bottle, drink it down; pass it arround)

Contradizendo tudo que disse, mas aproveitando-me dessa dádiva, por que não falar um pouco de algo que sempre almejamos: o ponto futuro. Passamos uma vida conectando pontos tentando chegar a algum lugar. Entretanto, paradoxalmente, buscamos o ponto futuro; aquele que não será escrito no presente e já terá sido escrito quando o futuro chegar. Ou seja, ligamo os pontos buscando o inexistente! Mas é nesse fato que reside a graça de nossa passagem por esse mundo: desenhar um mapa para que os que venham depois de nós tenham alguma noção do caos em que vivemos. Em suma: não deveríamos menosprezar nossos marcos passados! Afinal de contas, eles dizem muito mais do que imaginamos.

(Por que não comprei cigarro!?!?!)

Ouvindo Do the Evolution lembrei-me da faculdade e de uma frase que me ensina a crescer com os dots da minha vida: "Quem não conhece a história está fadado a repeti-la". Olhar para trás com sabedoria é faciltar o que vem à nossa frente. Ligue os seus pontos e faça um belos desenho da sua vida. Niguém precisa ler os seus rabiscos; basta que você entenda-os da melhor maneira possível.

In vinni Veritas

p.s. Não reli uma palavra sequer desse texto. Foi um dos mais sinceros que escrevi em todos os tempos.

postado por: Bobby Bishop 12:40 AM

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Sábado, Julho 21, 2007

Quem não pode dar não pede

Foram quase dois meses sem escrever e confesso que pareceu muito mais de um ano! Se eu achava que a minha vida havia mudado nos últimos dois anos; certamente eu não esperava pelo que aconteceu nos útimos três meses. Novas propostas de emprego, negociações e responsabilidades que eu esperei por muito tempo. Quando o tão esperado momento efetivamente chega, o frio na espinha torna-se inevitável. Entretanto,esses saltos de qualidade devem ser absorvidos como a base para um aprendizado de melhor qualidade; pois, sendo colcoados em situações novas que exploram nossas potencialidades ao limite extremo, realmente descobrimos do que somos capazes.

Além desse fato, o amadurecimento pessoal que advém dessa conjuntura é instantâneo. Depois de muito tempo, tenho dado muito mais atenção a minha vida pessoal do que qualquer outra aspecto da minha vida. Confesso (mais uma vez) que tinha uma tendencia egoísta muito grande. Esse é o mal que assola as pessoas vistas como independentes. Eu sentia que ter a capacidade de fazer quase tudo sozinho, correr atrás da realização dos sonhos e conquistar objetivos pelas próprias pernas, causava mais medo do que admiração nas pessoas. Parece que o mundo atual gera uma dependencia intrínsica de algo que ninguém ao menos sabe o que é. Sabemos apenas que a dependencia existe. A população de ansiosos por qualquer coisa cresce cada vez mais. Faz-se de tudo para demonstrar algo que não somos. Participa-se de uma corrida sem fim onde o prêmio é ser igual ao que se torna descartável no exato momento que recebemos a bandeirada final.

Talvez, exatamente por esses fatores, os independentes causem tanto desconforto. Não queremos ser iguais a ninguém. Desejamos apenas atingir nossos objetivos e realizarmos nossos sonhos. Ponto final. De repente, ter idéias próprias, viver a própria vida, não manifestar ciúmes teatralmente e não importar-se se a grama do vizinho é mais verde, tornaram-se predicados amedrontadores. O relacionamento sadio, onde o principal componente é o respeito e admiração pelas qualidades e características individuais de cada um, retira-se de cena afim de que o modelo simbiótico, no qual a inter-dependencia é condição sine qua non, assuma o papel principal. Convive-se com o medo na própria cama. A simplicidade dissolve-se em meio à inúmeras teorias da conspiração e cenários sombrios. O ser humano assume uma condição cada vez mais paradoxal, lutando pela liberdade extrema quando essa é derivada da privação de terceiros. Procura-se alguém ou algum entidade que provenha a segurança que, como indivíduos, não conseguimos dar a nós mesmos. Exige-se o que não pode-se dar diante do espelho

postado por: Bobby Bishop 11:53 AM

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